Entenda a disputa entre Mbappé e senadora que publicou ataques racistas nas redes

Publicado em 07/07/2026, às 14h13
Reprodução
Reprodução

Por Terra

A disputa entre Kylian Mbappé e a senadora paraguaia Celeste Amarilla se intensificou após críticas do jogador sobre mensagens racistas publicadas por ela, levando a parlamentar a exigir um pedido de desculpas e ameaçar ações judiciais por violência política de gênero.

Amarilla, que se sentiu atacada por Mbappé ao ser chamada de 'mulher desprezível', argumenta que suas declarações são um desrespeito à sua posição como representante política e à condição de mulher, enquanto admite ter cometido um erro ao publicar comentários racistas após a eliminação do Paraguai na Copa do Mundo.

A ministra dos Esportes da França e a Federação Francesa de Futebol defenderam Mbappé, classificando as declarações de Amarilla como inaceitáveis e anunciando uma denúncia ao Ministério Público francês, enquanto a situação pode evoluir para uma disputa judicial entre as partes.

Resumo gerado por IA

A polêmica envolvendo Kylian Mbappé e a senadora paraguaia Celeste Amarilla ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (7). Depois de ser alvo de críticas do atacante francês por publicar mensagens racistas nas redes sociais, a parlamentar divulgou uma carta aberta na qual acusa o jogador de violência política de gênero, exige um pedido de desculpas e ameaça recorrer à Justiça caso ele não se retrate.

Na carta, Amarilla afirmou que Mbappé não tem o direito de chamá-la de "mulher desprezível" e "indigna" do cargo que ocupa. A senadora argumenta que foi eleita pelo voto popular e classificou a declaração do camisa 10 francês como um ataque à sua condição de mulher e representante política.

"Retrate-se comigo, honre a cidadania francesa e peça desculpas. Caso contrário, poderei iniciar medidas judiciais por violência de gênero", escreveu.

A parlamentar também explicou que sua indignação começou antes mesmo do confronto entre França e Paraguai pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Segundo ela, declarações de Mbappé antes da partida e algumas atitudes durante o jogo foram interpretadas como demonstrações de arrogância e desrespeito à seleção paraguaia.

Entre os episódios citados, Amarilla afirmou que o atacante desprezou o cumprimento do goleiro paraguaio após o apito final e utilizou expressões ofensivas durante a partida. Para ela, esses comportamentos atingiram não apenas os jogadores, mas todo o povo paraguaio.

Apesar de defender sua versão dos fatos, a senadora admitiu que errou ao publicar mensagens de teor racista logo após a eliminação do Paraguai. Ela afirmou que escreveu os comentários "com o sangue fervendo" e que apagou as postagens pouco tempo depois por reconhecer que respondeu "com os mesmos insultos" que costuma condenar.

Entenda o caso

A crise começou no último sábado, após a vitória da França por 1 a 0 sobre o Paraguai, resultado que garantiu a classificação francesa às quartas de final da Copa do Mundo. Inconformada com a derrota, Celeste Amarilla fez uma sequência de publicações nas redes sociais com ataques racistas contra Mbappé, fazendo referências à origem camaronesa da família do jogador e utilizando ofensas relacionadas à sua aparência.

A resposta do atacante veio pouco depois. Em publicação nas redes sociais, Mbappé classificou a senadora como uma "mulher desprezível" e afirmou que ela é indigna do cargo que ocupa. O capitão da seleção francesa ainda declarou que Amarilla não representa o povo paraguaio e disse que não permitirá que pessoas disseminem discursos de ódio e racismo impunemente.

Mensagem original do jogador na plataforma X (antigo Twitter)

Senhora Celeste Amarilla,
A senhora é uma mulher desprezível e indigna do cargo que ocupa.
A senhora não representa o Paraguai, um país que demonstrou paixão e honra durante toda a competição. Por causa da sua irresponsabilidade e do seu racismo escancarado, o mundo inteiro já esqueceu a trajetória e o esforço histórico que os jogadores paraguaios realizaram durante esta Copa do Mundo para dar lugar à imagem de uma parlamentar incompetente, que oferece ao mundo a pior imagem possível de seu país.
Nunca permitirei que pessoas como a senhora tenham a liberdade de propagar seu ódio e seu racismo pelo mundo.

As declarações da parlamentar provocaram forte reação na França. A ministra dos Esportes, Marina Ferrari, classificou os ataques como "abomináveis" e afirmou que o racismo contra Mbappé representa uma ofensa aos valores defendidos pelo país.

A Federação Francesa de Futebol também saiu em defesa do atacante. Em nota oficial, a entidade chamou as declarações de Amarilla de "repugnantes e inaceitáveis", anunciou que apresentou uma denúncia ao Ministério Público francês e reafirmou seu compromisso no combate ao racismo e a todas as formas de discriminação.

Com a nova carta aberta da senadora, a polêmica ganha mais um desdobramento e pode ultrapassar o campo esportivo, com a possibilidade de uma disputa judicial entre as partes.

Gostou? Compartilhe