Brasil

Mais de 140 000 pessoas foram picadas por escorpiões em 2018

No Brasil, a espécie de escorpião que causa mais acidentes é a Tityus serrulatus encontrada nas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e partes do Centro-Oeste

VEJA.com | 11/01/19 - 18h15
Escorpião | Reprodução

Em 2018, o Brasil registrou 141.400 acidentes com escorpiões, segundo informações do Ministério da Saúde, divulgadas nesta sexta-feira. Esse número, que ainda é preliminar, representa um crescimento de 11,5% em relação a 2017. Em relação a 2016, o aumento é ainda maior: 64,8%. Não se sabe o número de mortos, já que esse dado só é calculado dois anos depois do ano de referência. Por enquanto, fora, 115 óbitos em 2016 e 88, em 2017. 

De acordo com o Ministério, o período do verão (dezembro a março) favorece o aparecimento dos escorpiões, que gostam de climas úmidos e quentes. A vulnerabilidade para acidentes é maior no caso de trabalhadores da construção civil, de madeireiras, transportadoras e distribuidoras de hortifrutigranjeiros por manusearem objetos ou alimentos onde o animal pode se alojar. Crianças e pessoas que passam longos períodos dentro de casa, nos arredores ou quintais também estão em maior risco.

A pasta destaca também que, no Brasil, a espécie de escorpião que mais causa acidentes é a Tityus serrulatus, uma vez que tem facilidade para se reproduzir e colonizar novos ambientes, mesmo em áreas em que não é normalmente encontrada. Essa espécie é muito comum nas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e partes do Centro-Oeste.

O que fazer em caso de acidente

Em caso de picada por escorpião, a recomendação do Ministério da Saúde é procurar imediatamente o hospital de referência mais próximo. Levar o animal ou uma foto pode ajudar na identificação da espécie, o que permite uma avaliação mais eficaz sobre a gravidade do problema -no entanto, isso não é imprescindível para atendimento. A medida apenas ajuda no diagnóstico e aumenta a eficácia do tratamento.

Quando a picada ocorre, os indivíduos apresentam sintomas como dor imediata, vermelhidão e inchaço leve por acúmulo de líquido, piloereção (popularmente chamado de calafrios) e suor localizados. No caso de crianças menores de sete anos, os sintomas podem aparecer longe do local da picada, como vômito e diarreia, principalmente nas picadas por escorpião-amarelo, que podem levar a casos graves e requerem a aplicação do soro em tempo adequado.

O Ministério da Saúde ressalta que não é em todo caso de acidente que o soro é indicado e apenas um profissional de saúde pode fazer essa avaliação. Em casos moderados ou graves, a indicação é o antiveneno. Limpar o local da picada com água e sabão pode ser uma medida auxiliar, desde que não atrase a ida ao serviço de saúde.

Prevenção

Áreas urbanas

Para evitar a entrada dos escorpiões em casas e apartamentos dos centros urbanos, a recomendação é usar telas em ralos de chão, pias e tanques, além de vedar frestas nas paredes e instalar soleiras nas portas. Outra medida é afastar as camas e berços das paredes e verificar roupas e calçados antes de usá-los.

Nas áreas externas, é necessário garantir que jardins e quintais não tenham entulhos, folhas secas e lixo doméstico, pois são locais onde esses animais gostam de ficar. Em residências com gramado, a orientação é mantê-lo sempre aparado. Em áreas urbanas, os escorpiões se alimentam principalmente de baratas. Por isso, é essencial manter o lixo da residência em sacos plásticos bem fechados.

Outra orientação é não colocar a mão em buracos, embaixo de pedras ou em troncos apodrecidos. Ao realizar atividades que representem certo risco, como jardinagem ou manuseio de entulhos e materiais de construção, a recomendação é utilizar luvas e botas de raspas de couro.

Áreas rurais

Nas áreas rurais, além das medidas citadas acima, é fundamental preservar os predadores naturais dos escorpiões, como lagartos, sapos e aves de hábitos noturnos, como corujas.

Apesar do risco que representa, o Ministério da Saúde não recomenda a utilização de produtos químicos, como pesticidas, para combater escorpiões. Estes produtos não são comprovadamente eficazes para o controle do animal e podem fazer com que ele deixe seu esconderijo, aumentando a probabilidade de acidentes.