Os tratamentos contra a obesidade estão se tornando cada vez mais tecnológicos e eficazes nos dias de hoje. Existe uma nova opção para quem busca a perda de peso, mas não quer se submeter a procedimentos mais invasivos, como a cirurgia bariátrica, e nem gastar muito, como o uso das canetas emagrecedoras.
LEIA TAMBÉM
A gastroplastia endoscópica é um procedimento rápido e que, a longo prazo, pode ser mais econômico que o uso de medicamentos e com menos efeitos colaterais que a cirurgia. O médico Eduardo Grecco, gastrocirurgião e endoscopista e professor de Medicina da Faculdade do ABC, defendeu que a escolha da sutura endoscópica pode ser uma alternativa para quem busca um emagrecimento mais saudável. Ele explicou que, por ser um procedimento simples, a recuperação é rápida.
Como é feito?
"A gastroplastia endoscópica é um tratamento para obesidade realizado totalmente por endoscopia. O paciente tem que ser internado em hospital, centro cirúrgico, com anestesia geral. É realizada uma sutura do estômago. O estômago é costurado com sistema único, com fios de prolene, e essa costura faz uma tubulização do órgão", declarou.
"O estômago, que tem um volume de cerca de 1.300 ml, passa a ter um volume de 300 ml. É um procedimento seguro e eficaz, e, com a redução do volume gástrico, o paciente passa a comer menos. É um procedimento restritivo e não metabólico. A partir daí, com uma equipe multidisciplinar, nutricionistas, psicólogos, esse paciente vai comer menos e, de maneira ideal, ele vai perder peso", continuou.
É melhor que a bariátrica?
Segundo Grecco, a escolha da sutura evita que o paciente perca nutrientes. "Na cirurgia bariátrica, você tem o corte do estômago. Em um caso, como o sleeve, ele é retirado; no outro, o estômago é reduzido para um tamanho pequeno, no caso do bypass. Na cirurgia bariátrica, você tem o caso de desabsorção; já a cirurgia de gastroplastia endoscópica é somente restritiva. A grande diferença é que o paciente bariátrico deixa de absorver gorduras e açúcar, mas ele também deixa de absorver vitaminas e ferro, por isso precisa repor essas vitaminas", informou.
Para quem é indicado?
Existem algumas indicações para quem faz a cirurgia bariátrica. "Nela, os pacientes precisam ter uma obesidade comprovada e mórbida, com pacientes com risco maior, porque a perda de peso varia de 30% a 40%", informou o médico.
Ele seguiu: "Quando a gente fala da gastroplastia endoscópica, estamos falando de um procedimento restritivo; a perda de peso gira em torno de 20% a 25%. Em ambos os casos, o paciente perde cerca de 10% logo nos primeiros meses dos procedimentos".
"O paciente entra em uma questão de dieta muito profunda, líquida e hipocalórica, de proteção do procedimento cirúrgico. Com o pico de 9 meses, ele atinge seu peso em cerca de 20% a 25%. No caso da bariátrica, o paciente continua perdendo peso por causa da perda metabólica causada pela cirurgia", explicou ele, evidenciando que a sutura não compartilha dessa perda metabólica.
Riscos das canetas emagrecedoras
Para Grecco, o uso das canetas emagrecedoras tem um efeito reverso quando o tratamento é interrompido, justamente por não ser irreversível como a cirurgia e a gastroplastia. Ele explicou que a obesidade é uma doença crônica e que deve ser tratada por anos.
"Quando você compara com as canetas, que são medicamentos análogos GLP-1 e de GIP, que vão incrementar a produção insulínica e levar o paciente à hipoglicemia. Em altas doses, ela tem uma ação importante, que é a perda de peso, que gira em torno de 10% a 15%. Você tem um tratamento que não pode ser pontual, e essa parada de tratamento tem um reganho de peso considerável", pontuou.
Mais econômico
O médico explicou que o procedimento de gastroplastia endoscópica tem um valor que, a longo prazo, é mais econômico que fazer uso de canetas emagrecedoras. "A cirurgia bariátrica tem uma cobertura de convênio, mas, se fizer particular, tem um custo de cerca de R$ 50 mil. A sutura endoscópica ainda não tem uma cobertura de convênio, e seu preço gira em torno de R$ 35 mil a R$ 40 mil", iniciou.
"As canetas também não possuem cobertura de convênio, mas, em um tratamento de dois anos, é necessário levar em conta que a dose de 15 mg custa em torno de R$ 4 mil (por mês), que no papel tem que atingir 24 meses. A conta é muito elevada, chegando a R$ 80 mil. É muito importante o paciente entender na consulta o custo-benefício", avaliou.
Quais são os efeitos colaterais?
Eduardo Grecco explicou que não existem riscos para quem realiza a sutura, diferentemente da cirurgia. "Os efeitos colaterais na cirurgia bariátrica são a longo prazo, como a desnutrição, perda de ferro e vitaminas, além do comportamento do paciente, que muitas vezes entra no alcoolismo. Quando a gente fala da sutura endoscópica, nós não temos efeitos colaterais. O paciente não deixa de comer tão drasticamente quanto na cirurgia. Não existem riscos, não existem doenças, existe só o risco do reganho do peso", informou.
Quais são as contraindicações?
Existem, porém, alguns pacientes que não podem realizar a sutura. "Só está contraindicado se o paciente tiver alguma lesão gástrica ou se tiver distúrbios de compulsão. Não dá para fazer uma sutura no estômago de um paciente que não entende que vai ter que fazer dieta e comer menos. É diferente de uma caneta que um compulsivo para de comer absurdamente", declarou.
"A avaliação psicológica e até psiquiátrica vai identificar o distúrbio e a compulsão alimentar. Aquele paciente que come a mais, come dobrado, tem muita vontade de comer, todo obeso passa por isso. Agora, tem pacientes que têm doença de compulsão alimentar, e essa é a contraindicação", concluiu.
+Lidas