Polícia

Na tática do "tudo ou nada", assaltos ficam cada vez mais violentos em Maceió

Últimas semanas foram repletas de pânico e tragédia; policiais militares viraram alvo dos bandidos e cidadãos ficaram atordoados

13/04/16 - 16h13 - Atualizado em 16/04/16 - 09h03
Arquivo/TNH1

No começo do mês de março, os maceioenses acompanharam, assustados, as cenas de selvageria de uma agressão a uma adolescente no bairro da Jatiúca.

O espancamento aconteceu logo após um assalto, próximo à antiga Avenida Amélia Rosa. A garota, de 17 anos, teve sérias escoriações e foi levada ao Hospital Geral do Estado (HGE). Três dias depois, os suspeitos da agressão foram apresentados pela Polícia. Segundo a delegada Maria Angelita, os homens foram identificados por outras vítimas que também relataram casos de espancamentos.

Nesta semana, uma jovem de 19 anos ficou com o rosto desfigurado após ser espancada por não ter dinheiro para dar a assaltantes que lhe abordaram no Tabuleiro do Martins.

Nesta semana, outro caso chamou atenção pela violência, dessa vez no bairro da Serraria.

O cabo da Polícia Militar, José Américo, foi baleado durante o assalto, em que o carro foi levado. Ambos os casos foram flagrados por câmeras de segurança e os vídeos foram compartilhados nas redes sociais.

TÁTICA DO "TUDO OU NADA"

O comportamento de “tudo ou nada” dos bandidos, além de causar mais medo na população, está sendo observado pelo novo comandante-geral da Polícia Militar de Alagoas, coronel Marcos Sampaio.

“Eles não têm nada a perder. Quando você vai cometer um assalto desarmado a uma pessoa que está armada, você vai com uma violência maior” - avalia.

Ainda de acordo com o comandante-geral, os ataques aos policiais aumentaram porque muitas operações foram feitas e, com elas, dezenas de armas foram apreendidas. Com isso, os bandidos buscam novas armas para prosseguir no mundo do crime, daí esse tipo de ação contra policiais.

Traumas

Se um assalto sem agressões físicas já causa traumas às vítimas, os roubos que culminam em machucados reais trazem danos mais difíceis de curar.

“A pessoa fica com medo de sair, qualquer barulho já acha que vai acontecer de novo, mas, aos poucos, a pessoa tem que voltar ao normal, porque a agressão meche com todo o comportamento da pessoa” - explica a psicóloga Rosânia Lisboa. A psicóloga também esclarece que a vítima não pode se sentir culpada pela agressão, uma vez que o problema está no agressor. “Na realidade, além dele querer assaltar, ele sente prazer em causar dano à vítima”, afirma.