Alagoas apresenta a maior desigualdade racial em homicídios no Brasil, com pessoas negras 23,3 vezes mais propensas a serem assassinadas em comparação a pessoas não negras, conforme o Atlas da Violência 2026. Essa situação destaca a gravidade do racismo estrutural e das desigualdades socioeconômicas que afetam a população negra no estado.
Em 2024, mais de 31 mil homicídios de pessoas negras foram registrados no Brasil, representando 77% do total de mortes violentas, enquanto a taxa de homicídios entre pessoas não negras foi significativamente menor. A análise dos últimos dez anos revela que mais de 435 mil assassinatos de pessoas negras ocorreram, em contraste com cerca de 132 mil entre pessoas não negras.
Apesar da redução geral dos homicídios no país, a diminuição não foi equitativa; a taxa de homicídios entre pessoas não negras caiu quase 39%, enquanto entre pessoas negras a redução foi de apenas 21,7%. O Atlas da Violência, elaborado pelo Ipea e pelo FBSP, continua a evidenciar a necessidade de políticas públicas eficazes para combater essa desigualdade.
Alagoas é o estado brasileiro onde a desigualdade racial aparece de forma mais acentuada nos índices de homicídio. É o que aponta o Atlas da Violência 2026, estudo divulgado nesta terça-feira (26) que reúne e analisa dados oficiais sobre violência e homicídios em todo o país. Segundo o levantamento, uma pessoa negra tem 23,3 vezes mais chances de ser assassinada no estado do que uma pessoa não negra.
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O índice coloca Alagoas na primeira posição do ranking nacional de desigualdade racial nos homicídios. Para comparação, em todo o Brasil, o risco de uma pessoa negra ser assassinada é, em média, 2,6 vezes maior que o de uma pessoa não negra. Em Alagoas, essa diferença é quase dez vezes superior à média nacional.
O segundo maior índice do país foi registrado no Amapá, onde pessoas negras têm 16,7 vezes mais risco de serem vítimas de homicídio. Em seguida aparece Sergipe, com índice de 6,8.
O levantamento considera a diferença entre as taxas de homicídios registradas entre pessoas negras e não negras — grupo que inclui brancos, amarelos e indígenas — e evidencia como a violência atinge de forma desproporcional a população negra.
Segundo o Atlas, os dados refletem desigualdades históricas e sociais que seguem impactando diretamente a violência no país, como o racismo estrutural, a desigualdade socioeconômica e as condições de vulnerabilidade enfrentadas pela população negra.
MAIORIA DAS VÍTIMAS NO PAÍS É NEGRA
Os dados nacionais também mostram essa disparidade. Em 2024, o Brasil registrou mais de 31 mil homicídios de pessoas negras, o equivalente a 77% de todas as mortes violentas registradas no país naquele ano. Na prática, isso significa que, a cada dez pessoas assassinadas no Brasil, quase oito eram negras.
Entre pessoas não negras, foram registrados pouco mais de 9 mil homicídios no mesmo período. O estudo aponta ainda que pessoas negras têm uma taxa de homicídios 170,3% maior que a registrada entre não negros.
Na análise dos últimos dez anos, entre 2014 e 2024, o Brasil contabilizou mais de 435 mil assassinatos de pessoas negras, contra cerca de 132 mil entre pessoas não negras. Confira abaixo.

Apesar da redução geral dos homicídios no país nos últimos anos, a redução não ocorreu da mesma forma entre os grupos. Entre pessoas não negras, a queda foi de quase 39%. Já entre as pessoas negras, ficou em 21.7%.
O Atlas da Violência é elaborado anualmente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e reúne dados oficiais sobre homicídios e violência no país.
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