Estudante de 17 anos cria IA que detecta autismo e TDAH pela imagem dos olhos

Publicado em 09/07/2026, às 14h28
Foto: Society for Science / Chris Ayers Photography
Foto: Society for Science / Chris Ayers Photography

Por Revista Crescer

Edward Kang, de 17 anos, desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial chamada RetinaMind, que detecta sinais de autismo e TDAH a partir de imagens da retina, conquistando o segundo lugar no Regeneron Science Talent Search 2026 e um prêmio de US$ 175 mil.

O projeto começou em 2023, inspirado por uma pesquisa anterior, e evoluiu ao longo de dois anos, levando Kang a questionar não apenas a eficácia do modelo, mas também suas implicações biológicas e práticas no tratamento do autismo.

Kang atuou como voluntário no Rutgers Center for Autism Research, onde observou tratamentos reais, o que o motivou a aprimorar sua ferramenta para diferenciar subtipos de pacientes, visando um diagnóstico mais preciso e útil para as famílias afetadas.

Resumo gerado por IA

Enquanto muitos adolescentes ainda estão descobrindo que caminho seguir, Edward Kang, de 17 anos, já desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial capaz de detectar sinais de autismo (TEA) e TDAH a partir de imagens da retina. O projeto, batizado de RetinaMind, rendeu ao jovem o segundo lugar e um prêmio de US$ 175 mil no Regeneron Science Talent Search 2026, descrita pela Society for Science como a mais antiga e prestigiada competição de ciência e matemática para estudantes do ensino médio nos Estados Unidos.

Estudante do Bergen County Academies, uma escola técnica em Nova Jersey, Kang entrará no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) no próximo semestre. Seu trabalho usa imagens da retina para treinar modelos de IA a reconhecer padrões sutis ligados ao TEA e ao TDAH, explorando também alterações genéticas por meio de modelos de células da retina.

De um artigo científico a um projeto de dois anos

Segundo informações do site Rutgers, a ideia nasceu em 2023, quando Kang se deparou com uma pesquisa pioneira que usava imagens da retina para diagnosticar autismo. "Comecei com o objetivo simples de tentar melhorar esse modelo existente para torná-lo mais preciso e poderoso, mas meu projeto cresceu para algo muito mais complexo", contou ele.

Quanto mais trabalhava, mais o adolescente se pegava fazendo perguntas que iam além do desempenho do modelo. Ele também passou a se questionar o que aquela tecnologia poderia estar capturando biologicamente e como torná-la útil na prática.

Foi um processo de dois anos que, segundo ele, gerou mais dúvidas do que respostas. "A verdade é que tenho muito mais perguntas agora do que quando comecei. Isso pode ser frustrante às vezes, mas acredito que o verdadeiro espírito científico vem de enfrentar essas questões de frente e amar cada etapa do processo."

Ver o autismo de perto mudou o rumo da pesquisa

O ponto de virada aconteceu quando Kang começou a atuar como voluntário no Rutgers Center for Autism Research, Education and Services (RUCARES), centro ligado ao Rutgers Brain Health Institute. Uma vez por semana, ele passou a observar de perto algo que antes só conhecia pelos artigos: como o autismo é tratado na vida real.

"Desde o outono passado, tive a oportunidade de ver na prática as abordagens de tratamento do autismo sobre as quais eu só havia lido", disse.

Foi essa vivência que deu novo rumo à sua pesquisa. Ao acompanhar como os tratamentos podem ser personalizados para cada paciente, Kang percebeu que uma boa ferramenta de diagnóstico não deveria apenas identificar a condição, mas também distinguir entre diferentes subtipos de pacientes, algo que poderia orientar o tratamento de forma mais precisa.

Para o psicólogo Craig W. Strohmeier, do programa de comportamento do RUCARES, voluntários do ensino médio como Kang ganham experiência real ao observar clínicos apresentarem dados, aprender a coletá-los e auxiliar em projetos de pesquisa aplicada.

O que mais o motiva não são os prêmios

Apesar do reconhecimento e da bagagem impressionante para a idade, Kang afirma que o que mais o move não são os troféus, mas as conversas com quem vive as condições que ele estuda. "Sempre fico mais grato quando posso discutir meu trabalho com famílias afetadas por TEA ou TDAH. A ideia de dar alguma contribuição para a vida delas é minha maior motivação", disse.

Ele reconhece que passa muitas horas debruçado sobre microscópios e planilhas, mas é ao apresentar o trabalho que encontra sentido no que faz. "Apresentar minha pesquisa me dá perspectiva sobre o que estou fazendo e por quê."

Para o jovem, que agora segue rumo ao MIT, o RUCARES foi o lugar onde a paixão pela neurociência foi, em suas palavras, alimentada e validada, provando que curiosidade e propósito, quando andam juntos, podem levar longe.

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