Endividados enfrentam instabilidade no Desenrola, e governo ainda discute regras para liberar FGTS

Publicado em 07/05/2026, às 16h35
Imagem de arquivo - José Cruz / Agência Brasil
Imagem de arquivo - José Cruz / Agência Brasil

Por Gabriela Cecchin / Folhapress

Clientes enfrentam dificuldades ao tentar renegociar dívidas com bancos através do Desenrola Brasil, com relatos de instabilidade nos canais digitais e informações contraditórias dos atendentes, impactando a adesão ao programa desde seu lançamento.

As instituições financeiras ainda não disponibilizaram o uso do FGTS para quitação de débitos, e a maioria das opções de parcelamento permanece limitada, resultando em baixa procura pelos serviços oferecidos.

Os bancos estão aguardando regulamentações do Ministério da Fazenda para avançar com o programa, enquanto medidas como pré-cadastros e informações sobre o Desenrola estão sendo implementadas gradualmente nas agências.

Resumo gerado por IA

Clientes que tentam renegociar dívidas com bancos por meio do novo Desenrola Brasil reclamam de instabilidade em canais digitais, demora no atendimento e informações desencontradas de funcionários das instituições financeiras. A expectativa era a que o programa ganharia impulso nesta quinta-feira (7), em seu quarto dia de operação.

A reportagem visitou cinco agências da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander nas regiões leste e central da capital paulista. Funcionários de todas as instituições afirmaram que o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para quitar débitos ainda não está disponível.

Segundo o Ministério do Trabalho informou nesta quinta à reportagem, a operacionalização que irá permitir que os trabalhadores usem até 20% do FGTS para pagar dívidas ainda está sendo discutida, e não será necessária reunião do Conselho Curador do FGTS.

Atendentes também disseram que as opções de parcelamento seguem limitadas e que, na maioria dos casos, as dívidas precisam ser pagas à vista. Segundo os funcionários, a procura pelo Desenrola nas agências ainda é baixa.

O Desenrola foi lançado pelo governo federal na segunda (4), mas os principais bancos só anunciaram adesão ao programa ao longo da semana: Caixa e Nubank, na terça (5); Banco do Brasil, Bradesco e Itaú, na quarta (6); e Santander e Inter, na quinta (6). Parte das instituições começou apenas com pré-cadastros de clientes na largada inicial do programa.

O início do programa nos bancos demorou porque as instituições financeiras aguardavam liberações técnicas do Ministério da Fazenda e autorizações para liberação das garantias do FGO (Fundo de Garantia de Operações). Elas ainda esperam regulamentações sobre o parcelamento das dívidas, além do FGTS.

Consumidores também relatam que ainda não seria possível renegociar dívidas do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). Ao buscar a Caixa ou o Banco do Brasil, recebem dos atendentes a informação de que é preciso aguardar regulamentação por parte do Comitê Gestor do Fundo de Financiamento Estudantil.

CAIXA

Em uma agência da Caixa na zona leste de São Paulo (SP), uma funcionária afirmou que é possível quitar dívidas à vista, mas que o parcelamento e o FGTS só seriam incluídos em uma segunda fase do Desenrola, ainda sem prazo.

De acordo com a assessoria oficial, a Caixa está cadastrando clientes interessados em parcelar suas dívidas, mas no momento opera apenas com pagamento à vista, enquanto aguarda a habilitação das condições do FGO. O atendimento está disponível em seus canais oficiais.

BANCO DO BRASIL

Uma cliente do Banco do Brasil mostrou à reportagem uma mensagem de erro repetida que aparece quando ela entra em contato com o WhatsApp da instituição: "Tivemos um problema técnico e já estamos trabalhando para resolver. Por favor, tente novamente mais tarde". Ao tentar pelo aplicativo, conta que não recebeu resposta dos atendentes após duas horas.

A assessoria afirma que a renegociação está disponível nos canais digitais. O gerente de uma agência consultada disse que parcelamentos podem ser feitos pelo programa, mas que há pouca procura presencial. Na terça, o banco recebeu mais de 40 mil pré-cadastros, mas fechou apenas 1.807 acordos na quarta. Segundo a estatal, as operações somam cerca de R$ 3 milhões.

BRADESCO

No Bradesco, não é possível fechar acordos na própria agência, segundo a instituição. A reportagem visitou um estabelecimento e foi direcionada para ligar ou mandar mensagem no número do Renegocie Bradesco, programa próprio do banco. No telefone, a atendente afirmou que o FGTS não está disponível.

Um usuário comentou, no X (ex-Twitter), que o Desenrola não estava funcionando no Bradesco. A resposta do perfil oficial do banco foi a de que o programa "ficará disponível em breve", e que era preciso fazer o pré-cadastro pelo site renegocie.bradesco.com.br.

A instituição financeira diz que as negociações para o programa novo Desenrola estão disponíveis no portal, e que a rede de agências e os canais de atendimento estão sendo orientados a direcionar os clientes interessados para o acesso ao portal do banco.

ITAÚ

Funcionária do Itaú ouvida em uma das agências visitadas afirmou que tanto o parcelamento quanto o uso do FGTS poderiam ser disponibilizados de acordo com o perfil do cliente. A assessoria, porém, diz que o Fundo para quitar dívidas ainda aguarda regulamentação e não pode ser utilizado.

O Itaú informou que a renegociação aos clientes elegíveis pode ser realizada em todos os seus canais -aplicativo, WhatsApp (11) 4004-1144, site e parceiros credenciados de renegociação.

SANTANDER

O Santander anunciou na tarde desta quinta a adesão ao programa. Até quarta, o banco ainda estudava como seria realizada a oferta. Na visita feita pela reportagem durante a manhã, funcionários ainda não tinham informações sobre o Desenrola.

Segundo o banco, clientes podem obter mais informações pelo aplicativo, internet banking, telefones 4004-3535 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800-702-3535 (demais localidades), canais de autoatendimento Portal de Renegociação, WhatsApp (11) 94752-0222 e nas agências.

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