A Polícia Federal realizou uma operação na sede do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) para investigar possíveis irregularidades em aplicações de R$ 97 milhões em Letras Financeiras do Banco Master, que está sob intervenção do Banco Central.
A consultoria Crédito e Mercado, que assessorava o Iprev, nega qualquer responsabilidade nas operações e afirma que a documentação foi mal interpretada, defendendo sua reputação e prometendo se defender legalmente.
O ministro André Mendonça autorizou o sequestro de bens dos investigados, mas negou o afastamento deles de funções públicas, considerando que não há elementos suficientes que justifiquem tal medida neste momento da investigação.
Um dia após a operação da Polícia Federal na sede do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev), a consultoria de investimentos Crédito & Mercado emitiu, nesta terça-feira, 11, nota sobre a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura possíveis irregularidades em duas aplicações de recursos previdenciários do município em Letras Financeiras subordinadas emitidas pelo Banco Master, que, juntas, somam R$ 97 milhões.
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Segundo a PF, a consultoria atendia o fundo de previdência dos servidores de Maceió e teria atuado de forma articulada para favorecer a compra. A Crédito & Mercado afirmou que há interpretação errada e falsa dos documentos. Leia a nota na íntegra:
"A Crédito & Mercado informa que teve conhecimento da decisão do ministro André Mendonça, com base na suposta investigação da polícia federal por meio da imprensa e entende que houve uma análise equivocada da documentação relacionada ao caso. O documento confunde APR (autorização de aplicação e resgate), que são documentos padronizados e administrativos que formalizam a operação. Os APRs não constituem de forma alguma pareceres técnicos, não representam recomendação de investimento e não refletem qualquer manifestação da Crédito & Mercado sobre aplicações financeiras. Esse modelo é disponibilizado pela secretaria, e é um documento simples que o RPPS emite e foi criado justamente para evitar fraudes financeiras.
No caso do investimento no Banco Master, a Crédito & Mercado jamais foi procurada pelo IPREV Maceió para realizar análise técnica, não emitiu parecer e não recomendou a operação. Ainda assim, não se sabe o motivo, mas a decisão atribui à empresa um papel que ela nunca exerceu, associando-a a uma decisão da qual não participou e sobre a qual jamais foi consultada e não possui nenhuma responsabilidade nisso. Trata-se de uma interpretação errada e falsa dos documentos, que produz uma narrativa incompatível com os fatos e causa grave prejuízo à reputação da empresa. A companhia se defenderá para demonstrar que não houve nenhuma participação das letras do Banco Master tanto a título consultivo e muito menos decisório. E assim que tiver acesso aos autos, a Crédito & Mercado apresentará todos os esclarecimentos
necessários".
A operação no Iprev
Equipes da Polícia Federal e da Controladoria Geral da União (CGU) foram ao prédio do Iprev nessa segunda-feira, 10, em cumprimento judicial que apura o destino de cerca de R$ 97 milhões do fundo previdenciário municipal de Maceió aplicados no Banco Master, instituição que sofreu intervenção e liquidação pelo Banco Central e cujo presidente, Daniel Vorcaro, foi preso. A PF informou que cumpriu oito mandados de busca e apreensão na sede do instituto.
Quem são os alvos da investigação em Maceió?
O documento, ao qual o TNH1 teve acesso, foi assinado pelo ministro André Mendonça. Os alvos são:
A decisão também autorizou buscas nas sedes do Iprev, em Maceió, e da consultoria Crédito & Mercado.
Além das buscas, André Mendonça determinou o sequestro, arresto, bloqueio e indisponibilidade de bens, direitos e valores dos seis investigados, observado o limite global de R$ 97 milhões.
A medida pode alcançar ativos financeiros, imóveis, veículos, participações societárias, aeronaves, embarcações e criptoativos. Segundo o ministro, a finalidade é preservar patrimônio diante de eventual necessidade futura de ressarcimento.
O STF, porém, negou o pedido de afastamento dos investigados de funções públicas ou atividades profissionais. Mendonça acompanhou o entendimento da Procuradoria-Geral da República de que, nesta fase, não foram apresentados elementos concretos suficientes para demonstrar que a permanência deles nas funções representaria risco atual à investigação.
O que disse o Iprev
No dia da operação, a Prefeitura de Maceió informou que colabora com a investigação e presta todos os esclarecimentos às autoridades competentes. O Iprev Maceió reforçou que os investimentos foram feitos de forma legal e que o patrimônio cresceu aproximadamente quatro vezes mais. Leia na íntegra abaixo:
"O Maceió Previdência informa que vem colaborando, desde o início, com as investigações, prestando todos os esclarecimentos e fornecendo as informações solicitadas pelas autoridades competentes. O Instituto reforça que os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis e destaca que seu patrimônio cresceu de aproximadamente R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, garantindo a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas".
Operação Compliance Zero
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, estima que as fraudes do Banco Master contra o sistema financeiro investigadas na Operação Compliance Zero podem ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. Daniel Vorcaro está preso desde o dia 04 de março de 2026.
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