Irã confirma presença na Copa, mas impõe condições em meio à tensão

Federação iraniana cobra garantias de segurança, emissão de vistos e respeito à delegação

Publicado em 09/05/2026, às 16h04
Reprodução/Redes sociais
Reprodução/Redes sociais

Por CNN Brasil

A Seleção do Irã confirmou sua participação na Copa do Mundo de 2026, condicionando-a a garantias de segurança e respeito a símbolos nacionais por parte dos anfitriões, Estados Unidos, México e Canadá, em meio a crescentes tensões no Oriente Médio.

A federação iraniana apresentou uma lista de dez exigências, incluindo garantias de emissão de vistos e proteção à delegação, especialmente para atletas com ligações ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, que enfrentam restrições migratórias.

O secretário de Estado dos EUA afirmou que os jogadores serão bem-vindos, mas membros do CGRI poderão ser barrados, enquanto a FIFA confirmou que não haverá mudanças no calendário e que o Irã manterá sua base em Tucson, Arizona, durante o torneio.

Resumo gerado por IA

A participação da Seleção do Irã na Copa do Mundo de 2026 ganhou novos contornos políticos neste sábado (9).

A Federação Iraniana de Futebol confirmou que o país estará no torneio, mas condicionou sua presença ao cumprimento de uma série de garantias por parte dos três anfitriões da competição: Estados Unidos, México e Canadá.

A posição iraniana surge em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio e após um episódio diplomático envolvendo o presidente da federação, Mehdi Taj.

No mês passado, ele foi impedido de entrar no Canadá para participar do Congresso da Fifa, devido às acusações de ligação com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI), grupo considerado terrorista pelas autoridades canadenses desde 2024.

Desde o início do conflito, em fevereiro, havia incertezas sobre a presença iraniana no Mundial, especialmente após os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel. Apesar disso, dirigentes do futebol do país garantem que a equipe disputará a competição.

Segundo declarações feitas à imprensa estatal, Teerã apresentou uma lista com dez exigências relacionadas à participação da delegação no torneio. Entre os pedidos estão garantias para emissão de vistos, proteção à delegação e respeito aos símbolos nacionais iranianos, como bandeira e hino.

A federação também solicitou reforço na segurança em aeroportos, hotéis e deslocamentos oficiais durante a Copa do Mundo.

Outro ponto destacado envolve atletas e integrantes da comissão técnica que já serviram ao CGRI, caso dos jogadores Mehdi Taremi e Ehsan Hajsafi. O governo iraniano quer assegurar que esses profissionais não enfrentem restrições migratórias.

Em comunicado oficial, a entidade afirmou que o país participará do Mundial "sem abrir mão de seus valores culturais e políticos" e reforçou que espera tratamento adequado por parte das nações organizadoras.

Nos Estados Unidos, o secretário de Estado Marco Rubio declarou que os jogadores da seleção iraniana serão recebidos normalmente, mas destacou que integrantes ligados ao CGRI ainda poderão ser barrados pelas autoridades americanas.

Já o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que não há mudanças previstas no calendário da competição e confirmou que as partidas do Irã continuarão sendo realizadas em solo norte-americano.

A Seleção Iraniana pretende instalar sua base em Tucson, no estado do Arizona, durante a disputa do Mundial.

A estreia será diante da Nova Zelândia, em Los Angeles, no dia 15 de junho. Depois, o time enfrenta a Bélgica, novamente em Los Angeles, no dia 21, e encerra a fase de grupos contra o Egito, em Seattle, em 27 de junho.

Em nova manifestação pública, a Federação do Irã declarou que "nenhum país ou potência estrangeira" pode impedir a participação do Irã em uma Copa do Mundo conquistada “dentro de campo”.

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