Homem é preso suspeito de matar jovem estudante e forjar suicídio

Publicado em 19/05/2026, às 14h09
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Por O Tempo

A morte da estudante Giovanna Neves Santana Rocha, inicialmente considerada um suicídio, foi reclassificada como homicídio após a prisão de seu namorado, suspeito de sufocá-la e tentar simular um autoextermínio. A reviravolta ocorreu três meses após o incidente, levantando questões sobre violência de gênero e manipulação psicológica.

A investigação revelou que Giovanna, de 22 anos, apresentava mudanças comportamentais significativas durante o relacionamento com o suspeito, um homem de 45 anos, que era casado e tinha filhos. A polícia também identificou um possível interesse patrimonial, já que a jovem possuía cerca de R$ 200 mil e um apartamento na Savassi.

O laudo de necropsia confirmou a causa da morte como sufocação, e o comportamento do suspeito após a morte levantou suspeitas adicionais. As investigações continuam, com a possibilidade de ouvir outras mulheres que relataram experiências semelhantes com o investigado.

Resumo gerado por IA

O que inicialmente parecia ser um suicídio dentro de um apartamento na Savassi, um dos bairros mais nobres da região Centro-Sul de Belo Horizonte, sofreu uma reviravolta. Três meses após a morte da estudante Giovanna Neves Santana Rocha, de 22 anos, a Polícia Civil prendeu, na última sexta-feira (15/5), o namorado da jovem, um homem de 45 anos, suspeito de matá-la por sufocação e tentar forjar a cena do crime para simular um autoextermínio.

Giovanna, que cursava psicologia e gestão da saúde, foi encontrada morta no dia 9 de fevereiro por uma amiga, que tinha um almoço marcado com a estudante. Conforme a investigação, a jovem deixou de responder mensagens, o que causou estranhamento. A amiga, que tinha a chave do imóvel, entrou no apartamento e acionou o Samu.

Inicialmente, a cena indicava um possível suicídio. Havia caixas de clonazepam vazias no imóvel e, segundo a delegada Ariadne Coelho, titular do Núcleo Especializado de Investigação de Feminicídios do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a vítima tinha histórico depressivo e relações conturbadas com familiares.

“O que foi muito importante foi a procura das amigas da vítima, que já suspeitaram desde o início. Elas afirmavam que o comportamento do namorado antes e após a morte era incompatível com um suicídio”, afirmou a delegada.

Durante as investigações, a Polícia Civil identificou que o suspeito, que trabalha na área de tecnologia da informação, mantinha um relacionamento com Giovanna desde outubro de 2025. Segundo a investigação, pouco tempo após o início da relação, ele passou a morar no apartamento da estudante, mesmo sem convite formal.

A polícia aponta que a jovem mudou o comportamento ao longo do relacionamento. Conforme depoimentos de amigas e familiares, Giovanna passou a se afastar socialmente, mudou a forma de se vestir e demonstrava maior fragilidade emocional e dependência psicológica do investigado.

Ainda segundo a investigação, o homem era casado e tem quatro filhos. A polícia afirma que ele chegou a levar, em algumas ocasiões, os filhos para o apartamento da estudante, mesmo contra a vontade dela.

O laudo de necropsia foi decisivo para a mudança no rumo das investigações. Conforme a PCMG, o exame apontou que Giovanna morreu por sufocação direta, com obstrução externa das vias respiratórias, possivelmente por meio das mãos ou de um travesseiro.

Além do resultado pericial, a polícia considerou suspeito o comportamento do investigado após a morte da estudante. De acordo com a delegada, dois dias após o óbito, ele ingressou com pedido de reconhecimento de união estável pós-morte e enviou mensagens para amigas da vítima solicitando ajuda para comprovar a relação.

Interesse patrimonial

A investigação também aponta possível interesse patrimonial. Giovanna teria cerca de R$ 200 mil provenientes da venda de um imóvel, além de morar em um apartamento na Savassi. Segundo a polícia, após a morte da jovem, o suspeito passou a permanecer no imóvel e impedia a entrada de familiares.

“Em nenhum momento ele demonstrou pesar pela morte da vítima. A preocupação dele era sempre relacionada ao apartamento e à questão patrimonial”, afirmou a delegada Ariadne Coelho. Ele optou por permanecer em silêncio durante depoimento após ser preso. 

Segundo a Polícia Civil, as investigações continuam e outras mulheres podem ser ouvidas. Conforme a delegada, há relatos de pelo menos outras duas mulheres que teriam vivenciado comportamento semelhante de manipulação psicológica e controle por parte do investigado.

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