"Flávio Dino tinha um objetivo: descobrir quem entre os seus adversários políticos no Maranhão fora o informante do jornalista Luís Pablo. Dino, dublê de juiz do tribunal constitucional e chefe de grupo político local, tem muitos adversários no Estado que governou até 2022, Estado – tornado imundo caso de polícia – sobre cuja vida político-eleitoral, direta ou indiretamente, o ministro toma providências judiciais. Providências aceleradas a partir de cisão – agora guerra – no grupo político que liderava. Barra pesada. O governador, que lhe foi vice, que lhe era aliado, eleito por ele, agora é inimigo – e em decorrência disso, a serviço de agenda partidária de togado, vai mobilizado o Supremo.
Dino, coautor daquele terror maranhense, tinha um objetivo. Confirmar quem entre os seus novos inimigos fora o informante de Luís Pablo, difundido como 'blogueiro' levador de grana de modo a lhe tentar diminuir os direitos fundamentais e relativizar o vício fundamental cravado a partir da blitz que lhe tomara celular e computador para abrir mar à pesca probatória de arrastão: o ilícito da inconstitucionalidade cometido por juiz da Corte constitucional.
Suponhamos, a propósito, que o jornalista fosse um pilantra – como quer fazer prosperar a distribuição das informações por Alexandre de Moraes, gestor de investigação sigilosa. Muda nada. Luís Pablo continuará sendo o jornalista cuja denúncia – jamais refutada ou apurada – foi criminalizada, transformada em perseguição, esquentada como ameaça, para que o troço, pervertida a reportagem em ataque ao STF, o sigilo de fonte tratado como 'escudo protetivo para a prática de atividades ilícitas', pudesse subir ao Supremo e ficar sob o controle da 'vítima', justificada, sob o argumento de se chegar a uma associação criminosa, a cassação de direito fundamental.
Dino tinha um objetivo e chamou o atalho Xandão. Tinha um objetivo e, a partir dele, criaram-se trama e caminho. Tinha um objetivo e se serviu dos inquéritos xandônicos para alcançá-lo. Estão aí para isso mesmo.
Está posta, da lavra de Moraes, a definição orgulhosa da natureza do Direito Xandônico: 'Não confundamos jornalistas investigativos com jornalistas investigados pelas práticas criminosas'. Aqui temos, antes mesmo da existência de processo penal, o ministro-relator já ofertando a condenação. Aqui temos um ministro do Supremo nos informando que a ele caberá – a depender do que seja investigado – decidir quando o 'jornalista investigativo' se torna 'jornalista investigado'.
É um recado, para repercussão geral. O ofício jornalístico a (poder) ser crime de perseguição. A circunstância importa. Ministro do Supremo não é – nunca será – investigado pela Polícia Federal sobre suas relações com Daniel Vorcaro. Ministro do Supremo tem suas relações com Vorcaro investigadas por jornalistas subsidiados por fontes. Moraes cassou o direito ao sigilo de fonte.”
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