Entenda como backup em celular revelou esquema bilionário de MC Ryan SP e artistas

Publicado em 16/04/2026, às 12h42
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Por CNN Brasil

A 'Operação Narco Fluxo' desarticulou um esquema de lavagem de dinheiro e resultou na prisão de influenciadores, incluindo os MCs Ryan SP e Poze do Rodo, a partir de informações obtidas do celular de Rodrigo Morgado, considerado o operador central da organização criminosa.

A investigação revelou que o grupo utilizava o setor de entretenimento para ocultar recursos provenientes de atividades ilícitas, como tráfico de drogas e apostas ilegais, dificultando a fiscalização por parte das autoridades.

As defesas dos acusados alegam inocência e afirmam que suas atividades eram legítimas, enquanto a Polícia Federal continua a mapear a rede criminosa e a coletar evidências para sustentar as acusações.

Resumo gerado por IA

A "Operação Narco Fluxo", que desarticulou um esquema bilionário e prendeu os MCs Ryan SP e Poze do Rodo, além do dono da página Choquei e outros influenciadores, nesta quarta-feira (15), começou a partir de um backup no celular de Rodrigo Morgado.

O homem é um contador apontado pela Polícia Federal como operador central da organização criminosa de lavagem de dinheiro. 

A CNN Brasil separou os principais detalhes das investigações e como o sistema de armazenamento Icloud foi determinante para a identificação de ligações entre os alvos. Entenda abaixo:

O papel do Icloud


A "Operação Narco Bet", em que Rodrigo Morgado e o influenciador "Buzeira" foram presos, em 2025, serviu como ponto de partida para as investigações da "Operação Narco Fluxo". O sistema de armazenamento Icloud do contador e peça-chave da operação do grupo foi essencial para os novos dedobramentos.

Com a análise dos dados, a Polícia Federal constatou a existência de uma organização criminosa "autônoma e dissociada" da última investigada Na atual, Morgado atuaria como responsável por articular transferências bancárias e gerenciar a "proteção patrimonial" dos envolvidos, principalmente de MC Ryan SP.

As informações coletadas da nuvem do celular quando cruzadas com relatórios de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) permitiram que toda a rede criminosa fosse mapeada, desde colaboradores até empresas de fachada.

Além disso, as mensagens mostraram atividades intensas até dezembro de 2025, o que comprovou que os atos ainda eram recentes e, para a PF, isso justificou a decretação das prisões.

Função dos artistas


Segundo a Polícia Federal, o grupo usou o setor de entretenimento e a indústria musical como uma maneira de ocultar recursos vindos do tráfico de drogas, apostas ilegais e rifas digitais.

Artistas e influenciadores atuavam a partir de um "escudo de conformidade", ou seja, a projeção pública e o alto engajamento nas redes serviam para naturalizar as movimentações. O esquema dificultava a fiscalização dos órgãos de controle.

Na investigação, MC Ryan SP é descrito como o elemento central da projeção e líder do esquema criminoso. De acordo com as investigações, ele usava a base de seguidores para dar aparência de legalidade ao patrimônio.

Além disso, Ryan teria mecanismos de blindagem patrimonial, com tranferência de empresas para familiares e uso de "laranjas para distanciar o capital ilícito de sua pessoa física.

O que dizem as defesas


A defesa de Ryan SP afirmou que "até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos."

Veja nota na íntegra:


"A defesa técnica de MC Ryan informa, de forma respeitosa, que até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos.

Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável.

A defesa confia plenamente que os esclarecimentos necessários serão prestados oportunamente, acreditando que, já no início da investigação, a verdade dos fatos será devidamente demonstrada."

Dono da Choquei


"A defesa de Raphael Sousa Oliveira esclarece que seu vínculo com os fatos investigados decorre, exclusivamente, da prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa, responsável pela comercialização de espaço de divulgação digital.

Os valores por ele recebidos referem-se a serviços efetivamente prestados de publicidade e marketing, atividade lícita e regularmente exercida há anos.

Raphael não integra organização criminosa, não participou de qualquer esquema ilícito e jamais exerceu função diversa da veiculação publicitária contratada.

A defesa está adotando as medidas cabíveis e demonstrará, no momento oportuno, que sua atuação sempre se deu dentro dos limites da legalidade."

Rodrigo Morgado durante Narco Bet


"A defesa de Rodrigo Morgado vem a público declarar sua total inocência diante das acusações que lhe foram atribuídas no âmbito da Operação NarcoBet e NarcoVela, conduzidas pela Policia Federal.

Rodrigo sempre atuou exclusivamente como contador, exercendo sua atividade profissional de forma técnica, ética, regular e dentro dos limites legais da profissão, prestando serviços contábeis a diversos clientes.

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