Brasil

Grupo protesta em supermercado após morte de jovem asfixiado por segurança; vídeo

Camilla Bibiano* | 19/02/19 - 12h27 - Atualizado em 19/02/19 - 12h27
Protesto em supermercado na Zona Leste de Teresina | Arquivo Pessoal/Marcelo Filho

Um grupo se reuniu em uma manifestação no supermercado Extra na zona Leste de Teresina (PI), nessa segunda-feira (18), em protesto após a morte do jovem Pedro Henrique Gonzaga, morto após uma ‘gravata’ de um segurança no Rio de Janeiro, na última quinta-feira (14). 

O vídeo postado nas redes sociais traz uma mulher encenando na porta do supermercado, jogando baldes de tinta vermelha que simboliza o sangue derramado. Em seguida, a mulher entra no estabelecimento, entoa gritos de luta e canta o trecho da música "A Carne" que diz “a carne mais barata do mercado é a carne negra”, com ajuda de outras pessoas presentes no local.

O ato simbólico foi criado e performado pela dançarina Luzia Amélia. A dançarina, que já realizou outras apresentações parecidas, sofreu com ataques racistas pela internet por conta dos protestos. 

"Estou emocionalmente cansada, destruída. Foi muito forte entrar naquele espaço porque é igual em todo o país e foi como estar lá, onde ele foi morto”, contou.

Outros movimentos sociais estiveram no protesto e espalharam cartazes com o rosto de Pedro Henrique e a frase “vidas negras importam”. Durante sua performance, Luzia colocou um dos cartazes dentro do freezer de carnes do supermercado. 

Foto: Arquivo Pessoal/Marcelo Filho

“É uma relação à frase ‘a carne mais barata do mercado é a carne negra’. Porque nossa carne não vale muito no Brasil. Nossos corpos são marcados pela violência, pela morte, por uma história de escravidão que as pessoas insistem em não considerar e não levar a sério”, explicou a dançarina.

O caso gerou comoção e protestos em diversos estados, como Rio, São Paulo, Ceará, Sergipe e Pernambuco. A maior parte dos atos aconteceram no domingo (17). Entre as ações que ocorreram, manifestantes levaram frases de “não consigo respirar”, além de simularem o golpe aplicado pelo segurança para imobilizar a vítima. 

A rede de supermercados comunicou que entende e se solidariza com o sentimento em torno da morte do jovem, que leva às manifestações. 

Confira a nota na íntegra:

Com relação ao episódio que levou à morte de Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga na tarde da última quinta-feira (14.02) no Hipermercado Extra Barra, a rede vem a público reiterar que não aceita qualquer ato de violência, excessos e repudia toda forma de racismo.

A rede Extra não vai se eximir das responsabilidades diante do ocorrido e temos total interesse em esclarecer a situação o mais rápido possível. Estamos colaborando com as autoridades fornecendo todas as informações disponíveis.

Os seguranças envolvidos na morte do jovem foram imediatamente e definitivamente afastados de nossas operações. A companhia instaurou uma sindicância interna e acompanha junto à empresa de segurança e aos órgãos competentes o andamento das investigações.

Acrescentamos que, independentemente do resultado da apuração dos fatos, nada justifica a perda de uma vida. A companhia se solidariza com os familiares de Pedro Henrique de Oliveira Gonzaga nesse momento de dor e de tristeza.

Sobre as manifestações, o Extra entende a dor e se solidariza com o sentimento em torno da morte do Pedro Henrique. Reiteramos que estamos contribuindo com as autoridades responsáveis para que o episódio se esclareça rapidamente e reforçamos que somos contra todo ato de violência, excessos e de racismo. Como empresa presente no país há 30 anos e que emprega mais de 20 mil pessoas, o Extra não se exime de suas responsabilidades e do compromisso de buscar a melhoria contínua.
 

*Estagiária sob supervisão da editoria