Alagoas

Imagens de hospital de campanha vazio circulam pela internet; Sesau explica funcionamento da unidade

Redação TNH1 | 03/06/20 - 19h43 - Atualizado em 03/06/20 - 19h47
Agência Alagoas

Está circulando pela internet um áudio junto a imagens do Hospital de Campanha Dr. Celso Tavares, instalado no Centro de Convenções, no bairro do Jaraguá, em Maceió. Segundo o autor da gravação o hospital está vazio e desequipado. Nos vídeos compartilhados junto ao áudio não é informada a data que foram feitas as imagens.

Como o conteúdo chegou à Redação do TNH1 enviado por internautas, que questionaram a veracidade do fato, procuramos a Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau).

Segundo a Sesau, em 10 dias de funcionamento, o hospital atendeu 40 pacientes com a Covid-19, e 15 deles já receberam alta médica. A secretaria disse ainda que no local funcionam  150 leitos clínicos, em um serviço intermediário entre os prestados por uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e um hospital convencional, e que atende  apenas pacientes encaminhados pela Central Estadual de Regulação.

Isso significa dizer que, diferente das Centrais de Triagem localizadas no Ginásio do Sesi e no Shopping Pátio Maceió, que recebem demanda espontânea, o Hospital de Campanha Dr. Celso Tavares admite, exclusivamente, pacientes encaminhados pelas UPAs.  E  os paciente atendidos no local não podem ser menores de 18 anos, portadores de cardiopatias descompensadas, renais crônicos com prescrição de hemodiálise, oncológicos em estado crítico, com indicação para estarem em um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e, no caso das mulheres, é vedada a internação para gestantes ou puérperas (período que compreende os 45 dias após o parto).

A secretaria explicou ainda, que diante desses critérios e com base no quadro clínico do paciente que está na UPA, os médicos da Central Estadual de Regulação irão decidir se ele precisa ir para um hospital convencional ou se necessita de uma assistência intermediária, como a ofertada pelo Hospital de Campanha Dr. Celso Tavares. “Nenhum paciente pode vir de forma espontânea, sem que passe por uma das UPAs e haja a indicação clínica e o encaminhamento. Temos o perfil de prestarmos uma assistência médica intermediária e, caso haja uma piora no quadro clínico do paciente, fazemos a regulação e o encaminhamos para um leito hospitalar, que pode ser no Hospital da Mulher ou Metropolitano, como já fizemos com 5 dos 40 pacientes que já atendemos”, explicou a diretora-geral, Marcelle Perdigão.

Respiradores

Quando um paciente tem uma piora em seu quadro clínico, o Hospital de Campanha Dr. Celso Tavares conta com quatro Salas de Estabilização, que dispõem de respiradores, segundo explica a diretora-geral. Caso haja necessidade, o usuário é encaminhado imediatamente para este local reservado, onde é entubado e transferido para um dos hospitais que compõem a rede do Sistema Único de Saúde (SUS), onde receberá assistência de alta complexidade e ficará em um leito de UTI, destinado a pacientes com complicações decorrentes da Covid-19.

“Graças a esse fluxo preestabelecido, estamos conseguindo atender a todos os usuários de forma satisfatória e não registramos nenhum óbito neste período, porque temos assegurado a assistência necessária, conforme é especificada para uma unidade de porte intermediário e de baixa e média complexidade, como é o Hospital de Campanha Dr. Celso Tavares. Como prova da eficiência do nosso trabalho, 15 pacientes já estão no conforto de suas casas, sob os cuidados de seus familiares”, destacou a diretora-geral, Marcelle Perdigão.

Recuperação

Entre os pacientes que já passaram pelo Hospital de Campanha Dr. Celso Tavares e já receberam alta médica está a aposentada Rosa Felícia da Silva, de 81 anos. Após sete dias internada sob os cuidados da equipe multidisciplinar da unidade, ela não escondeu a gratidão por toda a assistência recebida durante a semana em que travou uma batalha contra o novo coronavírus.

“Agradeço a essas irmãs [enfermeiras], porque cheguei aqui morta. Mas cuidaram de mim com carinho e amor. Tenho que agradecer muito a Deus e a elas. Renovei a minha vida”, resumiu Dona Rosa, ao deixar o prédio do primeiro hospital de campanha de Alagoas destinado a tratar pacientes com a Covid-19, que recebeu o nome do infectologista Celso Tavares, doutor em Ciências e servidor de carreira da Sesau por 37 anos, falecido após sofrer infarto no dia 9 de fevereiro deste ano.