'Me fiz de morta', diz estudante que teve as mãos amputadas em ataque com foice

Publicado em 18/05/2026, às 14h41
Reprodução/TV Globo
Reprodução/TV Globo

Por Folhapress

Ana Clara Oliveira, de 21 anos, sobreviveu a uma tentativa de feminicídio em Quixeramobim, Ceará, onde foi atacada pelo cunhado a mando de seu namorado, resultando na amputação de suas mãos.

A estudante relatou que o relacionamento com Ronivaldo Rocha dos Santos, de 40 anos, se deteriorou devido a ciúmes e agressões, culminando em uma discussão que levou ao ataque violento por parte do cunhado, Evangelista Rocha dos Santos.

Ambos os agressores foram presos em flagrante e autuados por tentativa de feminicídio, enquanto Ana Clara se recupera em hospital e planeja ajudar outras mulheres vítimas de violência.

Resumo gerado por IA

"Eu me fiz de morta. Realmente, me fiz de morta", contou a estudante Ana Clara Oliveira, 21, sobre como escapou da morte, em um ataque feito pelo cunhado a mando do namorado dela.

A declaração foi dada ao Fantástico, da TV Globo.

A tentativa de feminicídio ocorreu em 1º de maio, na cidade de Quixeramobim, no interior do Ceará. Ela teve as duas mãos amputadas pelo cunhado, que usava uma foice.
Ainda internada e com as mãos enfaixadas, ela falou sobre a alegria das primeiras conquistas na recuperação.

"A felicidade é enorme que eu estou conseguindo mexer os meus dedos. É um sentimento de gratidão", comemorou.

Ana Clara contou que ela e Ronivaldo Rocha dos Santos, 40, estavam juntos havia dois anos.

"No início, ele não demonstrava que era essa pessoa agressiva, mas, com o passar do tempo, ele começou a ser aquela pessoa agressiva. Ultimamente, estavam existindo confusões frequentes, no meio da rua, em restaurante, por ciúmes, [ele ficou] uma pessoa altamente ciumenta", afirmou à reportagem.

Imagens de câmeras de monitoramento mostraram quando Ronivaldo e Ana Clara discutiram na frente da casa onde viviam. Ela disse que ele não entraria na residência.

Ela admitiu que jogou uma pedra que quebrou o para-brisa do veículo dele.

Ronivaldo saiu do local, buscou o irmão, Evangelista Rocha dos Santos, 34, e os dois retornaram à casa. Evangelista, que estava com uma foice, pulou o muro para entrar na casa onde estava a estudante. Ronivaldo ficou do lado de fora incentivando o irmão a matar sua companheira.

A estudante está passando por sessões de fisioterapia e já consegue mexer os dedos.
Não há previsão de alta do hospital, mas a equipe médica afirma estar otimista com a recuperação.

"É um processo lento, uma evolução lenta. Que certamente ela seguindo as orientações, cada uma delas a seu tempo, ela vai conseguir uma ótima função, vai poder usar as mãos para executar funções diárias de trabalho, certamente", afirmou o médico Valberto Barbosa Filho.
Ana Clara disse que quer ajudar outras mulheres vítimas de violência.

"Eu escondi muitas vezes. Que as mulheres que hoje passam por isso saiam. P rocurem uma ajuda psiquiátrica, psicológica. Eu vou estar aqui para ajudar. Eu sou um testemunho muito lindo e que quer levar isso em frente", disse.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Ceará, dois homens foram presos em flagrante por tentativa de feminicídio.

A pasta não disse se eles constituíram advogados. A Folha de S.Paulo não conseguiu identificar quem é o responsável pela defesa dos irmãos.

Em depoimento à Polícia Civil, os dois afirmaram que a motivação da discussão seriam supostas transferências bancárias feitas por Ana Clara da conta de Ronivaldo para a dela.

Segundo os investigadores, Evangelista teria confessado ter dado os golpes com a foice, enquanto Ronivaldo teria alegado não se lembrar de grande parte dos acontecimentos após ingerir bebida alcoólica.

Os dois suspeitos foram autuados por tentativa de feminicídio e transferidos para uma unidade prisional em Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza.

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