Estudo indica que sinais amarelados nos olhos podem indicar risco de AVC e infarto

Publicado em 11/09/2026, às 15h08
Foto: Wikimedia Commons
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Por Revista Galileu

Pesquisas recentes associaram o xantelasma, uma condição caracterizada por placas amareladas nas pálpebras, a um aumento no risco de infarto e AVC, com dados coletados ao longo de dez anos de acompanhamento de 17.925 pessoas.

Os resultados mostraram que, mesmo em grupos com níveis normais de colesterol, aqueles com xantelasma apresentaram taxas mais altas de eventos cardiovasculares, sugerindo que a condição pode ser um marcador de problemas cardiovasculares subjacentes.

Os pesquisadores recomendam que a presença de xantelasma leve a uma avaliação cardiovascular mais detalhada, embora enfatizem que a condição em si não causa infarto ou AVC, mas pode indicar a necessidade de monitoramento de fatores de risco.

Resumo gerado por IA

Pequenas placas ou protuberâncias amareladas que surgem na área das pálpebras, especialmente próximas ao canto interno dos olhos, podem ser mais do que uma alteração estética. Um estudo publicado em maio na revista Atherosclerosis encontrou uma associação entre essas marcas, conhecidas como xantelasma, e uma maior incidência de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e ataque isquêmico transitório, o chamado “mini-AVC”, ao longo de até dez anos de acompanhamento.


Ao todo, a pesquisa analisou os registros de saúde de 17.925 pessoas com xantelasma e comparou os resultados com um grupo de mesmo tamanho, formado por pacientes com presbiopia (uma alteração relacionada à dificuldade de enxergar de perto e comum com o envelhecimento), mas sem xantelasma. Com isso, os pesquisadores concluíram que a condição esteve associada a um risco maior de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares tanto no curto quanto no longo prazo.

O resultado, porém, não significa, necessariamente, que as manchas nos olhos provoquem um infarto ou AVC. Na verdade, a hipótese é que elas possam funcionar como uma espécie de sinal visível de alterações que também afetam o sistema cardiovascular.

Relação com a aterosclerose

O xantelasma aparece como placas ou pequenas protuberâncias de coloração amarelada, geralmente na região próxima ao canto interno das pálpebras. É comum que elas surjam quando há acúmulo de colesterol e outras gorduras sob a pele.


A condição costuma ser considerada inofensiva e muitas pessoas procuram atendimento apenas por causa da aparência. Em parte dos casos, porém, ela está relacionada a níveis elevados de colesterol no sangue.

Acompanhamento ao longo de dez anos

Logo no primeiro ano de acompanhamento, os pesquisadores verificaram que 1% dos pacientes com xantelasma sofreram um infarto, ante 0,35% no grupo de comparação. Em relação ao AVC, os índices foram de 0,95% e 0,3%, respectivamente. Já os “mini-AVCs” atingiram 0,6% dos participantes com xantelasma, contra 0,19% daqueles sem a condição.

A diferença entre os grupos não ficou restrita ao primeiro ano. Depois de cinco anos, 2,26% das pessoas com xantelasma haviam sofrido infarto, contra 1,13% entre aquelas sem a condição. Para AVC, os índices foram de 2,25% e 1,03%, respectivamente.

De acordo com os pesquisadores, a associação permaneceu durante o período de acompanhamento, que chegou a dez anos. O trabalho concluiu que o xantelasma esteve relacionado a uma maior incidência de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares importantes no curto e no longo prazo.


Para os autores, uma possível explicação para os resultados está no tamanho das amostras e no método usado para tornar os dois grupos comparáveis em relação a fatores que podem influenciar a saúde vascular.


O achado chamou a atenção dos pesquisadores porque o colesterol também participa da formação das placas de gordura que se acumulam dentro das artérias, a chamada aterosclerose. Com o avanço dessa doença, as placas podem estreitar as artérias e dificultar a circulação do sangue.


Quando o fluxo sanguíneo para o coração é interrompido, pode ocorrer um infarto. No cérebro, a obstrução pode provocar um AVC. O problema é que a aterosclerose frequentemente se desenvolve de maneira silenciosa, sem sintomas nas fases iniciais.

Por isso, os pesquisadores investigaram se uma alteração visível, como o xantelasma, poderia funcionar como um marcador biológico que poderia ajudar os médicos a identificar pessoas que merecem uma avaliação cardiovascular mais detalhada.

Mancha não causa o infarto

Apesar da associação, o estudo não demonstra que o xantelasma provoque infarto ou AVC. As placas nas pálpebras podem ser um marcador de processos ou fatores de risco que também afetam o sistema cardiovascular, mas não há evidência de que a alteração na pele seja, por si só, responsável pelos eventos.


Os próprios pesquisadores ressaltam que estudos anteriores chegaram a conclusões diferentes sobre essa relação. Alguns encontraram associação entre xantelasma e doenças cardiovasculares, enquanto outros indicaram que a ligação pode perder força quando fatores de risco tradicionais são considerados.


Um outro dado relevante é que os eventos cardiovasculares ocorreram em pessoas com xantelasma independentemente de apresentarem ou não níveis anormais de gordura no sangue. Isso indica que o colesterol elevado pode não ser a única peça envolvida, destaca o Science Alert.

Dessa maneira, para os pesquisadores, a principal utilidade do estudo está na prevenção. Como o xantelasma é facilmente reconhecido durante um exame, sua presença pode levar à investigação de fatores que aumentam o risco cardiovascular e que eventualmente ainda não foram diagnosticados ou controlados.


Na prática, notar uma dessas placas não significa que um infarto esteja próximo. A recomendação é discutir o achado com um profissional de saúde, que poderá avaliar a necessidade de verificar colesterol, pressão arterial, diabetes e outros fatores relacionados ao risco cardiovascular.

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