O navio Professor W. Besnard, que estava inativo no porto de Santos por 18 anos, foi rebocado para um estaleiro no Guarujá para reparos, visando sua transformação em atração turística no Parque Valongo após ter tombado parcialmente em março deste ano.
Considerado pioneiro em pesquisas oceanográficas no Brasil, o Besnard realizou 260 expedições e enfrentou deterioração significativa, incluindo um incêndio em 2008 e um adernamento em 2020, que resultaram em vazamentos de água e resíduos oleosos.
A restauração do navio não visa seu retorno à navegação, mas sim sua exposição permanente no Parque Valongo, com o apoio da Autoridade Portuária de Santos e acompanhamento de diversas autoridades durante a operação de rebocagem.
O histórico navio Professor W. Besnard, que estava encostado no porto de Santos há 18 anos, foi rebocado nesta sexta-feira (23) para um estaleiro no Guarujá. Ele passará por reparos para voltar como atração turística do Parque Valongo.
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Pioneiro nas pesquisas oceanográficas brasileiras, o navio ficou parcialmente submerso e tombado em março deste ano, o que levantou o temor de impactos ambientais por possível vazamento de óleo no estuário. Mas foi colocado de novo na posição vertical e agora será restaurado para ficar em condições de ser visitado pelos turistas.
"O navio Besnard ficará em exposição permanente no Parque Valongo. Já acertamos este novo destino do navio com o Concais, que também será transferido para o Valongo. Assim, teremos mais uma atração que vai emocionar os turistas que chegarem a Santos pelos navios de cruzeiro", afirmou Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS).
Pomini afirma que o navio passará por restauração não para voltar a navegar, mas para que possa ser rebocado de volta ao Valongo e ali ser contemplado com a atenção que merece
Quatro rebocadores e outras embarcações de apoio acompanharam a condução do navio pelo canal do Porto de Santos, que ocorreu sem transtornos e em baixa velocidade. A operação demorou pouco mais de uma hora e meia, acompanhada pela Guarda Portuária, pela Marinha do Brasil e por técnicos da empresa Marfort.
Besnard, de 49,3 metros de comprimento, foi lançado ao mar em 1966 em um estaleiro na cidade de Bergen, na Noruega. Encomendado pelo Governo de São Paulo, ele chegou a Santos em 9 de agosto de 1967, tornando-se o primeiro navio de pesquisa civil e o primeiro navio oceanográfico da USP (Universidade de São Paulo).
Ele realizou 260 expedições para a formação de pesquisadores e coleta de material científico, sendo um dos pioneiros em pesquisas brasileiras na Antártida, em 1982. Passou por reformas nos anos 1990 e, desde 2008, após sofrer um incêndio, encontra-se inoperante.
Após a adernação, em março, os trabalhos de reflutuação envolveram a vedação completa de compartimentos do navio (tamponamento), teste de estanqueidade e uso de bombas hidráulicas para a retirada da água até o navio ser erguido e estabilizado.
Em 2020, o Professor W. Besnard viveu situação parecida, que também provocou um adernamento termo técnico utilizado quando há inclinação lateral de um barco.
Na ocasião, uma operação retirou aproximadamente 130 mil litros de água e 18 mil litros de resíduos oleosos que alagavam a embarcação. Desde então, o navio se manteve em contínua deterioração e foi alvo de diversos furtos.
Depois de aposentado pela USP, o navio foi doado a Ilhabela, que pretendia afundá-lo para transformá-lo em um recife artificial. Em 2019, a prefeitura da cidade do litoral norte repassou o navio ao Imar (Instituto do Mar), que afirmava ser possível recuperá-lo.