Alagoas

MPF vai investigar aplicação da 3ª dose de vacinas contra a Covid em 66 municípios de AL

Eberth Lins | 09/07/21 - 11h46 - Atualizado em 09/07/21 - 13h23
Casos de aplicação da terceira dose foram notificados em 66 municípios alagoanos | Foto: Agência Alagoas

O Ministério Público Federal (MPF) vai investigar a suposta aplicação fraudulenta da terceira dose de vacinas contra a Covid-19 em 304 pessoas em 66 municípios alagoanos. O dado foi levantado pelo Laboratório de Estatística e Ciência dos Dados, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que criou o Painel da Vacinação. De acordo com o levantamento, a maioria das terceiras doses de vacinas foram aplicadas em Maceió (94 casos) e Arapiraca (28 casos). 

"O GT (grupo de trabalho) do MPF que acompanha as medidas de enfrentamento à Covid-19 em Alagoas tomou conhecimento das denúncias sobre aplicação de terceira dose de vacina em alguns municípios alagoanos. A atribuição, primariamente, é do MP estadual, pois o problema teria sido a aplicação pelos municípios. No entanto, os órgãos de gestão da saúde no estado de Alagoas estão averiguando o fato, e as conclusões serão apresentadas aos órgãos de controle. Caso seja constatada fraude, os Ministérios Públicos adotarão as providências cabíveis", informou a instituição por meio de nota.

Os dados foram extraídos da plataforma do Plano Nacional de Imunização (PNI), que faz atualizações diárias a respeito da vacinação em todo o Brasil. Além de fraudes, o registro de três doses da vacina pode acontecer por causas diversas, a exemplo de erros na notificação que é de responsabilidade das secretarias de Saúde de cada município. No entanto, para chegar a esse número, os pesquisadores fizeram um filtro que facilita a investigação por parte das autoridades competentes, conforme explica o coordenador do laboratório, professor Krerley Oliveira.

"Um dos problemas é que a base (do PNI) tem apresentado várias inconsistências, mas a gente tem consciência e corrige esses erros. Nesse caso, a gente considerou somente dados das mesmas pessoas que tomaram a terceira dose em datas diferentes. São dados com indícios fortes de irregularidades e que precisam ser observados", detalhou.

Ao TNH1, o professor ressaltou que dado referente às terceiras doses é somente uma das informações possibilitadas pelo Painel da Vacinação e que o objetivo principal é contribuir para que municípios acompanhem o processo de vacinação.

"São dados que englobam várias informações sobre a vacinação, a exemplo da pessoa vacinada, vacina aplicada, local de vacinação e forma que essa vacina foi aplicada. Nosso trabalho tem como objetivo permitir que municípios, a maioria deles sem estrutura para realizar esse trabalho, possam ter acesso a essas informações", frisou.

O TNH1 entrou em contato com as secretarias de Saúde de Maceió e Arapiraca, as duas maiores cidades do estado, para saber quais medidas estão sendo adotadas a partir do levantamento. Em Maceió, a Prefeitura disse que está investigando os casos. Arapiraca, por sua vez, disse que a Coordenação de Doenças Imunopreveníveis do município informou que não houve, até o momento, nenhuma notificação sobre o problema por parte do PNI Estadual, e acredita que possa ser um problema de erro no sistema do Governo Federal.

A reportagem também entrou em contato com o Ministério Público Estadual (MPE), que é citado pelo MPF como responsável inicial pela demanda, mas até a publicação deste material não recebeu retorno da instituição.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), que é responsável pelo Plano Estadual de Imunização e por distribuir as vacinas, comunicou em nota que, em caso de registro, vai entrar em contato com os municípios responsáveis pela imunização. 

"A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) esclarece que, se houver o registro, vai dialogar com os municípios que são os responsáveis pela realização da vacinação e o registro das respectivas doses aplicadas", disse o órgão.

Casos superam 1,5 mi no Brasil

Conforme levantamento do laboratório, os casos de pessoas que tomaram a terceira dose de vacinas contra a Covid-19 no Brasil ultrapassam a marca de 1,5 milhão.

No início deste mês, a veterinária Jussara Sonner causou polêmica ao publicar em uma rede social que tomou a dose da vacina Jassen mesmo depois de tomar as duas doses da vacina Coronavac. Na publicação, ela dizia não se sentir segura com as doses da vacina produzida no laboratório Butantan.

O caso foi registrado em Arujá, na Grande São Paulo, e chamou atenção e o Ministério Público pediu a prisão de pessoas que forem flagradas tentando tomar uma terceira dose da vacina contra o novo coronavírus em São Paulo.