Futebol

Marcelo de Jesus se apresenta ao CSA e traça metas: "Ganhar competições e acessos"

15/02/17 - 16h00 - Atualizado em 15/02/17 - 16h04
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A reapresentação do Centro Sportivo Alagoano na última terça-feira (14) foi marcada pela chegada de Marcelo de Jesus ao CT do Mutange. O gerente de futebol deixou o ASA e foi contratado pelo Azulão para ajudar a comissão técnica e a direção a reconduzir o time ao caminho das vitórias. Pela primeira vez do lado marujo, o gestor revelou ser um sonho trabalhar no clube, explicou a função que vai exercer no CSA e comentou sobre várias situações.

"Participação em todos os clubes a gente sempre teve. Nossa função é ter participação. Agora o mais importante é a concessão de ideias. Eu posso indicar um jogador, que na cabeça do treinador não faz o perfil de jogo dele. Ou na cabeça dos nossos dirigentes, que conhecem, mas não faz o perfil do clube. Tudo é uma concessão de ideias. Tem nomes para indicar que a gente veja, que venha e vá suprir a necessidade que está faltando. Porque tem aquele dizer no futebol: "Esse aí vai te ajudar". Ajudar todo mundo ajuda. Eu quero é resultado. Vamos cobrar resultado. Cobrar participação em jogo, vontade, disciplina, que é muito importante", posicionou-se em uma das respostas. 

A chegada de Marcelo de Jesus ao CSA acontece na primeira turbulência mais séria após o acesso para a Série C do Campeonato Brasileiro. A derrota no clássico na Copa do Nordeste, a goleada e a consequente eliminação para o Sport na Copa do Brasil e o tropeço diante do Itabaiana no Rei Pelé deixaram a torcida enfurecida e balançaram o cargo do técnico Oliveira Canindé. A diretoria bancou o treinador, investiu no gerente de futebol e deve realizar dispensas e contratações.  

"É o sonho de cada profissional que trabalha no futebol trabalhar num clube da grandeza do CSA. Não foi um primeiro convite, já tínhamos conversado outras vezes. Agora através do Fabiano Melo, agradeço. Com o aval do Raimundo Tavares e do Rafael Tenório, consigo chegar ao CSA. Pode ter certeza, no que depender de mim, vou dar minha vida para que o CSA chegue no topo do futebol nacional", afirmou.

Confira outros trechos da entrevista coletiva de Marcelo de Jesus. 

Estrutura

"O CSA não perde em nada para nenhum clube brasileiro. Conheço alguns clubes nacionais, hoje o CSA não perde em nada em termos de estrutura, condições de trabalho, visibilidade para o futebol, condição que dá ao atleta e funcionários. Condição para disputar o campeonato, falo disso. Só tenho a dizer a vocês que estou muito feliz. Como fui recebido, condição de trabalho, o plantel que tem aqui".

Quem é Marcelo de Jesus?

"Tenho 50 anos, sou formado em Educação Física pela Faculdade Castelo Branco do Rio de Janeiro. Joguei futebol no Fluminense, depois no Vasco e de lá saí para o interior de Santa Catarina, onde parei de jogar e comecei a trabalhar no futebol. Comecei em 1995 como supervisor de futebol. De lá para cá fiz vários cursos em todas as áreas que você possa imaginar que diz respeito ao futebol". 

"De lá fui para o Ituano, União São João de Araras, Ceará, onde trabalhei quase 10 anos. Saindo do Ceará fui para o Atlético-GO. Ajudei o Atlético a se tornar o que é hoje, ao menos com uma pequena colaboração, subimos para a Série B, depois o Atlético caminhou com as próprias pernas e hoje é um grande clube. Trabalhei em dois clubes do interior de Goiás: Anapolina e Aparecida. Trabalhei na terceira divisão de Goiás, na Aparecida, conseguimos o acesso para Série B do Goiano". 

"Aí vim para o ASA. De sete anos que moro em Arapiraca, tive seis anos de glória no ASA. E agora estou em um grande clube. Agradeço muito a oportunidade do presidente Rafael, do Fabiano e do Raimundo. Que confiaram no meu trabalho. Não vai faltar empenho para colocar o CSA no devido lugar dele, ganhar as competições e ter os acessos".

"Quando os departamento voltados para o futebol, o meio final é o futebol. Você vai conciliar junto ao administrador, o cara que molha o campo, que cuida dos almoxarifados. Temos que fazer uma gerência primeiro enxuta, que não dê despesa e nem desperdício ao clube. Porque se não der desperdício ao clube, mais receita tem, mais dinheiro tem para se contratar jogador e fortificar o time. É mais um desafio. Não é uma afirmação. Estou aprendendo com todo mundo. Vai ser um desafio bom e vamos vencer esse desafio".

Vestiário

"O que explanei na minha apresentação. O trabalhador tem que acordar de manhã e estar feliz para vir trabalhar. É isso que eu quero que aconteça aqui no CSA. Mesmo se tiver um resultado adverso, porque o futebol é diferente de qualquer emprego, você tem jogos. Um ganha, outro perde, outro empate. Queremos no sentimento da derrota estar feliz para darmos a volta por cima. No sentimento da vitória não deixar que saia da nossa mão e se transformar numa arrogância para não dar decorrência no que vamos fazer. Essa é nossa função. Vamos fazer um vestiário bacana, dar apoio, conciliar ideias para cada vez mais poder alcançar os objetivos".

CSA 1x0 CEO

"Vi um jogo muito bom. Jogadores muito empenhados. Temos um treinador competente e uma diretoria mais ainda, que está avaliando. Estou chegando e vou ver junto com eles, vamos conversar muito sobre o que o CSA precisa. Se tiver de dispensar, vamos dispensar. Se tiver de contratar, vamos contratar. Vamos começar já esse trabalho hoje. É um trabalho imediato, de posição imediata. Vamos avaliar e sentar com a comissão, ver o que eles querem".  

"Vamos sentar com a direção, principalmente com o nosso presidente. Nenhuma decisão vai ser tomada sem o aval do Rafael Tenório, Fabiano Melo e Raimundo Tavares, em relação a tudo, até em locais de jogo, como vai jogar... Tudo eles estarão cientes para que possamos tomar as decisões necessárias. Minha função é essa. Transmitir a eles, aos jogadores e a comissão o que vai ser tomado".

Currículo

"Sou um cara humilde, de ideias. Tenho as minhas visões dentro do que fazemos, me capacitei para isso. Tenho vários cursos de gestão de esporte, pertenço a uma associação chamada Abex Futebol, Associação Brasileira dos Executivos de Futebol. Tudo é um aprendizado. Estou querendo aprender e aqui será  Futebol uma escola muito boa para mim. Vou seguir a linha de trabalho da direção, que é a que nos paga e nos comanda. Dentro dessa linha de trabalho vamos aperfeiçoar ainda mais o que temos aqui".

Oliveira Canindé

"O Oliveira já conheço há muito tempo. Trabalhou comigo no Ceará. Conheço a filosofia de trabalho dele. Sabia na época, a gente conversava muito, eu falava: ‘Canindé, você vai vencer no futebol, trabalhar em grandes clubes’. E está aí. Mais um amigo que tenho. É muito rápido que a gente pega a filosofia de trabalho dos treinadores como da própria comissão e dos jogadores. Não vai ter problema nenhum. Vamos desempenhar o trabalho da melhor forma. Não vou entrar no trabalho de ninguém. Só dar apoio e colocar ideias para o bem". 

Noitadas

"Sabemos que Maceió é uma cidade atrativa, tem uma noite forte. Isso tudo vamos cobrar. Estaremos aqui para cobrar dentro de um respeito e hierarquia, onde nada vai ser feito sem anuência da direção. Hoje não é brincadeira. Uma carreira de jogador de futebol dura 20 ou 10 anos. Amanhã ou depois esses mesmos atletas que estão com 40 ou 35 anos vão se arrepender do que não aproveitaram. Isso vamos colocar para eles dentro da filosofia de trabalho das competições que o clube tem. Vamos abdicar de algumas coisas em prol das nossas vidas".

Relacionamento com os atletas

"A gente teve momento felizes com o ASA. O Marcos Antônio, o Jeferson, trabalhei com o Tuti como jogador, fomos campeões Estadual em 2011... Tudo isso quebra o gelo. Mas o futebol é um meio de trabalho que nos proporciona chegar a um lugar e se ambientar muito rápido. Essa é nossa função há muito tempo. A gente está acostumado com isso. Sempre falei para eles e falei hoje. Gosto de olhar no olho. Chamar e falar: "Amigo, não é assim. Vamos fazer por aqui. O que você acha? Acha que está rendendo assim?". Saí de um clube onde devo muita gratidão e todos os jogadores vieram me abraçar. "Poxa, você está deixando a gente". Porque sentiram  a necessidade do que a gente fez o grupo lá. Quero fazer aqui, melhor do que lá. Vestiário nosso tem que ser muito bom, tanto nos treinamos, dia a dia e nos jogos".

"Como amigo, pai, irmão. Se tiver problema, vamos resolver, não importa a hora, se for de madrugada... Faço isso sempre. Trabalhei no Ceará, busquei um jogador de madrugada porque a mulher ia ter filho. Fui até ele, levei a mulher na maternidade. Essa é nossa função. Eu não me prezo em fazer isso. Nem escondo a alegria de fazer. É a minha função. Se tiver que apoiar, vou apoiar, chamar a atenção, vou chamar. Tenho que fazer isso. Tudo temos que fazer por um bem comum, que é o objetivo do clube, objetivo da competição, e acho que isso motiva cada um no dia a dia".

Gestão

"Em alguns lugares tem, mas aos poucos está mudando esse cenário. Tanto é que vocês viram essas novas normativas da CBF, que vão começar a vigorar a partir do ano que vem para Série A, a gestão do clube. Vai ter um profissional capacitado em alguma área esportiva com preparação adequada para estar junto e gerenciar. E os diretores vão ter que se aperfeiçoar nisso". 

"A repressão do jogador, visão contrária, se acaba quando você faz um vestiário bom. Quando você é sincero, é honesto, fala a língua dele e mostra para ele o que é melhor para ele. Não é o cara que vem, põe a mão de ferro e diz: ‘Tem que ser assim, vai ser assim". Não, tudo é troca de ideias e concessão de ideias".