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'Estou em choque', diz motorista do ônibus de acidente com mortos e feridos em rodovia de São Paulo

Edson Santana Sabino levava 66 passageiros para passeio em Paraty, no litoral do Rio de Janeiro, quando ônibus capotou. Seis pessoas morreram, entre elas a filha dele de oito anos.

14/11/21 - 13h59 - Atualizado em 14/11/21 - 14h09
Corpo de Bombeiros

O motorista do coletivo envolvido no acidente com mortos e feridos na rodovia Oswaldo Cruz diz estar em estado de choque. Edson Santana Sabino, 44 anos, fazia uma viagem fretada para Paraty, no Rio de Janeiro, quando o coletivo capotou e seis pessoas morreram, entre elas sua filha de oito anos. “Eu estou em choque, sendo medicado para suportar. Não tenho condições de lembrar o que aconteceu ontem”, disse o motorista.

Edson trabalhava como motorista de coletivo e chegou a prestar serviços para uma empresa do transporte público na capital. Nas folgas, fretava veículos para passeios em grupo, como forma de fazer renda extra.

Neste sábado (13) ele trazia um grupo da zona sul de São Paulo, a maioria colegas e conhecidos com quem já havia trabalhado em outras empresas. No passeio, ele decidiu incluir a filha de oito anos, a menina Ana Júlia Sabino.

No acidente, seis pessoas morreram, entre elas a filha de Edson. O corpo da menina foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de Caraguatatuba e até a manhã deste domingo (14) já havia sido liberado. Ao g1, Edson disse que precisou ser medicado após saber sobre a morte da filha. A família não divulgou informações sobre velório e enterro.

Investigação

De acordo com a Artesp, o ônibus alugado por Edson estavam com a documentação e licenças em dia. O que a polícia investiga é se o acidente aconteceu durante uma tentativa de burlar a fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Para o transporte interestadual, modelo da viagem proposta pelo frete de Edson, seria preciso uma licença do órgão, que ele não tinha. A suspeita dos fiscais, é que ele tenha seguido por Ubatuba, de onde tentaria, de forma irregular, seguir para Paraty.

Edson disse à polícia no local do acidente que não sabia que não era permitido o trânsito com ônibus na Oswaldo Cruz e que foi orientado pelo GPS a seguir pela via. No trecho de serra foi flagrado por agentes do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) que pediram que ele não seguisse viagem. No retorno, perdeu o controle do veículo, que tombou.

A rodovia Oswaldo Cruz é restrita para o trânsito de coletivos e caminhões desde 2014, por causa do risco de acidentes. Há sinalizações na via que indicam que é proibido o trânsito no local.

Além disso, a dinâmica do acidente também é investigada pela polícia. No boletim de ocorrência consta que em depoimentos passageiros contaram que um veículo no sentido contrário teria feito uma ultrapassagem e invadido a pista em que o coletivo seguia. O motorista tentou desviar, mas o ônibus tombou e a lateral atingiu uma mureta de concreto.

Ao g1, um dos passageiros contou que percebeu as manobras e que Edson teria tentado salvar o grupo de um acidente, mas o coletivo desestabilizou e tombou.

O tacógrafo do coletivo foi apreendido pela polícia. Os agentes não divulgaram qual a velocidade do ônibus no momento do acidente, mas informaram que o item vai para a perícia. A Polícia Civil disse ainda que deve ouvir o motorista, mas que não colheu seu depoimento neste sábado (13) porque precisou ser sedado após saber da morte da filha.

Vítimas fatais

Ao todo, seis pessoas morreram no acidente. Porém, só Ana Júlia e Solange Santana Novaes, 47 anos, teriam sido identificadas. De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Civil, as demais vítimas estariam com ferimentos que impossibilitaram o reconhecimento e dependiam de exame de DNA.

O g1 apurou que parte das vítimas fatais teria ferimentos no rosto e amputação de membros. No boletim de ocorrência, a polícia ainda registrou que foram recolhidas no local duas pernas humanas, que os paramédicos no socorro não conseguiram precisar a quem pertenciam. Os corpos das vítimas estão no Instituto Médico Legal (IML) de Caraguatatuba.

Feridos

Dos 34 feridos que foram socorridos para a Santa Casa de Ubatuba, apenas uma permanece internada na cidade. A segunda paciente foi encaminhada para um hospital em São Paulo. As nove pessoas que levadas para o Hospital Regional de Taubaté seguem internadas. Três delas estão em estado grave.

A prefeitura de Ubatuba informou que liberou uma van para fazer o transporte dos pacientes que receberam alta e que ainda estão na cidade para que sejam encaminhados para São Paulo.

O que diz a empresa dona do ônibus

O coletivo foi fretado de forma partícula da empresa Viação Arca. De acordo com a empresa, Edson não era motorista contratado por eles ou mantinha vínculo com a Viação. Em nota, a empresa informou que acompanha as investigações e está dando suporte às famílias das vítimas e as vítimas que precisaram de atendimento médico.