Dólar abre em alta de mais de 8% após vitória de Lula, e juros futuros disparam

Publicado em 26/10/2026, às 10h33
Agência Brasil
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Por Matheus dos Santos e Júlia Galvão/Folhapress

Após a vitória de Lula nas eleições presidenciais, o dólar disparou mais de 8%, superando R$ 5, enquanto o mercado financeiro reagiu com incertezas, refletindo o temor de investidores sobre a continuidade de políticas fiscais mais rigorosas.

A taxa DI para janeiro de 2027 subiu para 13,983%, e analistas preveem uma queda acentuada do Ibovespa, com possibilidade de acionamento do circuit breaker, evidenciando a expectativa negativa em relação ao governo Lula.

Gestores de fundos já antecipavam essa reação, com 80% deles prevendo uma queda superior a 5% no Ibovespa, enquanto ADRs de empresas brasileiras em Nova York enfrentavam perdas significativas, indicando um clima de aversão ao risco no mercado.

Resumo gerado por IA

O dólar abriu em alta de mais de 8% e voltou a superar R$ 5 nesta segunda-feira (26), após o presidente Lula (PT) vencer o segundo turno das eleições presidenciais contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

O petista derrotou o ex-senador carioca por 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% do adversário, no último domingo (25).

Por volta das 9h10, a moeda americana avançava 8,71%, a R$ 5,424, em movimento mais intenso que no exterior. Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar, avançava 0,12%.

O estresse também se refletia nos juros futuros. No mesmo horário, a taxa DI para janeiro de 2027 subia para 13,983%, alta de 52 pontos-base, enquanto a taxa DI para janeiro de 2031 avançava 182 pontos-base, para 14,460%.

Analistas ouvidos pela Folha também esperam uma queda da Bolsa nesta segunda-feira, com possibilidade de acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento do pregão anterior.

A desvalorização do real e a queda do Ibovespa nesta segunda-feira podem reverter os ganhos registrados após o primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro terminou a votação na liderança, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula, então presidente.

No pregão seguinte à primeira rodada da eleição, a Bolsa subiu 7,70%, aos 206.911 pontos, em recorde em termos nominais e reais. O dólar, por sua vez, caiu 4,11%, a R$ 5,001, no maior recuo de fechamento desde 2018, quando a moeda havia perdido 5,50% em uma única sessão.

No acumulado desde a confirmação das candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro à Presidência, em agosto, o dólar recuou cerca de 2%, enquanto a Bolsa brasileira registrou alta de 15,3%.

O desempenho positivo dos ativos após o primeiro turno refletia a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e de um ajuste fiscal mais rigoroso sob seu governo. Para os investidores, a continuidade de Lula na Presidência aumenta o temor de que não haja medidas suficientes para ajustar as contas públicas.

A expectativa de menor controle fiscal tende a elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo, pressionando a curva de juros. Taxas mais altas, por sua vez, podem encarecer o crédito para as empresas e reduzir as perspectivas de lucro, pressionando o mercado acionário.

A reação dos ativos já era esperada por agentes do mercado. Levantamento do Citibank com 73 gestores de fundos de ações e multimercado mostrou que 80% dos entrevistados esperavam que a vitória de Lula provocasse uma queda superior a 5% no Ibovespa nesta segunda-feira. Outros 7% projetavam recuo entre 1% e 5%, enquanto 3% esperavam valorização de 1% a 5%.

No câmbio, 63% dos gestores esperavam uma desvalorização superior a 5% do real, enquanto outros 28% estimavam recuo entre 2% e 5%. Já 6% projetavam valorização superior a 5% da moeda brasileira.

No exterior, contratos futuros do real e ADRs (recibos de ações) brasileiras negociadas em Nova York apresentavam fortes quedas na manhã desta segunda-feira (26).

Perto das 7h30, o fundo de índice (ETF) EWZ, que replica uma cesta de ações brasileiras negociadas em Nova York, despencava mais de 26% no pré-mercado. Já os contratos futuros do real para novembro e dezembro recuavam cerca de 10% cada.

Entre os ADRs das principais companhias brasileiras listadas em Nova York, Itaú e Bradesco caíam 28% e 25%, respectivamente, enquanto Petrobras recuava 23%. As baixas de Vale e Embraer eram menos acentuadas, de 3,31% e 3,77%, respectivamente.

Entre as ações de empresas brasileiras negociadas em Nova York, as da XP registravam a queda mais acentuada, superior a 45%, enquanto as do Nubank recuavam 20%. A JBS, por sua vez, caía cerca de 2%.

No último pregão, na sexta-feira (23), o dólar fechou em queda de 0,96%, cotado a R$ 4,989, enquanto o Ibovespa subiu 0,47%, aos 205.082 pontos. A valorização dos ativos refletia as expectativas dos investidores em torno de uma possível vitória de Flávio Bolsonaro (PL).

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