Entender as regras e acompanhar as receitas ao longo do ano ajuda o microempreendedor a se preparar para situações que podem levar ao desenquadramento
Com o fim de 2026 se aproximando, os microempreendedores individuais precisam acompanhar de perto o desempenho financeiro do negócio para evitar mudanças inesperadas no regime tributário.
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O Brasil já soma mais de 15 milhões de Microempreendedores Individuais (MEI), e quem está perto de atingir o limite anual de faturamento precisa ficar atento. Em 2026, além do reajuste no valor da contribuição mensal, o teto de R$ 81 mil continua sendo um ponto de atenção para quem está próximo do limite. Isso porque ultrapassar o valor permitido pode levar ao desenquadramento do MEI e, dependendo do tamanho do excesso, até à cobrança retroativa de impostos.
Para evitar surpresas, o especialista em contabilidade Matheus Lopes lista 5 cuidados que o empreendedor deve ter antes do fim do ano. Confira!
Matheus Lopes explica que o empreendedor deve começar pelo acompanhamento do faturamento. “O primeiro passo é saber exatamente quanto o negócio já faturou neste ano. Não basta olhar apenas para o teto de R$ 81 mil, é preciso somar tudo o que entrou no CNPJ e projetar quanto ainda deve ser faturado até dezembro”, orienta.
Quem abriu o MEI ao longo de 2026 também deve ficar atento. Nesse caso, o limite de faturamento é proporcional ao número de meses em que a empresa esteve ativa, e não corresponde aos R$ 81 mil integrais.
Passar do teto não significa necessariamente ter o mesmo tipo de consequência em todos os casos. A regra depende de quanto o faturamento ultrapassou os R$ 81 mil.
Se o excesso for de até 20%, ou seja, se o faturamento chegar a R$ 97.200 no ano, o MEI paga uma guia complementar sobre o valor excedente e passa a ser Microempresa (ME) a partir de janeiro do ano seguinte.
Já quem ultrapassar o teto em mais de 20% terá o desenquadramento retroativo a 1º de janeiro do mesmo ano. Nesse caso, há cobrança dos tributos do Simples Nacional referentes a todo o período, além de juros e multa.
Outro ponto importante é o prazo para quem ultrapassa o limite em mais de 20%. O pedido de desenquadramento deve ser feito no Portal do Empreendedor até o último dia útil do mês seguinte àquele em que o excesso aconteceu. Portanto, não é possível simplesmente esperar o fim do ano para regularizar a situação.

A contribuição mensal do MEI também mudou em 2026. Com o reajuste do salário mínimo para R$ 1.621, o valor do DAS-MEI passou de R$ 75,90 para R$ 82,05 para atividades de comércio e indústria. Para quem atua com serviços, a contribuição subiu de R$ 80,90 para R$ 86,05. Já o MEI que exerce comércio e serviços passou de R$ 81,90 para R$ 87,05.
Em alguns casos, a melhor decisão pode ser deixar o MEI antes mesmo de ultrapassar o limite.
Segundo Matheus Lopes, a migração voluntária para Microempresa pode fazer sentido quando o negócio precisa de mais de dois funcionários — algo que o MEI não permite —, quando a atividade exercida não está entre as permitidas para a categoria ou quando a empresa passa a emitir notas fiscais com mais frequência e precisa de uma estrutura maior.
A mudança, porém, também traz novas obrigações. A ME exige contabilidade e passa a pagar impostos de acordo com um percentual variável do faturamento, conforme o anexo em que a atividade se enquadra. Diferentemente do MEI, portanto, não há uma guia mensal fixa de impostos.
Para quem já está perto do teto, setembro é um bom momento para revisar o faturamento e projetar os próximos meses.
“Deixar a revisão do faturamento só para dezembro reduz praticamente a zero as opções de planejamento. Em setembro, ainda é possível projetar a média mensal dos últimos meses, comparar o resultado com o teto proporcional e simular a carga tributária de cada cenário: permanecer MEI e assumir o risco de uma reclassificação retroativa, ou antecipar a migração para ME dentro do anexo correto do Simples Nacional. Essa análise antecipada tende a reduzir o custo tributário final e evita decisões tomadas sob pressão de prazo”, afirma Matheus Lopes.
Assim, acompanhar o faturamento ao longo do ano e avaliar antecipadamente os próximos passos pode ajudar o empreendedor a evitar uma mudança de regime tributário feita às pressas e possíveis custos adicionais.
Por Bruna Hess
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