Médica que matou seus três filhos pesquisou antes sobre alucinações, psicose e efeitos de remédios

Publicado em 15/08/2026, às 08h35
Patrick e Lindsay Clancy - Reprodução / Redes sociais
Patrick e Lindsay Clancy - Reprodução / Redes sociais

Por g1

Lindsay Clancy, acusada de assassinar seus três filhos em janeiro de 2023, fez buscas na internet sobre alucinações e psicose semanas antes do crime, levantando questões sobre seu estado mental. A defesa alega que Clancy agia sob transtorno bipolar e psicose pós-parto, enquanto a promotoria argumenta que houve premeditação.

Clancy expressou em um bilhete suas inseguranças como mãe e sua sobrecarga emocional, além de ter buscado ajuda profissional antes da tragédia, incluindo consultas e internações. Apesar disso, a promotoria afirma que ela teve acesso a serviços de saúde mental e ignorou orientações médicas.

Se condenada, Clancy pode enfrentar prisão perpétua, mas se considerada não responsável criminalmente, será internada em uma instituição psiquiátrica. O julgamento, que atraiu grande atenção pública, continua com testemunhos de profissionais de saúde que trataram Clancy.

Resumo gerado por IA

Semanas antes de estrangular seus três filhos, em janeiro de 2023, Lindsay Clancy fez diversas buscas na internet sobre alucinações, psicose e os efeitos colaterais de remédios que estava tomando. A informação veio de uma análise do celular de Clancy, apresentada nessa quinta-feira (13) durante seu julgamento por assassinato.

Segundo os dados apresentados, no fim de dezembro de 2022 Clancy pesquisou sobre métodos de suicídio, transtorno bipolar e insônia.

Já em janeiro, passou a buscar informações sobre depressão pós-parto. Em outubro do mesmo ano, ela também havia escrito um bilhete detalhado no qual expressava dúvidas sobre suas escolhas como mãe, questionava a decisão de ter parado de amamentar o filho mais novo, então com 8 meses, e reconsiderava os planos do casal de ter um quarto filho.

A defesa argumenta que a ex-enfermeira obstétrica de 36 anos agia sob efeito de transtorno bipolar e psicose pós-parto — uma condição rara que pode alterar a percepção de realidade de mulheres após o parto. Um psiquiatra forense diagnosticou Clancy com essas duas condições depois dos assassinatos.

No bilhete, ela demonstrava principalmente receio de não conseguir dar ao filho caçula a mesma atenção dedicada aos dois mais velhos, de 3 e 5 anos, e descrevia sentir-se sobrecarregada pelo excesso de informação sobre maternidade a que tinha se exposto nos últimos anos.

Clancy se declarou inocente das acusações de assassinato das crianças Callan, Dawson e Cora. O pai das crianças as encontrou no porão da casa da família, na cidade litorânea de Duxbury, ao sul de Boston. A mãe foi encontrada no quintal, após pular pela janela do segundo andar — ela ficou paraplégica em consequência da queda.

Mensagens trocadas entre Lindsay e seu então marido, Patrick Clancy, mostram o casal lidando com a rotina da paternidade no dia do crime, incluindo um momento em que ele a elogiou como mãe e ela respondeu com emojis. O perito da Polícia Estadual de Massachusetts, Tim Chiappini, leu essas mensagens durante o julgamento, que tem sido transmitido ao vivo e atraído grande atenção pública, com jornalistas e espectadores lotando o tribunal.

Os advogados de Clancy não negam que ela matou as crianças, mas defendem que o júri não deve responsabilizá-la criminalmente, alegando que ela agia sob transtorno mental e acreditava ouvir vozes ordenando que tirasse a vida dos filhos e a própria.

Já a promotoria sustenta que houve premeditação: segundo os promotores, Clancy teria se articulado para tirar o marido de casa — mandando-o comprar comida e ir à farmácia, no dia 24 de janeiro de 2023 — antes de estrangular as crianças com faixas elásticas de exercício. A promotora Shanan Buckingham pediu ao júri que não tratasse o caso como um debate público sobre saúde mental feminina.

Se condenada por assassinato, Clancy pode pegar prisão perpétua sem direito a liberdade condicional. Caso seja considerada não responsável criminalmente por conta da doença mental, ela seria internada em uma instituição psiquiátrica estadual.

A defesa afirma que Clancy buscou ajuda por diversos caminhos antes da tragédia: consultou vários profissionais de saúde mental, testou diferentes medicamentos prescritos, ligou para uma linha de apoio a pessoas em crise, foi a um pronto-socorro, tentou (sem sucesso) vaga em um programa hospitalar de tratamento intensivo para mulheres com problemas psiquiátricos pós-parto, e chegou a se internar voluntariamente em uma clínica psiquiátrica por alguns dias.

Segundo a família e os advogados, em vez de melhorar, seu quadro piorou com a combinação de remédios psiquiátricos prescritos — alguns deles considerados problemáticos para pacientes bipolares.

A promotoria, por sua vez, busca demonstrar que Clancy teve acesso a uma ampla rede de serviços de saúde mental, mas ignorou orientações médicas e interrompeu o uso de alguns medicamentos por conta própria.

Vários profissionais que a atenderam foram ouvidos como testemunhas e afirmaram que ela nunca mencionou um plano concreto para se machucar ou machucar os filhos, nem apresentou sinais de psicose ou mania — embora tenha relatado pensamentos suicidas.

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