Leão 14 vai andar em três papamóveis diferentes durante viagem pela América do Sul

Publicado em 05/11/2026, às 09h10
Vatican News
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Por EDUARDO SODRÉ/Folhapress

Cada país sul-americano visitado pelo sumo pontífice Leão 14 terá um papamóvel para chamar de seu. Fiat, GM e Toyota desenvolveram os carros para a viagem, que está programada para o período de 6 a 17 de novembro. Cada marca está fornecendo dois veículos adaptados.


Todos os veículos foram construídos sobre picapes de porte médio e motor a diesel. Originalmente, esses automóveis traziam cabine dupla.


A primeira parte da viagem será a bordo do papamóvel desenvolvido pela Fiat para a passagem pelo Uruguai de 6 a 8 de novembro. A carroceria da picape Titano foi adaptada pela Nordex, empresa que monta automóveis para diferentes marcas naquele país.


Os requisitos vêm do Vaticano: laterais abertas para facilitar o contato visual de Leão 14 com o público, banco giratório com ajuste de altura, dois assentos auxiliares, escada traseira elétrica, tapete vermelho e forrações de couro tingido de branco. Há ainda o teto transparente, que protege o pontífice da chuva.


Devido a essas exigências, as partes traseiras de todos os papamóveis tendem a ser iguais. Mesmo assim, a Toyota resolveu fazer mistério sobre o desenho do veículo que será utilizado na etapa argentina da viagem, entre os dias 8 e 11 de novembro.


A montadora divulgou apenas fotos da entrega de um dos modelos ao núncio do país, monsenhor Michael Wallace Banach. A imagem mostra apenas um pedaço do automóvel, sem revelar a carroceria completa. A base é a picape Hilux, que é montada em Zárate (província de Buenos Aires) e lidera o mercado brasileiro entre os utilitários a diesel.
A adaptação das picapes foi feita pela Vallé Equipamientos, empresa com sede em Córdoba homologada pela Toyota para transformações veiculares.


Para a parte da viagem que percorrerá o Peru (11 a 17 de novembro), o sumo pontífice terá à disposição dois papamóveis produzidos no Brasil. A base de ambos é a picape Chevrolet S10 produzida em São José dos Campos (interior de São Paulo).


A General Motors fez a transformação em parceria com a Engesig, empresa especializada na preparação de veículos especiais e parceira da montadora.


Luiz Gustavo Moraes, gerente sênior de engenharia de produto da GM, diz que o maior desafio do projeto foi definir a estratégia de corte da carroceria para transformar a S10 cabine dupla em um papamóvel, mantendo a estrutura e garantindo a fixação correta da poltrona.
Moraes explica que os corrimãos foram projetados para que Leão 14 possa se segurar e ainda ser visto por todos, tendo facilidade para falar com sua equipe e ficar em pé em segurança durante os percursos.


"Os veículos também receberam elementos simbólicos ligados ao Vaticano, gravados em suas estruturas metálicas: um lema em latim na parte dianteira, o símbolo das chaves do Vaticano na lateral e uma frase em italiano pronunciada pelo Papa Leão 14 em seu discurso de posse", diz o comunicado divulgado pela GM. A frase gravada perto do assoalho é "La pace sia con tutti voi" ("A paz esteja com todos vocês").


Após a utilização durante a viagem de Leão 14, os papamóveis devem ser doados às administrações das igrejas católicas de cada país. No caso do Uruguai, o Vaticano divulgou que a expectativa é de que o veículo possa ser adquirido por colecionadores, com o valor da venda direcionado a fundos de apoio a instituições de caridade e colégios católicos que passam por dificuldades financeiras.


Trata-se de uma tradição. Em geral, os países que recebem o pontífice desenvolvem seus próprios papamóveis. Pode ocorrer ainda o uso de carros convencionais, como o Fiat Idea que transportou o papa Francisco em 2013, na visita ao Brasil durante a Jornada Mundial da Juventude. O modelo foi incorporado ao acervo da Fiat, em Betim (MG).


Apesar das evoluções tecnológicas que ajudam a reduzir as emissões de poluentes, Leão 14, que tem posicionamentos públicos sobre a crise climática, pode não gostar da ideia de circular em veículos a diesel.


Na Itália, o sumo pontífice utiliza um modelo elétrico desenvolvido pela Mercedes-Benz sobre o SUV de luxo Classe G. Esse veículo transportou o papa Francisco em sua última aparição pública, no domingo de Páscoa de 2025.

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