Psicóloga explica como a privação de sono pode afetar o funcionamento do cérebro mesmo após a retomada da rotina
Diante da empolgação e da vontade de aproveitar cada momento em festivais, shows, feriados prolongados, viagens, festas e comemorações, pensar em dormir pode acabar ficando em segundo plano, fazendo com que algumas pessoas deixem para compensar o descanso perdido nos dias seguintes. Essa tentativa, porém, nem sempre é suficiente: os efeitos da privação de sono podem se prolongar e interferir em atividades do dia a dia, principalmente as que exigem atenção, raciocínio e aprendizagem.
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Segundo Ana Cristina Vasconcellos, coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, o sono desempenha um papel essencial na consolidação da memória, no processamento das informações e na regulação da atenção. Quando esse período de recuperação é reduzido, o cérebro tem mais dificuldade para desempenhar funções cognitivas básicas.
“Durante o sono, especialmente nas fases mais profundas, o cérebro organiza informações adquiridas ao longo do dia e fortalece conexões importantes para a aprendizagem. Quando a pessoa dorme pouco ou de forma fragmentada por algumas noites seguidas, ela pode perceber mais dificuldade para lembrar conteúdos, manter o foco e tomar decisões”, explica.
A seguir, a especialista destaca cinco impactos comuns da privação de sono após períodos de intensa atividade social ou lazer. Confira!
A falta de descanso adequado compromete a capacidade de manter o foco por longos períodos. Atividades que exigem concentração contínua, como estudar, trabalhar ou dirigir, podem se tornar mais difíceis. “É comum que a pessoa fique mais dispersa, esqueça tarefas simples ou precise reler informações várias vezes para compreendê-las”, afirma.
O cérebro precisa do sono para consolidar informações e transformá-las em conhecimento duradouro. Quando esse processo é interrompido, a retenção do conteúdo pode ser prejudicada. Por isso, estudantes e profissionais que precisam absorver novas informações frequentemente sentem maior dificuldade para aprender após períodos de sono insuficiente.
Esquecer compromissos, perder objetos ou ter dificuldade para recordar informações recentes também pode estar relacionado às noites mal dormidas. “A memória depende de processos que acontecem durante o sono. Sem esse período adequado de recuperação, o cérebro encontra mais dificuldade para armazenar e recuperar informações”, explica Ana Cristina Vasconcellos.

Além dos impactos cognitivos, a privação de sono pode aumentar a irritabilidade, reduzir a tolerância ao estresse e influenciar a capacidade de avaliar situações com clareza. Pessoas que dormem menos tendem a reagir de forma mais impulsiva e podem ter mais dificuldade para interpretar informações e resolver problemas.
Mesmo quando a pessoa consegue recuperar algumas horas de sono, o corpo e o cérebro podem levar alguns dias para restabelecer completamente os níveis de atenção e disposição. “O retorno à rotina deve ser acompanhado de hábitos que favoreçam a recuperação, como horários regulares para dormir, redução do uso de telas antes de deitar e cuidados com a alimentação e o consumo de estimulantes”, recomenda a psicóloga.
De acordo com a especialista, a melhor estratégia não é tentar compensar toda a privação de uma única vez, mas restabelecer gradualmente uma rotina regular de descanso. “Pequenos ajustes podem ajudar o organismo a retomar seu ritmo natural. O mais importante é priorizar a qualidade do sono nos dias seguintes, permitindo que cérebro e corpo recuperem suas funções adequadamente”, conclui.
Por Luana Figueiredo
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