As Forças Armadas dos EUA apreenderam um petroleiro ligado ao Irã em águas internacionais, intensificando as tensões enquanto as negociações de paz se aproximam do fim do cessar-fogo de duas semanas.
O petroleiro, que estava quase totalmente carregado e tinha Singapura como destino, foi abordado sem incidentes, mas a ação pode complicar as já incertas negociações de paz, com o Irã afirmando que o bloqueio é uma violação do cessar-fogo.
Enquanto as autoridades paquistanesas esperam que as delegações cheguem para as negociações, o Irã ainda não decidiu sua participação e condiciona sua presença ao reconhecimento de seu direito de enriquecer urânio, enquanto Trump pressiona por um acordo que impeça o desenvolvimento de armas nucleares.
As Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (21) a apreensão de um petroleiro ligado ao Irã em águas internacionais, em sua mais recente ação aparente para impor um bloqueio, com o tempo se esgotando para o cessar-fogo e a perspectiva de novas negociações de paz ainda incerta.
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Washington expressou confiança de que as negociações com o Irã prosseguirão no Paquistão, mas a mídia iraniana informou que não há delegação a caminho do país para negociações. No entanto, com as últimas horas de uma trégua de duas semanas se esgotando, resta pouco tempo para as negociações.
As Forças Armadas dos EUA disseram ter abordado o petroleiro Tifani "sem incidentes". O navio, com capacidade para transportar dois milhões de barris de petróleo bruto, reportou sua última posição na manhã desta terça-feira, próximo ao Sri Lanka, no Oceano Índico, segundo dados de rastreamento da MarineTraffic.
Ele estava quase totalmente carregado e havia sinalizado Singapura como seu destino.
"Como já deixamos claro, prosseguiremos com os esforços globais de fiscalização marítima para desmantelar redes ilícitas e interceptar embarcações sancionadas que fornecem apoio material ao Irã — onde quer que operem", afirmou o Comando Central dos EUA.
Em uma breve declaração nas redes sociais, Trump disse que o Irã havia cometido inúmeras violações do cessar-fogo, sem dar mais detalhes.
Não houve comentários imediatos do Irã sobre a abordagem, mas a medida pode complicar os esforços para organizar negociações de paz: o Irã afirmou que o bloqueio de seus portos equivale a uma violação do cessar-fogo por parte dos EUA e que não negociará enquanto o bloqueio estiver em vigor.
Negociações em risco
Fontes iranianas disseram à agência de notícias Reuters que Teerã ainda não tomou uma decisão definitiva sobre participar ou não de mais uma rodada de negociações de paz em Islamabad, com o objetivo de encerrar a guerra que os Estados Unidos e Israel iniciaram contra o Irã em 28 de fevereiro.
Autoridades paquistanesas disseram que, se as delegações comparecerem, chegarão somente na quarta-feira (22), restando apenas algumas horas para chegar a um acordo antes do término da trégua de duas semanas.
Trump ameaçou reiniciar a guerra e atacar a infraestrutura civil do Irã, a menos que o país aceite seus termos. Uma primeira sessão de negociações, realizada há 10 dias, não produziu nenhum acordo, e Teerã vinha descartando uma segunda rodada esta semana, após os EUA se recusarem a encerrar o bloqueio e apreenderem um navio cargueiro iraniano.
Ainda assim, uma fonte paquistanesa envolvida nas discussões disse à Reuters que havia um impulso para a retomada das negociações na quarta-feira, e o vice-presidente dos EUA, JD Vance, era esperado em Islamabad.
Um funcionário iraniano disse à Reuters na segunda-feira que Teerã estava "analisando positivamente" sua participação, mas ressaltou que aguardava para ver se suas condições seriam atendidas, incluindo o reconhecimento de seu direito de enriquecer urânio.
Um alto comandante militar iraniano disse que o Irã estava pronto para dar uma "resposta imediata e decisiva" a qualquer renovação das hostilidades, informou a agência de notícias semioficial Tasnim.
O principal negociador, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou Trump na noite de segunda-feira de aumentar a pressão por meio do bloqueio, afirmando que Trump estava iludido ao tentar "transformar a mesa de negociações em uma mesa de submissão" ou justificar a retomada de atos belicistas.
O exército iraniano afirmou que um petroleiro iraniano entrou em suas águas territoriais vindo do Mar Arábico na segunda-feira (20) com a ajuda da Marinha iraniana, apesar do que descreveu como repetidos avisos e ameaças da força-tarefa naval dos EUA.
O Irã bloqueou em grande parte o Estreito de Ormuz, que controla o acesso ao Golfo Pérsico a todos os navios, exceto os seus.
O país havia anunciado na semana passada que reabriria o estreito, mas reverteu a decisão no sábado (18), depois que Trump se recusou a suspender o bloqueio aos portos iranianos.
Isso deixou o estreito fechado e o mundo privado dos 20 milhões de barris de petróleo que normalmente o atravessavam diariamente.
Programa nuclear iraniano é questão crucial
Trump quer um acordo que impeça novos aumentos nos preços do petróleo e choques no mercado de ações, mas insiste que o Irã não possui os meios para desenvolver uma arma nuclear.
Ele quer que o Irã abra mão de seu estoque de urânio altamente enriquecido, que, se enriquecido ainda mais, pode ser usado para uma ogiva nuclear.
Teerã espera explorar seu controle do Estreito de Ormuz para fechar um acordo que evite a retomada da guerra e suspenda as sanções, mantendo ao mesmo tempo uma parte maior de seu programa nuclear, que, segundo o país, tem fins pacíficos.
Trump anunciou inicialmente que o cessar-fogo duraria duas semanas a partir da noite de 7 de abril em Washington, embora tenha sugerido recentemente que ele se estenderia até a noite de quarta-feira, 22 de abril, efetivamente mais 24 horas.
Uma fonte paquistanesa envolvida nas negociações também afirmou que o cessar-fogo expiraria às 20h, horário dos Estados Unidos, 21h no horário de Brasília, na quarta-feira, o que corresponde às 3h30 da manhã de quinta-feira no Irã.
Milhares de pessoas foram mortas pelos ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã, bem como pela campanha paralela de bombardeios e invasão israelense do Líbano.
A guerra causou um choque histórico no fornecimento global de energia e temores de que a economia global esteja em colapso.
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