Maceió

"Era bom marido, bom filho e trabalhador", diz viúva de gari morto a facadas em ônibus

Eberth Lins com TV Pajuçara | 30/11/21 - 10h42 - Atualizado em 30/11/21 - 11h03
Renielson era casado há 16 anos e deixou duas filhas menores de 12 e 15 anos | Foto: Arquivo pessoal

Familiares de Renilson Freire de Souza, de 38 anos, que foi morto nessa segunda-feira (29)  por motivo banal dentro de um ônibus na Avenida Fernandes Lima, em Maceió, ainda tentam assimilar tudo que aconteceu. Morador do bairro Santa Lúcia, na parte alta da cidade, Renilson embarcou em um ônibus coletivo por volta das 5h da manhã, a caminho de mais um dia de trabalho como gari. A viagem, no entanto, acabou sendo a última, após ele ser esfaqueado ao questionar um passageiro que não fazia uso de máscara de proteção contra o coronavírus.

Renielson, a esposa e as duas filhas menores de 12 e 15 anos. Foto: Arquivo pessoal

Renielson era casado há 16 anos e deixou duas filhas menores, de 12 e 15 anos. Viúva do gari, Maria Betania de Souza conta que o marido era um homem caseiro e atencioso com a família. "Uma lembrança boa é que ele era caseiro. Bebia os negocinhos dele, mas cuidava de mim e das minhas filhas. Era bom marido, bom filho e trabalhador".

A viúva disse ainda que no último momento em que estiveram juntos o marido tinha prometido que ia deixar de fazer uso de bebida alcoólica. "Ele falou que ia deixar de beber e eu o abracei e dei glória à Deus. Ele disse: 'a partir de hoje não bebo mais'. Eu agradeci a Deus, dei um abraço nele e ele foi trabalhar. Eu sabia que era despedida. Ele nunca falou antes que ia deixar o álcool", lamentou a viúva.

Maria Cícera Fernandes é cunhada do Gari e o acompanhou até o embarque no ônibus. "De cinco horas da manhã saímos para pegar o ônibus. Eu, ele e mais uma vizinha e um vizinho. Vinha todo mundo 'resenhando', brincando por conta da vitória do Palmeiras [na final da Libertadores]", disse.

O gari foi atingido por três golpes de faca - um na axila e outros dois no tórax - , sendo um mais superficial e o segundo que provocou a morte. O assassinato foi registrado por câmeras de segurança e as imagens do suspeito foram amplamente divulgadas pela imprensa. O suspeito, que foi preso ainda na tarde de ontem (29), foi identificado como Filipe Cristiano da Silva e tem histórico de violência e possível transtorno mental.

Assista à reportagem com os familiares de Renielson, que foi ao ar na TV Pajuçara/RecordTV: