Médica reanima e salva passageira em parada cardíaca durante voo: 'Muito intenso'

Publicado em 30/05/2026, às 19h30
Carolina Rossignolo Torres/Arquivo pessoal
Carolina Rossignolo Torres/Arquivo pessoal

Por g1

Durante um voo da Latam, uma médica de São José do Rio Preto salvou a vida de uma passageira em parada cardiorrespiratória, demonstrando a importância da atuação profissional em situações de emergência. O incidente ocorreu em 29 de abril, quando Carolina Rossignolo Torres, de 33 anos, foi acordada por pedidos de socorro e imediatamente se dirigiu à paciente desacordada.

A médica, junto a outros profissionais de saúde a bordo, realizou manobras de reanimação cardiopulmonar e utilizou um desfibrilador, conseguindo restaurar os sinais vitais da mulher após 20 minutos de esforço. A paciente foi levada a um hospital no Rio de Janeiro e, dias depois, Carolina recebeu a notícia de que ela havia se recuperado e saído da UTI.

Carolina, que atua no SUS, não se considera heroína, mas sim alguém que cumpriu seu dever como médica. A experiência reforçou sua convicção sobre a importância da formação médica e do compromisso com a vida dos pacientes, destacando que o instinto profissional prevaleceu em um momento crítico.

Resumo gerado por IA

Uma médica de São José do Rio Preto (SP) viveu um momento inesperado durante um voo ao salvar a vida de uma passageira em parada cardiorrespiratória. A ginecologista e obstetra Carolina Rossignolo Torres, de 33 anos, estava dormindo durante a aterrissagem quando ouviu pedidos de socorro dentro da aeronave.

O caso aconteceu no dia 29 de abril, em um voo da Latam que seguia de Congonhas, em São Paulo, para o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Carolina viajava para comemorar o aniversário de uma amiga e assistir ao show da cantora Shakira.

"Eu comecei a ouvir no meu sonho alguém gritando: 'Socorro, socorro, um médico'. Achei que estava sonhando. Até que minha amiga virou e falou: 'Acho que estão precisando de médico ali'", relembra Carolina.

Assim que percebeu a gravidade da situação, a médica foi em direção à passageira, de 43 anos, que estava desacordada na poltrona. Ao verificar os sinais vitais da mulher, percebeu que ela estava sem pulso e iniciou os procedimentos de emergência.

"Eu toquei no pescoço dela para procurar o pulso e não tinha nada. O marido dela estava desesperado do lado pedindo ajuda. O voo estava cheio. Tinha muita gente indo para o show. Foi muito intenso, porque você sai do sono direto para uma situação de vida ou morte", lembra a médica.

Como o avião já estava praticamente pousando, Carolina decidiu, junto aos comissários, colocar a paciente no espaço entre as poltronas para começar as manobras de reanimação cardiopulmonar.

Outros profissionais da saúde que também estavam no voo passaram a ajudar. Enquanto uma enfermeira e Carolina se revezavam nas compressões cardíacas, outra médica fazia ventilação boca a boca.

A equipe conseguiu um desfibrilador e iniciou os choques elétricos. Depois de quatro choques e 20 minutos de reanimação, a passageira voltou a apresentar pulsação.

Após o pouso, ela foi encaminhada para um hospital no Rio de Janeiro. No dia 4 de maio, já no retorno para São Paulo, Carolina recebeu a notícia de que a paciente havia sobrevivido, saído da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e já respirava sem a ajuda de aparelhos.

"Atuei em outra área da medicina que fazia muito tempo que eu não lidava. Eu vi que minha formação foi muito boa, eu vi que a minha memória também é muito boa e minha inteligência foi suficiente para captar tudo o que eu precisava fazer e de fato efetuar", relembra Carolina.

🩺 Missão

A médica, que atua no Sistema Único de Saúde (SUS) em São José do Rio Preto há dois anos, afirma que ainda tenta processar tudo o que viveu dentro do voo lotado e diante do desespero do marido da paciente, que acompanhou o atendimento ao lado da esposa.

Apesar da repercussão do caso e das mensagens que recebeu após a ocorrência, Carolina diz que não se vê como heroína. Segundo ela, a sensação inicial foi apenas a de ter cumprido a missão que assumiu ao escolher a medicina.

"Depois de um tempo é que eu comecei a entender a grandiosidade do dever cumprido. Eu jamais deixaria de fazer o que eu fiz. Virou uma chavinha em mim na hora. Eu honro meu juramento", comenta Carolina.

A médica conta que, no momento da emergência, não houve espaço para medo ou hesitação: o instinto profissional "falou mais alto". Para Carolina, a experiência reforçou não apenas a importância da formação médica, mas também o compromisso assumido diariamente com a vida dos pacientes, dentro ou fora de um hospital.

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