Familiares tentaram socorrer piloto que morreu após banho de óleo no Paraná

Publicado em 19/07/2026, às 15h00
Imagem Familiares tentaram socorrer piloto que morreu após banho de óleo no Paraná

Por g1

Gustavo Henrique Lara, um jovem piloto, faleceu após ser coberto com óleo durante uma comemoração de seu primeiro voo solo em Ponta Grossa, Paraná, resultando em uma reação anafilática que levou a múltiplas paradas cardiorrespiratórias.

O óleo utilizado é destinado a motores de aeronaves e foi jogado por um instrutor da escola de aviação, que foi preso em flagrante por homicídio culposo, mas liberado após pagar fiança de R$ 3 mil.

A Polícia Civil investiga as circunstâncias do incidente, incluindo a composição do óleo e a quantidade utilizada, enquanto o Centro de Instrução de Aviação Civil expressou pesar e se comprometeu a colaborar com as autoridades nas investigações.

Resumo gerado por IA

Familiares e amigos tentaram socorrer Gustavo Henrique Lara, piloto que morreu após passar por um banho de óleo como comemoração ao seu primeiro voo solo. Eles tinham sido convidados pelo próprio rapaz a participar da cerimônia, que marca uma etapa de formação em escolas de aviação.

À polícia, um dos presentes relatou que, ao passar mal, primeiro Gustavo começou a ficar zonzo.

"Nisso que a gente viu que começou a ficar sério, colocamos ele no chão. Ele estava com muita dificuldade de respirar. Daí a gente foi pra cima, tentar fazer alguma coisa, começou a gritar pra chamar o Samu, pra chamar o apoio ali do pessoal do helicóptero também que tinha ali do lado", relatou uma testemunha, em depoimento.

No final da fala, a testemunha se refere à equipe aeromédica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que possui uma base no aeroporto de Ponta Grossa, cidade dos Campos Gerais do Paraná onde aconteceu o caso.

Gustavo foi atendido pelo Samu ainda no local e levado a um hospital. Segundo os socorristas, após ter o óleo jogado em seu corpo, ele sofreu uma reação anafilática — a forma mais grave e rápida de uma reação alérgica.

O piloto teve uma crise convulsiva seguida de três paradas cardiorrespiratórias; as duas primeiras foram revertidas, mas ele não resistiu à terceira.

O caso aconteceu na noite desta quinta-feira (16). O delegado Lucas Petry, responsável pela investigação, confirmou que a substância despejada em Gustavo é um óleo usado nos motores de aeronaves.

Ela foi jogada por um instrutor da escola, que não teve o nome divulgado. Segundo a Polícia Civil, ele se apresentou espontaneamente na delegacia e foi preso em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Ele foi ouvido e liberado após pagar fiança de R$ 3 mil.

Conforme a polícia, ele confirmou ter jogado a substância no jovem durante a comemoração e disse que o banho nos formados é feito do pescoço para baixo.

Em nota, o Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa manifestou pesar pelo falecimento do aluno e disse que, em respeito à memória dele, à sua família e ao "trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos, não fará comentários adicionais sobre o ocorrido até que as investigações sejam concluídas".

Como reconhecer uma reação alérgica

A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) explica que a anafilaxia deve ser suspeita ou considerada quando um ou mais dos sintomas abaixo surgirem rapidamente após exposição a um alérgeno:

  • Sintomas respiratórios: falta de ar, chiado no peito, aperto no peito, rouquidão, tosse persistente e sensação de “bolo na garganta”;
  • Sintomas na pele e mucosas: placas vermelhas que coçam, vermelhidão em todo corpo, mesmo sem placas, inchaço de lábios, olhos, rosto, língua ou garganta;
  • Sintomas cardiovasculares: tontura ou fraqueza, desmaio, pressão baixa, palpitações;
  • Sintomas gastrointestinais: dor abdominal intensa, náuseas, vômitos repetidos, diarreia, sensação de “bolo na garganta”.

A associação explica que, diante de uma suspeita de anafilaxia, devem ser seguidos três passos:

  • Aplicar adrenalina intramuscular imediatamente, se disponível, na parte externa da coxa, mesmo sobre a roupa;
  • Ligar para o SAMU (192) ou Bombeiros (193) mesmo após melhora inicial, pois os sintomas podem voltar;
  • Colocar a pessoa em posição adequada para evitar piora repentina: deitado de costas com pernas elevadas, nunca ficar em pé ou andar. Se houver muita falta de ar, sentar com tronco elevado. Se a pessoa perder a consciência, posicioná-la de lado. Gestantes devem ficar deitadas sobre o lado esquerdo.

Investigação

A Polícia Civil informou que "não foram identificados elementos que indiquem intenção de provocar a morte da vítima".

A investigação vai apurar as circunstâncias do caso, incluindo qual era a composição da substância utilizada, a quantidade usada, as regiões do corpo atingidas e se há relação entre o procedimento realizado e a morte.

Foram solicitados exames necroscópico, toxicológico e químico-pericial para confirmar a causa da morte.

A polícia também deve analisar imagens, documentos e ouvir testemunhas, participantes do ritual e familiares da vítima.

Despedida

Gustavo foi sepultado neste sábado (18) em Ipiranga, cidade vizinha à Ponta Grossa, onde os familiares dele moram atualmente.

Nas redes sociais, amigos e familiares prestaram homenagens a ele. Nas publicações, o descrevem como um jovem querido, com sonhos e planos pela frente.

"Hoje era para ser o dia mais feliz da vida dele, pois estava realizando o seu maior sonho. Menino lindo, com um coração gigante, vai deixar muita saudades", escreveram.

"Que tristeza imensa, Gustavo Henrique Lara. Você foi um grande primo e amigo. Nas horas que eu mais precisei vc ligava e me levava pra passear", escreveu uma prima.

O que diz a escola de aviação

Veja, abaixo, a íntegra da nota divulgada pelo Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa:

"O Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) de Ponta Grossa manifesta seu mais profundo pesar pelo falecimento do piloto Gustavo Henrique de Lara, ocorrido após a realização de seu voo solo.

Esclarecemos que o lamentável fato ocorreu fora da área do CIAC, logo após o encerramento da atividade de voo.

Neste momento de imensa tristeza, expressamos nossa solidariedade e nossos mais sinceros sentimentos aos familiares, amigos e a todos que conviviam com o Gustavo Lara, desejando força e serenidade para enfrentar esta irreparável perda.

O CIAC de Ponta Grossa permanece à inteira disposição das autoridades competentes para colaborar com todos os esclarecimentos que se fizerem necessários, bem como para prestar o apoio cabível aos familiares, dentro de suas possibilidades.

Em respeito à memória do aluno, à sua família e ao trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos, o CIAC não fará comentários adicionais sobre o ocorrido até que as investigações sejam concluídas."

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