Polícia

Jovem morta por facção foi levada a festa por amiga da igreja, diz família

Mãe assegura que filha não tinha envolvimento com o crime a clama por justiça

Eberth Lins | 15/02/19 - 11h24 - Atualizado em 15/02/19 - 11h24
Joyce foi encontrada morta no último dia 12 | Reprodução / Arquivo Pessoal

A jovem Joyce da Silva Alves, de 22 anos, encontrada morta na terça-feira (12), em uma área de mata no bairro Cidade Universitária, foi levada à festa onde estavam os assassinos por uma colega que conheceu dias antes na igreja que frequentava, segundo a família. A amiga, de acordo com a família, é Maria Mariá Araújo Epifânio, de 20 anos, presa suspeita de ser uma das responsáveis pelo crime.

“A Mariá tinha começado a frequentar a nossa casa dias antes, e ela quem levou a Joyce nessa festa. Nós estávamos trabalhando, mas soubemos que Joyce saiu arrumada umas 17h do sábado e até a meia noite ainda não tinha voltado. Quando começamos a nos preocupar e ligar para todos os contatos que tínhamos de amigas, nada de notícias”, relatou o padrasto da vítima, José Sterffem Rocha Cavalcante, em entrevista ao TNH1.

O padrasto da vítima disse que o estopim foi quando Mariá retornou à casa da vítima e disse desconhecer o paradeiro da amiga.

“Ela estava com as roupas da Joyce e voltou na nossa casa no sábado para trocá-las. Estranhamos porque tinham saído juntas e ela disse não saber de nada. Foi quando a coloquei dentro do carro e procurei a Central de Polícia para registrar um Boletim de Ocorrência. Ela estava muito nervosa, tinha algo de estranho”, acrescentou José Sterffem.

De acordo com a polícia, antes de ser morta, Joyce da Silva foi torturada por aproximadamente seis horas, estuprada, teve o cabelo cortado com um estilete e o rosto desfigurado por pancadas. Seis pessoas foram presas, uma delas não teria participação no crime, mas teria comprado o celular da vítima. Dois menores também foram apreendidos por envolvimento no crime.

Segundo a polícia, Joyce foi assassinada porque fez o símbolo de uma facção rival para criminosos que estavam na festa.

Vítima não tinha envolvimento com o crime, assegura mãe

A mãe de Joyce, Edjane Gonçalves da Silva, também conversou com o TNH1. Ainda muito abalada, a mulher afirmou que Joyce não tinha envolvimentos com crimes e contou ao TNH1 que ainda não conseguiu assimilar o que aconteceu com a filha, que ela classificou como monstruosidade.

“A minha filha não era envolvida com nada disso. Ao contrário, tinha uma inocência pura e para ela todo mundo era amigo, não via maldade em ninguém”, desabafa. “Ela, inclusive, tinha problemas psiquiátricos. Depois da gravidez, teve depressão e fazia uso de medicamentos controlados. Minha filha nunca participou ou tinha conhecimento de nada sobre facção”, reforçou Edjane.

Joyce da Silva morava com a mãe, o padrasto e uma filha de sete anos, no bairro Tabuleiro do Martins. O corpo da jovem foi sepultado na quarta-feira (13) e a missa de 7º dia acontece neste sábado (16), na Igreja Nossa Senhora de Fátima, no bairro Feitosa.

“Eu agora só clamo por justiça para que esse crime não fique impune. Os responsáveis por essa monstruosidade precisam pagar. Essa tragédia também é uma alerta para que os jovens não confiem nos outros de forma gratuita e deem mais atenção e satisfação aos pais”, pede a mãe da vítima.