Alagoas

Em Maceió, pai ganha na Justiça direito a 'visitas virtuais' com a filha durante a pandemia

Gilson Monteiro | 22/05/20 - 17h25 - Atualizado em 23/05/20 - 10h58
Imagem: site aterapriadealice

Esta reportagem foi feita pelo aplicativo de mensagens WhatsAppp, o mesmo que o garçom de 23 anos utiliza para falar todos os dias com a filha de apenas 1 ano de idade, em três "visitas virtuais" por semana, concedidas pela Justiça de Alagoas.   

Enquanto aguarda um pequena batalha judicial para conquistar a guarda compartilhada, o jovem pai não suportou a distância ainda maior provocada pelo isolamento social  entre ele e sua primeira filha, e resolveu buscar na Justiça o direito de ver seu bebê pelo menos virtualmente. Ele mora em Maceió e a ex-companheira vive com a filha, no interior.

Cauteloso para que nada prejudique sua busca pela guarda compartilhada, ele aceitou falar com o TNH1 sem se identificar.  Pai de primeira viagem, ele conta que sempre vai às lágrimas quando acabam os preciosos minutos para falar com a filha.

"Ela tem só um ano, mas é muito esperta. Ela já chama papai, sorri, dá tchau. É muito bom. Na hora da chamada eu fico de boa, mas quando desligo eu acabo chorando", contou. 

"A gente já vem vendo na Justiça a questão da guarda compartilhada, mas aí veio a pandemia. Não é a mesma coisa de ver ela pessoalmente, claro, mas nesse momento é o que é possível, até porque seria perigoso um contato muito próximo. Mas assim que acabar tudo isso, que ficarmos todos bem, se Deus quiser, vamos nos ver pessoalmente e não mais pelo WhatsAppp", teoriza, cheio de expectativas, na conversa com o TNH1, que você ouve abaixo, na íntegra:

efensoria - Trabalhando no setor de bares e restaurantes, um dos mais afetados pelo isolamento social, portanto, sem trabalhar no momento, o jovem recorreu à Defensoria Pública para buscar o direito de ver a filha mesmo com a ajuda da tecnologia. A decisão permitiu o pai ter as "visitas virtuais" três vezes na semana, com duração de 20 minutos, mas na prática pai e mãe resolveram mudar a dinâmica. 

"Ela [a mãe] acha muito demorado, então combinamos de diminuir o tempo e vejo minha filha todos os dias. O importante é vê-la e ouvir ela, eu, meus pais, todos ficamos felizes e satisfeitos. É o que é possível no momento", contou ao TNH1.  O relato, que emociona, nesses tempos de isolamento, você confere ouve abaixo.

A determinação terá validade durante todo o período de pandemia da Covid-19 ou até que o processo de guarda esteja finalizado.

Segundo a Defensoria verificou no processo, os pais da menina, de um ano de idade, residiam em Maceió até a separação, ocorrida há alguns meses. Após o fim do relacionamento, a mãe da pequena decidiu se mudar para o interior do estado, levando a criança.

O pai continuou mantendo contato com a criança e desejou seguir participando da vida dela, contudo, devido à distância e a questões financeiras, passou a enfrentar dificuldades para visitas presenciais semanais. Com a pandemia, as dificuldades só aumentaram.

"As chamadas virtuais ajudam muito. Enquanto isso, como estou sem trabalhar, pois meu setor é um dos mais parados por conta da pandemia, estou fazendo cursos à distância, para estar mais preparado para quando tudo isso passar", diz um pai cofiante no futuro. "É difícil, mas não se pode brincar com saúde".

 Na ação, a defensora pública Letícia Silveira Seerig explicou que os meios virtuais manterão o convívio diante da dificuldade de contato presencial rotineiro entre as partes, como também, uma forma de complementar a visita presencial realizada periodicamente.

Na petição, a defensora pública informou que, após o período de pandemia, o pai pretende continuar passando, pelo menos, um final de semana por mês com a filha