O ex-banqueiro Daniel Vorcaro expressou surpresa com a rejeição do Banco Central à compra do Banco Master pelo BRB, afirmando que não havia indícios de que a fusão seria negada até a decisão em 3 de setembro.
Vorcaro destacou que o Banco Central, incluindo seu presidente Gabriel Galípolo, havia incentivado a fusão e que o processo de negociação foi acompanhado pela instituição, que solicitou alterações para garantir a viabilidade do negócio.
A Polícia Federal investiga se Vorcaro recebeu informações privilegiadas de ex-servidores do BC, enquanto a defesa do ex-banqueiro afirmou que ele teve a oportunidade de se manifestar sobre a investigação durante seu depoimento.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro disse em depoimento à Polícia Federal ter sido surpreendido com a decisão do BC (Banco Central) que rejeitou a compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília). A informação consta em vídeo obtido pela CNN.
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“Não existiu até o dia da reprovação no dia 3 de setembro, nenhum indício. Nenhum indício, apesar de diversas… Quando eu digo isso, eu digo nenhum indício real porque existiam notícias, falas, fofocas... Na prática, como a gente estava executando tudo que o Banco Central solicitava, a gente acreditava que seria aprovado”, disse o ex-banqueiro no depoimento.
O depoimento foi realizado em 28 de agosto. Na ocasião, Vorcaro também afirmou que “o Banco Central como um todo” e o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, “incentivaram” a fusão entre o Banco Master e o BRB.
“Eu sei qual era a postura do Banco Central como um todo, não somente do Paulo Sérgio, como do diretor Ailton [de Aquino], como do próprio presidente [Gabriel] Galípolo. A todo momento era uma postura de concordância e incentivo à conclusão da fusão”, declarou Vorcaro.
O negócio entre as instituições financeiras foi anunciado em março do ano passado, quando o conselho de administração da instituição estatal aprovou um contrato de compra e venda de ações do Master, para aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e, consequentemente, 58% do capital total do banco, garantindo voto em seu respectivo conselho.
O processo de negociação foi acompanhado pelo Banco Central, que determinou que fossem realizadas alterações na proposta para assegurar a viabilidade do negócio. Após a liquidação do banco de Vorcaro, em novembro de 2025, veio à tona a informação de que a venda de ativos podres pelo Master ao BRB gerou um impacto de R$ 12 bilhões à instituição financeira regional.
“A expectativa era de que isso [fusão] acontecesse com rapidez, mas ao longo do tempo, em função de pressão midiática, o negócio passou a ser modificado. Houveram [sic] diversas requisições do BC para que fosse modificado o modelo original que foi apresentado. Todas as mudanças foram implementadas ao longo do tempo”, disse Vorcaro no depoimento.
A oitiva fez parte do inquérito que apura a atuação de dois ex-servidores do BC suspeitos de favorecer o Master em troca de vantagens financeiras.
A PF investiga se Vorcaro recebeu informações privilegiadas do ex-funcionários do BC, que teriam prestado consultoria informal ao ex-banqueiro. No depoimento, ele negou ter recebido informações privilegiadas de integrantes da instituição.
Em nota divulgada no dia do depoimento, a defesa do ex-banqueiro disse que foi "finalmente assegurada a primeira oportunidade" de o ex-banqueiro se manifestar sobre a investigação.
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