Polícia

Filho estava com pai no momento do crime; polícia revela detalhes

Eberth Lins e Ana Carla Vieira | 03/02/21 - 13h03 - Atualizado em 03/02/21 - 13h49
Foto: Reprodução / Rede Social

No final da manhã desta quarta-feira (03), o delegado Valter Nascimento, diretor da Polícia Civil das regiões do Litoral e Zona da Mata, detalhou as circunstâncias da morte do empresário José Nilton da Silva, de 58 anos, no município de Joaquim Gomes. 

De acordo com o delegado, José Nilton foi morto no que seria uma simulação de assalto encomendada pelo filho adotivo, Leonardo Bonifácio da Silva. O jovem, que estava com o pai no momento do crime, tinha armado o esquema para impedir que o homem chegasse à casa do prefeito de Joaquim Gomes e descobrisse uma farsa montada há tempos para encobrir um desvio de dinheiro.

"O pai tinha depositado muita confiança e entregou para ele cartões com senhas. Ele (Leonardo), sem controle, fez uso do dinheiro e criou um rombo na conta bancária. Quando o pai descobriu, ele arranjou um meio de cobrir a dívida vendendo o carro que ganhou de presente do pai. José Nilton perguntava pelo veículo e o filho dizia que o carro estava locado à Prefeitura de Joaquim Gomes. Para fazer com que o pai não descobrisse a verdade, o filho armou a simulação de um assalto para impedir que ele chegasse até a casa do prefeito", detalhou o delegado.

Veja o vídeo completo com os detalhes informados pelo delegado:

De acordo com o que foi informado no relatório da A 2ª Companhia Independente da Polícia Militar de Alagoas, Leonardo estava com o pai no momento do crime. Ele tinha locado, na última sexta-feira (29), em Maceió, o carro usado pelos criminosos, um Onix Vermelho. Já na última segunda-feira (1º), Leonardo teria dado uma carona a uma mulher e duas crianças de Joaquim Gomes até a Aldeia Wassu Cocal. "Ao chegar próximo à ponte, na aldeia, chamou um rapaz e perguntou se ele conhecia alguém para fazer um assalto para ele. O indivíduo respondeu que sim e o levou ao encontro de um grupo. Ali, acertaram o assalto ao pai e Leandro pagou aos indivíduos a importância de R$ 3000,00 (três mil reais) no ato, e acertaram local e horário", diz o relatório. 

Segundo o que disse Leonardo aos policiais, os contratados fugiram do combinado do assalto e praticaram o homicídio porque o pai, no momento do crime, havia se abaixado para pegar uma muleta, e os indivíduos entenderam que era um arma e o executaram.

Depois do assassinato, a polícia foi acionada e chegou ao local. Foram feitas perguntas ao filho sobre a cor do veículo utilizado no crime e as características dos assassinos, e ele afirmava que era um Onix Preto, e não vermelho. 

O carro foi encontrado na Aldeia Wassu Cocal, em Joaquim Gomes, e, no quebra-sol, foi encontrada a Carteira de Habilitação do filho. No momento da prisão, Leonardo negou a participação no crime, alegando que a habilitação tinha sido roubada no momento do assalto.

Ainda segundo a PM, após a prisão, Leonardo tentou subornar o Comandante da 2ª cia e a guarnição, para ser inocentado. Ele ofereceu R$ 33.000,00 (trinta e três mil reais) que seu pai tinha para receber de um ônibus agregado a Prefeitura, mais R$ 10.000,00 ( dez mil reais) que seu pai tinha de transações de propriedade, e uma chácara localizada na Fazenda Frios, em União dos Palmares.

Além de Leonardo, outro homem identificado como José Angelo dos Santos foi preso. Um terceiro envolvido no crime segue foragido. José Nilton da Silva, mais conhecido como "Gordo", foi assassinado num trecho da BR-101, em Joaquim Gomes, durante o assalto planejado pelo próprio filho, um jovem de 22 anos.