Economia

Dólar sobe e Bolsa fraqueja apesar do dia positivo no exterior

Folhapress | 06/06/22 - 18h31
Clayton Castelani | Danilo Verpa/Folhapress

A Bolsa de Valores brasileira aprofundou nesta segunda-feira (6) a trajetória de queda da última semana, que ficou no vermelho após três fechamentos semanais com ganhos.
O mercado acionário doméstico fraquejou nesta segunda mesmo com a ligeira melhora no apetite global por aplicações de risco, em grande parte estimulada pela redução de restrições sanitárias contra a Covid na China.

O índice de referência Ibovespa caiu 0,82%, a 110.185 pontos. O dólar comercial subiu 0,37%, cotado a R$ 4,7960 na venda. Entre os papéis mais negociados na Bolsa, Vale e Petrobras ganharam 0,10% e 0,07%, nessa ordem. A Eletrobras cedeu 0,14%. A Magazine Luiza perdeu 5,29%.

Dados pouco empolgantes sobre a economia doméstica ajudaram a manter o desânimo de investidores com mercados emergentes, como é o caso do Brasil, em um contexto global de temor com a alta de preços e de elevação dos juros nos Estados Unidos e na Europa.

Após mais de um mês sem divulgação da pesquisa Focus pelo Banco Central, a projeção mediana dos economistas apresentada nesta segunda mostrou que a expectativa para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2022 saltou de 0,70% para 1,20%. Já o prognóstico de expansão de 2023 recuou de 1% para 0,76%.

O boletim também mostrou que as estimativas dos economistas para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), em um cenário inflacionário desafiador, passaram de 7,89% para 8,89% em 2022 e subiram de 4,10% para 4,39% em 2023.

No mercado de trabalho brasileiro foram criadas 196.966 vagas formais em abril, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgado, também nesta segunda, pelo Ministério do Trabalho e Previdência.

O resultado veio acima da criação líquida de 170.655 postos projetada por analistas, mas o mercado não recebeu bem a revisão dos dados de março sobre a criação de postos de trabalho, que caíram de 136 mil para 88,1 mil, segundo Étore Sanchez, da Ativa Investimentos.

"Em outras palavras, apesar de mostrar força na margem, a média móvel segue em desaceleração, e os dados, excluindo a sazonalidade, apontam para uma perda de ímpeto na margem", disse Sanchez. Nos principais mercados do exterior, porém, o humor dos investidores foi predominantemente positivo nesta sessão.

A suspensão de lockdowns em cidades da China, como Xangai, aliviou temores sobre o desempenho da segunda maior economia do mundo. O indicador que acompanha ações de empresas de Xangai e de Shenzhen avançou 1,87%. Os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram 0,05%, 0,31% e 0,40%, respectivamente.

Na Europa, houve alta de 1,45% no índice que acompanha as 50 principais empresas de países que têm o euro como moeda. Ainda em patamar elevado, o preço petróleo bruto oscilou em torno da estabilidade. No final da tarde, o barril do Brent, referência para a commodity, recuava 0,03%, a US$ 119,69 (R$ 573,91).

Na última sexta-feira (3) o mercado financeiro reagiu à divulgação do relatório de geração de vagas de trabalho nos Estados Unidos que mostrou crescimento na criação de empregos, ampliando temores sobre a escalada da inflação global.

O Ibovespa teve uma baixa semanal de 0,75%, a primeira queda após três semanas consecutivas de ganhos. O dólar comercial avançou 0,82% na semana passada.

A pressão inflacionária mundial é resultado da retomada das atividades econômicas enquanto a oferta de bens e matérias-primas ainda está prejudicada por interrupções no abastecimento provocadas pela pandemia. Situação que se agravou com a guerra na Ucrânia.

Dados robustos sobre a abertura de postos de trabalho podem ser interpretados como sinais de que a política elevação dos juros americanos será mantida, favorecendo aplicações no Tesouro dos EUA.

Além de fortalecer o dólar frente a outras moedas, a alta dos juros tira o apetite de investidores para aplicações mais arriscadas, como é o caso dos mercados de ações. Após novos dados demonstrarem força do mercado de trabalho, o mercado passou a ver mais indícios de que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) precisará manter em curso o seu aperto monetário para tentar frear a maior inflação no país em 40 anos.

"O 'price action' [padrão da movimentação das ações retratado por gráficos] está respondendo praticamente ao que acontece com os juros na Europa e nos Estados Unidos", comentou Daniel Miraglia, economista-chefe da Integral Group.