Comer sushi durante a gravidez tornou-se uma grande polêmica de saúde nos últimos tempos. Por muito tempo, não havia discussão: ele deveria ser evitado a qualquer custo, por trazer riscos ao bebê. Mas, conforme a comida japonesa foi ganhando popularidade (e variedade), muitos médicos passaram a flexibilizar essa orientação.
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Afinal, grávida pode comer sushi? Ou você continua precisando fugir por completo desse tipo de alimento ao longo da gestação?
Entenda os riscos e cuidados necessários.
Qual é o risco do sushi?
O problema em relação ao sushi é o mesmo de qualquer outra comida crua: a chance de contaminação por parasitas e micro-organismos diversos. Se em pessoas normais isso já é preocupante, na gravidez os riscos acabam indo muito além daqueles de uma infecção alimentar comum, expondo o bebê a perigos. Alguns peixes ainda podem apresentar contaminação por mercúrio.
Intoxicações provocam desidratação em função dos vômitos e diarreias. Em gestantes, um quadro infeccioso desse tipo também incrementa as chances de um parto prematuro, um aborto ou, dependendo do micróbio envolvido, alguma infecção que gere sequelas à criança.
Com tantos riscos, por que então o sushi começou a ser “liberado” por alguns obstetras? A resposta é bastante prosaica: porque não existe, a rigor, um risco inerente ao alimento cru em si. Em condições corretas de manejo ao longo de todo o processo (desde que o peixe é capturado na natureza até chegar ao seu prato), daria para comê-lo em segurança.
A questão, como deu para ver, é que é muito difícil ter certeza absoluta de que tudo correu bem em cada etapa. Por isso, a recomendação dos médicos costuma ser evitar por completo ou só consumir em lugares de extrema confiança.
Mesmo com todos os cuidados, porém, não existe forma 100% garantida de manter a segurança da comida crua. Por isso, muita gente continua preferindo abrir mão da iguaria por uns meses, ou reduzir os riscos só consumindo versões “hot”, por exemplo.
Todas as comidas cruas apresentam riscos
É importante deixar claro que, apesar da fama da comida japonesa como algo a ser evitado na gravidez, ela está longe de ser o único alimento que exige atenção nessa etapa. Qualquer alimento cru traz riscos semelhantes, o que vale para pratos com carne vermelha, como o steak tartare, saladas que não foram lavadas adequadamente e o leite não pasteurizado, entre outros itens.
Salmonella, listeriose, toxoplasmose e E. coli são alguns dos nomes familiares por causar encrencas associadas a esses produtos, que se potencializam na gravidez.
Como no caso do sushi, porém, a orientação é a mesma: dá para aumentar muito a segurança alimentar de boa parte desses produtos (como ocorre com a salada, bem lavada e higienizada em solução de hipoclorito de sódio), mas em todos os casos sempre vai existir uma chance, mesmo mínima, de algo dar errado – especialmente se você não tem controle total sobre a produção daquele alimento.
Por serem perigos evitáveis, a prudência continua recomendando evitar produtos crus sempre que possível, e só consumi-los após uma boa conversa com seu obstetra sobre as maneiras mais seguras de incorporá-los à realidade da gestação.
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