Novo líder do Irã receberá prótese na perna e deve passar por cirurgia plástica no futuro, diz jornal

Publicado em 23/04/2026, às 15h31
Foto de Mojtaba Khamenei exibida na TV estatal iraniana após o anúncio de sua nomeação - IRINN
Foto de Mojtaba Khamenei exibida na TV estatal iraniana após o anúncio de sua nomeação - IRINN

Por g1

O aiatolá Mojtaba Khamenei, novo líder supremo do Irã, está se recuperando de ferimentos graves causados por ataques dos EUA e Israel, o que resultou em sua ausência em aparições públicas e a necessidade de cuidados médicos intensivos.

Khamenei, que passou por várias cirurgias e aguarda uma prótese, delegou decisões a generais da Guarda Revolucionária devido a preocupações de segurança e limitações físicas, o que tem fortalecido a influência militar no governo.

Enquanto Khamenei ainda participa formalmente das decisões, o poder real se concentra nas forças armadas, que têm liderado estratégias e operações, relegando o governo civil a funções administrativas e limitando a influência dos clérigos.

Resumo gerado por IA

O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, deve usar uma prótese na perna e pode precisar de cirurgia plástica após ficar gravemente ferido em ataques dos Estados Unidos e de Israel, segundo reportagem do jornal "The New York Times".

Khamenei foi escolhido por um conselho de clérigos após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, que comandava o país desde 1989 e foi morto em um bombardeio dos EUA e Israel em 28 de fevereiro. Desde então, o novo líder não fez aparições públicas.

Atualmente, ele está escondido e sob cuidados médicos, com acesso extremamente restrito. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, que também é cirurgião cardíaco, e o ministro da Saúde participam do tratamento, de acordo com o jornal.

Ele teve uma das pernas operada três vezes e aguarda uma prótese. Também passou por cirurgia em uma das mãos e está recuperando os movimentos. Queimaduras no rosto e nos lábios dificultam a fala, e ele pode precisar de cirurgia plástica.

Apesar dos ferimentos, autoridades iranianas afirmam que Khamenei está lúcido e participa das decisões.

Por questões de segurança, mensagens chegam até ele por meio de uma cadeia de mensageiros, que transportam bilhetes escritos à mão até seu esconderijo, segundo o The New York Times. Suas orientações retornam pelo mesmo caminho.

O significa ser o líder supremo no Irã: No sistema teocrático iraniano, concentra o poder máximo do Estado. O cargo é ocupado por um clérigo xiita escolhido por uma assembleia de 88 aiatolás. O líder supervisiona o presidente eleito e comanda instituições paralelas, incluindo a Guarda Revolucionária.

Militares ganham poder

A combinação de preocupações com a segurança, os ferimentos e a dificuldade de acesso levou Mojtaba Khamenei a delegar decisões aos generais, de acordo com o jornal.

Na prática, segundo o New York Times, o poder está concentrado em uma ala militar linha-dura, enquanto a influência dos clérigos diminui.

De acordo com o veículo, facções reformistas e ultraconservadoras continuam participando de discussões políticas, mas analistas dizem que os laços próximos de Khamenei com os militares — com quem lutou na guerra Irã-Iraque quando jovem — os tornaram a força dominante.

“Mojtaba ainda não tem controle total”, disse Sanam Vakil, diretora do programa para o Oriente Médio e Norte da África da Chatham House ao The New York Times “Há deferência a ele, ele participa formalmente das decisões, mas neste momento recebe decisões praticamente já tomadas.”

Segundo o jornal, a Guarda Revolucionária do Irã, criada para proteger a Revolução Islâmica de 1979, atualmente, exerce várias funções no comando do país.

“Mojtaba não é ‘supremo’ como o pai”, disse Ali Vaez, do International Crisis Group. “Ele depende da Guarda Revolucionária, pois deve sua posição e a sobrevivência do sistema a ela.”

Os generais da Guarda Revolucionária passaram a liderar decisões estratégicas e o uso de recursos. Eles também usaram os ganhos militares com o fechamento do Estreito de Ormuz para fortalecer a sua posição.

Foram eles que definiram a estratégia de ataques, o fechamento do estreito, o cessar-fogo temporário e a retomada de negociações com os EUA.

Segundo o jornal, o presidente e o governo civil foram relegados a funções administrativas, como garantir abastecimento.

Gostou? Compartilhe