Mensagens mostram preocupação com mau tempo antes da queda de helicóptero com Rick

Publicado em 28/09/2026, às 15h39
Imagens aéreas mostram destroços do helicóptero em área de mata fechada - Divulgação / CBMSC
Imagens aéreas mostram destroços do helicóptero em área de mata fechada - Divulgação / CBMSC

Por g1

Um helicóptero que transportava o cantor Rick e mais quatro pessoas caiu em meio a condições meteorológicas adversas, resultando na morte de todos a bordo. A tripulação havia expressado preocupação com o clima antes da decolagem, que ocorreu mesmo após alertas de tempestade na região.

Mensagens trocadas entre o copiloto e um operador de aeroporto indicam que a tripulação estava ciente das condições ruins, mas decidiu prosseguir com o voo. A Defesa Civil havia emitido um alerta de tempestade severa, e a aeronave desapareceu pouco após a decolagem.

As equipes de resgate levaram mais de 20 horas para localizar o helicóptero, que caiu em uma área de difícil acesso. A investigação sobre as causas do acidente está em andamento, com foco nas condições meteorológicas e possíveis falhas humanas.

Resumo gerado por IA

Horas antes da queda do helicóptero que matou o cantor Rick, da dupla Rick e Renner, e outras quatro pessoas, mensagens trocadas entre integrantes da tripulação e um operador de aeroporto revelam preocupação com as condições meteorológicas na região de destino.

Segundo reportagem do Fantástico, exibida nesse domingo (27), o copiloto Leopoldo Barros Teixeira procurou Juliano Luft, operador do aeroporto de Lages, onde o helicóptero faria uma parada para reabastecimento. O primeiro contato ocorreu às 6h59.

Às 7h52, Luft enviou uma foto das condições do tempo em Lages. Segundo ele, naquele momento havia condições visuais consideradas boas. Na sequência, também alertou a tripulação: "Mais tarde chove. Quanto antes vir, melhor".

Minutos depois, o próprio comandante, Antônio Roberto Nóbrega de Araújo, entrou em contato com o operador. Segundo Luft, o piloto afirmou que sabia que o tempo estava ruim no destino e pediu fotos e um vídeo das condições meteorológicas em Lages.

Naquela manhã, a Defesa Civil havia emitido um alerta de tempestade severa para a região de São Joaquim, com previsão de granizo, vendaval e raios. A reportagem também informou que uma frente fria se aproximava da região.

Helicóptero decolou às 11h

Pouco antes da decolagem, o empresário Bruno Avelar enviou a um amigo uma foto feita dentro da cabine. Na imagem, o comandante aparece diante do painel de controle.

O Bell 430, prefixo PP-MGR, decolou às 11h de Porto Belo, no litoral de Santa Catarina, com destino a São Joaquim. O plano previa uma parada em Lages para abastecimento.

Após a decolagem, Juliano Luft tentou novamente entrar em contato com a tripulação. Às 11h17, enviou uma mensagem para saber se eles já tinham uma estimativa de chegada e se fariam o abastecimento em Lages. A mensagem não foi respondida e, segundo ele, também não foi recebida.

O último contato ocorreu antes de o helicóptero desaparecer. Câmeras de segurança de fazendas registraram o som da colisão às 11h32.

Cinco pessoas morreram

Estavam a bordo o cantor Rick, o empresário Bruno Avelar, o produtor de vídeos Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. O Bell 430 tinha capacidade para até sete passageiros e, segundo a ANAC, estava com a documentação em dia e autorizado para voos noturnos e por instrumentos.

As equipes de resgate levaram mais de 20 horas para localizar a aeronave. O helicóptero caiu em uma área de difícil acesso, em meio à mata fechada, em um trecho da Serra Catarinense a cerca de 1.700 metros de altitude. Para chegar ao local, a equipe do Fantástico refez um trajeto que levou cerca de duas horas e meia de caminhada.

Perícia investiga causas da queda

Imagens obtidas pelo Fantástico mostram os destroços espalhados pela mata. A Polícia Científica utiliza drones e um scanner tridimensional para reconstruir a cena da colisão e analisar a trajetória da aeronave.

Segundo o perito criminal Fernando Henrique Ponzetti, a tecnologia permite simular a entrada do helicóptero na área de mata e analisar características da aeronave e dos destroços. Dos mais de 15 metros de comprimento do Bell 430, restaram pouco mais de três metros após o impacto.

O engenheiro aeronáutico e professor da Poli-USP Jorge Eduardo Leal Medeiros afirmou à reportagem que, pelas características do helicóptero, uma falha mecânica não seria a primeira hipótese analisada. Ele também citou a possibilidade de influência das condições meteorológicas.

Entre os fenômenos que podem ocorrer em regiões montanhosas está o downdraft, ou corrente descendente, quando o ar desce pela encosta e pode empurrar a aeronave para baixo.

O especialista também levantou, de forma preliminar, a possibilidade de falha humana associada ao mau tempo. A hipótese ainda não é uma conclusão sobre as causas do acidente.

A investigação continua. Os responsáveis pelo caso buscam informações na caixa-preta do Bell 430, enquanto a Polícia Científica trabalha na reconstrução da dinâmica da queda.

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