A jornalista e ativista Gloria Steinem, ícone do feminismo, faleceu aos 92 anos em sua casa em Nova York, com a causa da morte não divulgada. Sua trajetória de quase um século foi marcada por uma luta incansável pela igualdade de gênero e direitos das mulheres.
Steinem foi uma figura central na segunda onda do feminismo, utilizando o jornalismo para abordar questões como direitos reprodutivos e igualdade de gênero, especialmente através da revista Ms., que cofundou nos anos 1970. Nascida em 1934, ela se destacou por suas reportagens investigativas e por sua obra literária, incluindo 'Minha Vida na Estrada'.
Em homenagem à sua vida e legado, Steinem pediu doações à sua fundação em vez de flores. Recentemente, sua história foi retratada em uma cinebiografia, e um novo livro, 'An Unexpected Life', está prestes a ser lançado nos Estados Unidos.
Morreu nesta quarta-feira (2), aos 92 anos, a jornalista, escritora e ativista que foi pioneira do feminismo Gloria Steinem. A morte foi divulgada nas redes sociais de sua fundação, que não informou a causa.
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"Ontem, Gloria Steinem morreu pacificamente em sua casa, em Nova York, cercada por algumas das muitas pessoas que a amavam. Os quase cem anos de Gloria na Terra foram anos bem vividos, e ela continuou trabalhando pela igualdade até o fim", diz a publicação.
"O maior dom de Gloria era sua capacidade de ouvir os outros, de fazer com que as pessoas se sentissem vistas e ouvidas. Suas palavras, suas ações e seu exemplo deram às pessoas permissão para serem quem realmente eram. Gloria viveu fiel ao seu espírito independente, sempre com curiosidade e um grande senso de humor", segue o texto.
"Em vez de flores, Gloria pediu que aqueles que desejarem homenageá-la com um presente façam uma doação à Fundação Gloria."
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Steinem foi uma das principais figuras do feminismo no mundo, responsável por projetar o movimento política e culturalmente a partir dos anos 1960. Ao integrar a chamada segunda onda do feminismo, a americana usou o jornalismo para debater temas considerados tabus à época, como direitos reprodutivos e igualdade entre homens e mulheres.
Eles foram levados às páginas da revista Ms., que ela ajudou a fundar no início dos anos 1970, ao lado de Dorothy Pitman Hughes. Ela foi publicada mensalmente entre 1972 e 1987.
Nascida em Toledo, no estado de Ohio, em 1934, Steinem começou a carreira como jornalista e ganhou notoriedade em reportagens investigativas. Entre os livros que escreveu está "Minha Vida na Estrada", em que narra suas experiências como viajante e porta-voz do feminismo pelo mundo.
Uma "empreendedora das mudanças sociais", como gostava de se referir a si mesmo, Steinem viveu seu despertar feminista depois dos 30 anos de idade, em 1969, quando compareceu, como jornalista, a um debate sobre mulheres que discutiam seus abortos ilegais.
Com o conhecimento e o acesso que tinha na profissão, ela foi rapidamente se transformando num dos principais rostos do feminismo no mundo. Nas décadas seguintes, a jornalista liderou marchas e protestos, organizou conferências e publicou reportagens e manifestos sobre os direitos das mulheres.
Como força política de um país em transformação, levou para os holofotes debates relacionados ao estupro, ao aborto, aos direitos reprodutivos, à vida doméstica, à presença no mercado de trabalho e à forma como a pobreza atingia as mulheres de então.
Há seis anos, ela foi homenageada numa cinebiografia dirigida por Julie Taymor, "As Vidas de Gloria", ou "The Glorias". Julianne Moore encarnou a ativista, num elenco que tinha ainda Alicia Vikander e Janelle Monáe.
Além de "Minha Vida na Estrada", dua obra literária inclui ainda outros livros não traduzidos no Brasil, como "Revolution from Within: A Book of Self-Esteem" e "The Truth Will Set You Free, But First It Will Piss You Off!: Thoughts on Life, Love, and Rebellion". O último deles, "An Unexpected Life", deve sair neste mês nos Estados Unidos.
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