A proposta de gratuidade no transporte coletivo em Maceió pode injetar R$ 206,15 milhões na economia local, segundo um estudo da UnB e UFRJ, destacando seu potencial impacto econômico positivo.
O estudo, que analisou dados da Pesquisa Nacional de Mobilidade, sugere que a eliminação das tarifas permitiria que os usuários redirecionassem seus gastos para outros setores, beneficiando especialmente as populações mais vulneráveis.
Financiado pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero, o estudo propõe que a gratuidade no transporte seja considerada um direito social, semelhante ao SUS, e sugere um modelo de financiamento baseado em contribuições empresariais fixas para viabilizar a política.
A implementação de uma política de gratuidade no transporte coletivo pode representar uma injeção de R$ 206,15 milhões na economia de Maceió e da Região Metropolitana da capital. A conclusão é de um estudo nacional feito por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e que foi divulgado nessa terça-feira (5).
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De acordo com o levantamento, intitulado “A Tarifa Zero no Transporte Público como Política de Distribuição de Renda”, as pessoas que dependem do serviço deixariam de gastar dinheiro com o pagamento das passagens e poderiam usar o recurso de outras formas, como em supermercados, farmácias e serviços locais, impulsionando o círculo econômico.
Para chegar nessa conclusão, os pesquisadores cruzaram os dados da Pesquisa Nacional de Mobilidade, de 2024, e os indicadores das operadoras de transporte. O estudo já descontou 24,38% das gratuidades existentes para idosos, estudantes e pessoas com deficiências. No Brasil, essas isenções somam cerca de R$ 14,7 bilhões, que já circulam na economia.
Os pesquisadores afirmam que, no cenário atual, a tarifa zero pode ser tão importante para o Brasil quanto o Bolsa Família foi há 20 anos, funcionando como uma espécie de renda indireta. A medida deve beneficiar principalmente as pessoas mais vulneráveis, a população negra e moradores das periferias.
Segundo o estudo, a gratuidade no transporte coletivo pode ser considerada um direito social, assim como o Sistema Único de Saúde (SUS) e a educação pública. "A implementação da tarifa zero em escala nacional reforçaria o protagonismo do Brasil na vanguarda das experiências globais de redução de desigualdades e aprofundamento democrático”, destaca um trecho do levantamento.
O estudo foi financiado pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero no Congresso Nacional, com o apoio da Fundação Rosa Luxemburgo, e faz parte da pesquisa “Tarifa Zero e suas possibilidades de expansão no Brasil”. A pesquisa foi coordenada pelo professor Thiago Trindade, do Instituto de Ciência Política da UnB.
O levantamento completo pode ser acessado por meio deste link:
https://tarifazero.unb.br/wp-content/uploads/2026/05/TARIFA-ZERO-maio.pdf
Financiamento - No estudo anterior, "Caminhos para a Tarifa Zero", publicado em novembro do ano passado, os pesquisadores da UnB defenderam a substituição do vale-transporte por uma contribuição empresarial fixa, inspirada no modelo adotado na França, como forma de financiar a política sem criar um imposto novo e sem onerar o orçamento da União.
O estudo anterior estimou o custo da gratuidade nacional em ônibus urbanos nas cidades com mais de 50 mil habitantes em R$ 78 bilhões por ano, com um benefício potencial para 124 milhões de brasileiros.