Nesse período, o organismo consegue realizar processos importantes de reparo e manutenção
Dormir exatamente 7 horas por noite não é apenas uma recomendação de bem-estar, mas o “número mágico” para evitar o envelhecimento precoce. Essa é a conclusão do estudo “Inverted U-shaped relationship between sleep duration and phenotypic age in US adults: a population-based study“, publicado na revista Scientific Reports, um dos principais periódicos científicos de acesso aberto do mundo.
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A pesquisa, realizada com mais de 13 mil adultos nos Estados Unidos, revelou que esse intervalo é o ponto de equilíbrio ideal para a regulação hormonal e a reparação celular. Ele foi identificado como a marca em que o corpo apresenta a menor idade fenotípica (a idade biológica real de órgãos e células), refletindo uma maior longevidade.
Quando a pessoa dorme cerca de 7 horas por noite, o organismo consegue realizar processos importantes de reparo e manutenção. “As 7 horas de repouso atuam diretamente na proteção dos telômeros; estruturas nas extremidades dos cromossomos que funcionam como marcadores de longevidade. Quando o sono é insuficiente, essas estruturas se encurtam mais rapidamente, sinalizando um envelhecimento celular acelerado”, explica Lais de Souza Braga, coordenadora do curso de Biomedicina do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR).
Além disso, durante o sono profundo, o cérebro ativa o sistema glinfático, um mecanismo de “limpeza” que remove resíduos metabólicos. Esse processo de desintoxicação, somado à produção de melatonina e do hormônio do crescimento (GH), garante a regeneração dos tecidos e a saúde cognitiva.
Segundo o estudo, indivíduos que dormem menos de 7 horas por noite apresentam maior incidência de hipertensão, diabetes mellitus e obesidade, além de riscos de comprometimento cognitivo e depressão. Os principais riscos incluem:
A privação de sono também age como um estressor crônico que desregula os hormônios da fome, impulsiona escolhas alimentares inflamatórias (como o consumo de ultraprocessados) e acelera o envelhecimento celular.

A pesquisa publicada na Scientific Reports evidenciou que a relação entre sono e envelhecimento segue uma curva em “U invertido”. Tanto a privação quanto o excesso são prejudiciais:
“O sono não é um período passivo de descanso, mas um processo ativo de reparo, regulação hormonal e consolidação da memória. Por isso, ter um repouso diário de 7 horas é fundamental, pois o sono não pode ser ‘recuperado’ em outros dias”, destaca Lais de Souza Braga.
Um dos pontos mais curiosos do estudo é a desconstrução da ideia de que sacrificar o sono para se exercitar é sempre saudável. Segundo a pesquisa, praticar exercícios físicos com menos de 7 horas de sono pode comprometer os benefícios da atividade física e contribuir para maior desgaste fisiológico ao longo do tempo, em vez de combatê-lo.
“O exercício físico depende de um organismo recuperado para gerar adaptações positivas. Quando o indivíduo dorme pouco, o corpo entra em um estado catabólico (destrutivo)”, explica Geovani Silva, coordenador do curso de Educação Física do Integrado.
Nesse cenário, o aumento do cortisol e a redução da testosterona fazem com que o treino seja um estressor adicional, elevando o risco de lesões e prejudicando a imunidade. “O problema não é treinar às 5h da manhã, mas sacrificar o sono para isso. A longevidade não depende apenas de treinar, mas de recuperar”, reforça o especialista.
Para alcançar o equilíbrio e garantir a longevidade, os especialistas sugerem adotar alguns cuidados diários com o sono:
Caso a insônia persista, a recomendação é sair da cama e realizar uma atividade relaxante sob luz baixa (como leitura em papel), retornando apenas quando o sono surgir.
Por João Alécio Mem
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