Mundo

Le Monde: Os dez segundos de fama dos deputados brasileiros

18/04/16 - 09h54 - Atualizado em 18/04/16 - 09h55
Reprodução

A votação na Câmara dos Deputados, neste domingo (17), sobre o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff foi assolada por "atos estranhos por parte dos políticos brasileiros", afirmou o jornal Le Monde.

Além do grito clássico, empurrões e outras manifestações espúrias, foram externadas por alguns dos 511 membros presentes - dois deputados faltaram à histórica sessão - na "casa do povo". "Muitas das vezes se aproveitaram de seus dez segundos de tempo de intervenção para deixar sua marca nesta transmissão histórica ao vivo na televisão e na internet", diz o jornal.

Em declamações, por vezes, teatrais, alguns usaram o tempo e energia para enviar mensagens pessoais, com pouca relevância para as manobras fiscais formalmente imputadas a Dilma.

"Pela minha família e pelos meus filhos Sergio e Roberto, eu voto sim", disse Simão Sessim, do Partido Progressista (PP), que optou por um familiar piscar de olho, relativamente recorrente durante a votação. Soraya Santos (PMDB), de punho cerrado, fez o mesmo por ter um pensamento para os seus "netos".

Além das múltiplas invocações a Deus e Jesus, havia também sobre liberdade sexual, e outros reivindicando o oposto. Palavras duras também foram dirigidas contra o presidente da Assembleia, Eduardo Cunha, considerado o eixo do processo de impeachment, e foi xingado com insultos como "bandido”, "ralé", "corrupto".