A professora Liana Warmling investiu mais de R$ 50 mil em cultura coreana, principalmente em viagens para assistir a shows do BTS, refletindo a crescente popularidade do K-pop no Brasil.
Uma pesquisa revelou que 76% dos brasileiros têm interesse na cultura coreana, com muitos sonhando em viajar para a Coreia do Sul e participar de shows, embora 14% enfrentem dificuldades financeiras para realizar esses desejos.
A Serasa está promovendo educação financeira para ajudar fãs a planejarem seus gastos, incentivando um consumo consciente dentro do universo da cultura coreana, como fez Liana ao evitar endividamento.
Mais de R$ 50 mil. Este é o valor que a professora Liana Warmling, de 37 anos, estima ter investido ao longo dos anos com cultura coreana. Admiradora do grupo BTS desde 2016, ela já gastou com acessórios, álbuns físicos, entre outros colecionáveis da banda, mas, com certeza, seus maiores aportes são com viagens. Só este ano, ela vai assistir a seis apresentações do grupo sul-coreano pela América Latina: “Passa desse [R$ 50 mil], porque, com tudo isso, já gastei uma boa grana”, disse ela.
LEIA TAMBÉM
O valor estimado, claro, vai além do usado para a compra dos ingressos. Estão inclusos na conta os gastos logísticos, como, por exemplo, passagens aéreas, hospedagens, produtos oficiais da banda, transporte, alimentação etc. “Gasto muito também com CDs, photo albuns. Enfim, já gastei muito e sou julgada por isso, mas o dinheiro é meu e eu que trabalho para fazer. Mas, pra mim, os gastos mais especiais são os shows”, defendeu-se.
O nascimento de um ARMY
Liana Warmling começou a se interessar por cultura coreana em 2015. Na época, era assídua espectadora do cinema asiático. “No final da minha adolescência e no início da idade adulta, eu comecei a consumir muitos filmes. Eu assistia bastante cinema coreano, depois eu comecei a encontrar doramas na Netflix, daí comecei a pesquisar sobre a história da Coreia, me interessar pela comida, pela cultura, pelo alfabeto deles. Em 2016, eu estava estudando na Itália e fui apresentada ao BTS. A partir dali virei completamente fã”.
Em 2017, o grupo sul-coreano entrou em turnê mundial com o álbum Wings. O show chegou a ter passagem pelo Brasil, mas, na época, Liana continuava morando na Europa.
Depois desse episódio, a professora voltou ao Brasil, mas manteve aceso o desejo de ver os ídolos presencialmente. Em 2018, o grupo voltou a entrar em turnê, mas dessa vez sem datas em solo brasileiro. Liana, então, se recusou a protagonizar outro desencontro e resolveu agir na ‘loucura’. “Aí eu falei: ‘Não, dessa vez não’. Eu acompanhava o grupo e estava guardando dinheiro, gastei o que podia e não podia e fui para Berlim, só para vê-los”.
Em 2019, o BTS veio ao Brasil novamente e Liana continuava nas trincheiras. Ao Terra, ela afirma que assistiu às duas apresentações, a primeira com ‘ingresso mais caro’, a segunda com uma entrada mais popular, além de ter comprado também a passagem de som. Em 2020, o grupo faria uma outra turnê, agora sem o Brasil na lista. Na ocasião, a professora chegou a comprar o ingresso para assistir no Canadá, mas, com a pandemia de coronavírus, o evento foi cancelado.
Entre 2021 e 2022, os meninos entraram em hiato e, devido aos laços feitos na comunidade ARMY - como são conhecidos os fãs -, Liana passou a ajudar na fanbase BBO (@BTSBrasil_ON). Agora, após a pandemia e o hiato militar, o grupo sul-coreano anunciou uma nova turnê mundial, com o álbum Arirang. Quando soube do retorno, Liana já começou a se planejar.
“Quando eles anunciaram essa nova tour, eles também anunciaram datas no Brasil, mas eu não fiquei satisfeita em ir só nos shows do Brasil (3). Então gastei, comprei dois ingressos de camarote no Brasil e um no Peru. Sempre sonhei em conhecer o Machu Picchu, resolvi ver os (dois) shows de lá também. Aí, como se não bastasse, vi que ainda tinha ingresso sobrando na Argentina (um) e eu ainda não tinha conseguido ‘sound check’ em nenhum lugar e me perguntei: ‘Por que não?’. Comprei. Mas eu vou só para isso também, terei só um dia para passear por lá. Ao todo, vou ver seis shows do BTS esse ano”.
“Quando eu falo para as pessoas que vou assistir a seis shows deles [este ano], ouço: ‘Ai, mas por quê? Não é o mesmo show?’. Não é igual, pelo contrário, é sempre diferente, ainda mais agora que eles têm música surpresa no final. [Na época do meu primeiro show, em Berlim], eles sempre faziam dois shows em cada cidade. No primeiro dia eles faziam um set list, no segundo, outro. Então nunca é o mesmo show. E, assim, eu não sei quando vai ser a minha próxima oportunidade para vê-los ao vivo de novo. Então, já que eles estão vindo para fazer uma ‘leg’ da turnê na América do Sul, eu pensei: ‘Por que não?’”, relatou.
Apesar do alto investimento, aos críticos ela garante: “Eu nunca me endividei por causa disso, já fiz muita loucura, gastei dinheiro que eu poderia, sei lá, guardar, fazer investimentos, mas nunca me endividei, sempre foi planejadinho. Tanto que, por exemplo, quando teve show em L.A, eu pensei em pegar uma grana com o banco, mas falei: ‘Não vou fazer’. Sempre foi um dinheiro que eu tinha e, assim, são experiências, coisas que você só vai ter uma vez na vida, tem que aproveitar, dinheiro a gente faz de novo”.
Hallyu: entenda a ‘onda coreana’ no Brasil
Apesar de o caso de Liana Warmling parecer distante e único, ela não está sozinha. No início de agosto de 2026, a Serasa, em conjunto com a OpinionBox e com o CCCB, lançou um levantamento inédito sobre o consumo de cultura coreana por parte da população brasileira. Foram realizadas cerca de 1.453 entrevistas, no período de 08/07/2026 a 20/07/2026, com margem de erro de 2.5 pontos percentuais.
De acordo com a pesquisa, 76% dos entrevistados demonstraram algum interesse ou curiosidade com a cultura coreana e 26% deles tiveram o primeiro contato pelos K-dramas. Entre os maiores sonhos de quem consome cultura coreana estão: viajar para a Coreia do Sul, estudar coreano e ver a algum show de K-pop.
Do público entrevistado, 25% afirmou que poupa dinheiro para realizar seus sonhos, assim como Liana Warmling. Em contrapartida, 14% apontaram que não realizam os sonhos por questões financeiras.
O que chama atenção também é: 49% dos entrevistados já gastaram mais do que planejavam com cultura coreana, do total de pessoas, 47% afirmam gastar cerca de R$ 250 mensais (entre comida, filmes, entre outros) e 15% pretendem investir ainda mais no universo asiático. Entre os indicadores líderes de compra do público brasileiro estão: alimentos, produtos de skincare e apresentações e itens de K-pop.
Baseada nos dados obtidos, a Serasa tem atuado, dentro de sua plataforma, na criação de conteúdo de educação financeira, com o intuito de melhorar um denominador comum dos fãs: o planejamento de gastos, fazendo com que, assim como Liana, as pessoas possam realizar seus sonhos, mas de forma planejada.
LEIA MAIS
+Lidas