Nordeste

Mar de solidariedade: mergulhador doa mais de 20 mil quentinhas em Salvador

Correio 24 horas | 29/05/20 - 10h02 - Atualizado em 29/05/20 - 10h04
Arquivo Pessoal

No Porto da Barra, o esporte está a serviço da solidariedade. Mergulhador há 19 anos, Robson Oliveira tinha como missão diária apresentar o oceano a alunos e turistas. Há 70 dias, as belezas do fundo do mar deram lugar a uma realidade nada encantadora. Sensibilizado com a fome de moradores de rua, ele decidiu doar refeições durante a pandemia de coronavírus.

Em pouco mais de dois meses, já foram produzidas mais de 20 mil quentinhas, distribuídas sempre no horário do almoço, na porta da Submerso Esportes Aquáticos, loja de cursos e equipamentos esportivos que tem há seis anos, na Barra. Por lá, óculos de mergulho, cilindros, remos e pranchas cederam espaço a eletrodomésticos.

“Eu pedi apoio a algumas pessoas aqui do Porto da Barra que têm restaurante ou comércio com cozinha, mas eles não quiseram ajudar. Aí eu acabei fazendo a cozinha aqui mesmo na loja. Comprei fogão industrial, geladeira, freezer, micro-ondas e liquidificador”, conta o empresário, 38 anos, que tem a ajuda do irmão, Fábio Oliveira, 40.

“A ideia surgiu ao ver a necessidade das pessoas do Porto da Barra. Como a loja estava fechada, eu fui dar uma olhada nela logo no começo do isolamento e os moradores de rua começaram a me abordar pedindo alimento e água. Dei o que eu tinha na loja e, no dia seguinte, resolvi iniciar o projeto”.


Foi aí que o mergulhador e instrutor de esportes aquáticos assumiu um outro posto, o de chef de cozinha. Robson transformou um antigo hobby em gesto de amor ao próximo. É ele mesmo quem comanda o fogão. “Sempre gostei de cozinhar e a comida está bem falada, viu”, orgulha-se. “É de altíssima qualidade. É a que eu e meu irmão comemos também. Procuro caprichar muito e a gente faz com amor. Quando a gente faz as coisas com amor, a tendência é ficar tudo perfeito”.

Na primeira doação, ele preparou 150 pratos de sopa com pão. A demanda cresceu e atualmente são servidas 300 quentinhas por dia, de segunda a sábado. “Só paramos no domingo, pois é o dia que a gente descansa e faz a logística para comprar as coisas”, detalha Robson, que mantém a ação social com doações de outras pessoas.

“A princípio eu comecei essas doações do meu bolso, eu mesmo colocava tudo. Depois, comecei a receber doações de amigos, de redes sociais. Um vai falando para o outro e a gente está conseguindo manter o projeto sem parar. Já recebemos mais de três toneladas de alimentos de doação que foram transformados em quentinhas”.

De máscara e luvas, Robson entrega as refeições na porta da loja. Apesar de não haver contato físico, ele consegue sentir o carinho de quem recebe. “A gente recebe muito calor humano. A reação é de muita gratidão. Eles agradecem muito, porque às vezes é a única refeição que eles têm durante o dia, por isso fazemos uma refeição bem reforçada”, conta. “Geralmente são as mesmas pessoas, mas a gente não vê quem vai pegar. Às vezes pegam trabalhadores, como garis. A gente dá comida para quem chegar na fila. Antes eram só pessoas da barra, mas agora vem gente de todos os bairros, até da Liberdade já veio”.

É possível doar alimentos ou qualquer valor em dinheiro para a produção das quentinhas. Os dados bancários estão na imagem a seguir. Há duas opções para fazer contato, através do Instagram @submersosupdive ou do telefone (71) 98705-6860.

Robson garante ser gratificante. “Eu me sinto bem, é um trabalho que é necessário e acho que outras pessoas poderiam estar fazendo também. A gente tenta manter a constância, porque sabemos que essas pessoas dependem da gente para comer. A gente se sente feliz em fazer o bem”.