Estudo aponta que cocaína em rios faz salmões nadarem até 60% mais

Publicado em 23/04/2026, às 11h45
Imagem meramente ilustrativa - Foto: Reprodução/Freepik
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Por Um Só Planeta

Um estudo revela que a presença de cocaína e seus subprodutos em ambientes aquáticos altera o comportamento de salmões, que passam a explorar áreas maiores, o que pode impactar ecossistemas locais. A pesquisa foi realizada no Lago Vättern, na Suécia, e é a primeira a observar esses efeitos em um ambiente natural.

Os salmões expostos à benzoilecgonina, um metabólito da cocaína, nadaram até 1,9 vez mais do que os peixes não expostos, aumentando em 60% a distância percorrida. Após dois meses, os peixes expostos estavam, em média, a 32 quilômetros do ponto de liberação, em comparação aos 20 quilômetros do grupo controle.

Os pesquisadores alertam que a alteração nos padrões de deslocamento dos peixes pode afetar sua busca por alimento e aumentar a vulnerabilidade a predadores. As implicações ecológicas desse fenômeno ainda são incertas e requerem mais investigação.

Resumo gerado por IA

A presença de cocaína e de seus subprodutos em rios e lagos ao redor do mundo já é uma realidade documentada, no entanto, ainda há um “gap” sobre os efeitos na fauna.

Um estudo, publicado na revista científica Current Biology e divulgado pela Science Magazine, detalha o tamanho do problema. Uma das conclusões é que salmões, expostos a essas substâncias, passam a se deslocar por áreas mais amplas, alterando padrões de comportamento.


A pesquisa foi conduzida no Lago Vättern, na Suécia, e é a primeira a testar, em ambiente natural, como drogas ilícitas presentes na água afetam peixes. Os cientistas implantaram dispositivos em salmões do Atlântico, criados em cativeiros. Estes dispositivos são capazes de liberar cocaína e benzoilecgonina, principal metabólito da droga, em concentrações comparáveis às encontradas em ambientes contaminados.

Os resultados impressionaram. Em condições normais, salmões jovens tendem a explorar o ambiente logo após serem soltos e, com o tempo, reduzem seus deslocamentos à medida que se adaptam. No experimento, esse padrão foi parcialmente rompido. Peixes expostos às substâncias mantiveram um comportamento mais “explorador” ao longo das semanas.

Entre os três grupos monitorados (cocaína, metabólito e controle), o maior efeito foi observado nos indivíduos expostos à benzoilecgonina. Eles chegaram a nadar até 1,9 vez mais por semana em comparação aos peixes não expostos, o que representa um aumento de cerca 60% na distância percorrida em relação ao grupo controle.

Ao final de dois meses, o grupo controle havia se estabelecido a cerca de 20 quilômetros do ponto de liberação. Já os peixes expostos ao metabólito estavam, em média, a 32 quilômetros de distância.

De acordo com os autores, o resultado está alinhado a conclusões anteriores de laboratório que indicam maior persistência da benzoilecgonina nos organismos aquáticos.

O fato é que compostos associados ao consumo humano, entre eles medicamentos e drogas ilícitas, também entram no ciclo hídrico e podem alterar o funcionamento dos ecossistemas.

Os pesquisadores apontam que mudanças no padrão de deslocamento dos peixes impactam a busca por alimento e a exposição a predadores.


As implicações ecológicas ainda são incertas, porém.

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