A morte do atacante Jesús de Miguel, do Tenerife, após um choque com o goleiro Jesús Owono, do Andorra, durante uma partida da segunda divisão do Campeonato Espanhol, provocou comoção no futebol espanhol. O caso também levantou questionamentos sobre a possibilidade de responsabilização criminal em acidentes graves dentro de campo.
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A discussão ganhou espaço nos jornais locais nesta terça-feira (3), com especialistas em Direito Desportivo e Penal analisando até que ponto uma jogada considerada violenta pode ultrapassar os limites de uma infração esportiva e se transformar em crime.
O principal ponto da análise é o chamado risco permitido. Na avaliação dos juristas, os atletas estão sujeitos a choques físicos, disputas de bola e movimentos bruscos durante as partidas. Por isso, um erro de avaliação ou uma entrada que termine em lesão grave não significa, automaticamente, que houve crime.
A responsabilização criminal pode ser considerada em situações de agressão intencional ou violência sem relação com a disputa esportiva. Nesses casos, a conduta pode deixar de ser tratada apenas pelos órgãos disciplinares do futebol e chegar à Justiça.
O lance que terminou na morte de Jesús de Miguel aconteceu nos acréscimos. O atacante avançava para disputar uma bola longa quando Owono saiu da área para tentar afastá-la. Os jogadores se chocaram, e o atleta do Tenerife caiu imóvel no gramado.
A gravidade da situação mobilizou imediatamente os jogadores das duas equipes, que pediram atendimento médico. Os profissionais permaneceram vários minutos em campo tentando socorrer o atacante. Pela jogada, o goleiro do Andorra recebeu cartão vermelho direto.
A Polícia Nacional espanhola abriu uma investigação para esclarecer as circunstâncias da morte. Segundo o Tribunal Superior de Justiça das Ilhas Canárias (TSJC), mortes sem causa natural, mesmo quando aparentemente acidentais, exigem uma apuração judicial oficial.
A eventual responsabilidade de Owono dependerá das conclusões da investigação e da análise das circunstâncias do choque.
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