Homem perseguido por Zambelli relata desemprego, dívidas e abalo psicológico

Publicado em 05/06/2026, às 14h31
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Por O Tempo

O jornalista Luan Araújo, perseguido pela ex-deputada Carla Zambelli com uma arma em 2022, enfrenta sérias consequências psicológicas e financeiras, incluindo uma ordem de prisão por não pagar uma indenização à parlamentar.

Desde o incidente, Luan perdeu oportunidades de trabalho e estabilidade emocional, além de ter sua situação financeira agravada pela negativa de pedidos de parcelamento da dívida pela Justiça.

Atualmente, ele busca um habeas corpus para contestar a decisão judicial e planeja processar Zambelli por danos morais, enquanto reflete sobre a disparidade entre sua situação e a liberdade da ex-deputada após condenações no STF.

Resumo gerado por IA

O jornalista Luan Araújo, perseguido com uma arma pela então deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) na véspera do segundo turno das eleições de 2022, afirma enfrentar até hoje consequências psicológicas, financeiras e profissionais após o episódio que ganhou repercussão nacional. 

Além do desemprego e da falta de dinheiro, ele também passou a enfrentar esta semana uma ordem de prisão da Justiça de São Paulo por não conseguir pagar uma indenização de R$ 2.216,30 à ex-parlamentar.

Luan afirma que sua vida mudou completamente desde a perseguição ocorrida nas ruas dos Jardins, em São Paulo.

“O que eu tenho? Problemas psicológicos, desemprego, falta de oportunidades, uma condenação na Justiça por um texto que escrevi e que eu considero injusta”, declarou, em entrevista à Agência Pública, portal de jornalismo investigativo e independente.

A prisão em regime aberto foi determinada pela Justiça paulista após o jornalista deixar de pagar uma indenização fixada em ação movida por Zambelli. O processo foi aberto depois de Luan publicar um texto em que dizia que a ex-deputada “faz parte de uma extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte”.

Desempregado, ele tentou parcelar a dívida e apresentou pedido para comprovar incapacidade financeira, mas os requerimentos foram negados pelo juiz responsável pelo caso. A defesa entrou com habeas corpus e sustenta que a situação econômica do jornalista não foi considerada adequadamente pela Justiça.

“Apesar da condenação dela no STF, ela não precisará cumprir pena lá na Europa, está solta. Enquanto isso, tô tendo que fazer uma vaquinha para conseguir entrar com um processo por danos morais contra ela”, disse Luan à Pública.

O jornalista afirma que, desde o episódio de 2022, perdeu oportunidades de trabalho, relacionamentos e estabilidade emocional. Em outro trecho da entrevista, ele relata sentimento de desesperança diante da comparação entre sua situação e a de Zambelli, que deixou o Brasil após condenações no Supremo Tribunal Federal (STF) e conseguiu liberdade na Itália.

Relembre o caso

A perseguição ocorreu em 29 de outubro de 2022. Luan caminhava pela região dos Jardins usando um boné do MST quando se envolveu em uma discussão política com Carla Zambelli.

A então deputada passou a persegui-lo com uma arma em punho pelas ruas do bairro. Durante a ação, o policial militar Valdecir Silva de Lima Dias, segurança da parlamentar, efetuou disparos.

As imagens do episódio tiveram ampla repercussão nacional e foram exploradas durante os últimos dias da campanha presidencial daquele ano. Posteriormente, o ex-presidente Jair Bolsonaro chegou a atribuir ao caso parte do desgaste eleitoral sofrido na reta final da campanha eleitoral, que o levou à derrota pelo atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em agosto de 2025, o STF condenou Zambelli a cinco anos e três meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma.

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