É absolutamente atípica a situação vivida na política alagoana neste ano, em que os dois principais candidatos ao governo do Estado chegam no dia da convenção sem que haja a confirmação dos seus respectivos vices.
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É o que está acontecendo com o senador Renan Calheiros Filho, do MDB, e o ex-prefeito João Henrique Caldas, do PSDB.
Quanto a essa questão de vice, há uma situação curiosa ocorrida em 1986 em Alagoas.
Naquele ano, o então deputado federal Fernando Collor surpreendeu ao deixar o PDS, pelo qual havia sido eleito para a Câmara, em 1982, para se filiar ao PMDB, legenda que abrigava os seus principais adversários.
No ano anterior, 1995, Collor já havia sinalizado uma mudança de partido, ao ajudar a eleger Djalma Falcão, do PMDB, para a Prefeitura de Maceió.
Em 1986, o PSD lançou o senador Guilherme Palmeira ao governo, que na convenção surpreendeu ao confirmar o senador Dalmácio Lúcio, de Arapiraca, também do PDS, como seu candidato a vice.
O deputado federal Nelson Costa, também do PDS e até então um dos maiores aliados políticos e amigos pessoais de Guilherme, surpreendeu ainda mais ao ir à justiça pleitear a vaga de vice em lugar de Dalmácio - obteve liminar favorável.
Judicializado o caso, pois o PDS recorreu insistindo que Dalmácio teria de ser o vice, Nelson Costa passou a apoiar ostensivamente Fernando Collor.
Criou-se a curiosa situação em que Nelson, oficialmente vice de Guilherme, fazia campanha para o seu próprio adversário - e a pendenga jurídica permaneceu até o dia da eleição, vencida por Collor, cujo vice era Moacir Andrade, deputado estadual.
Nunca a disputa pela vaga de vice-governador foi tão acirrada como naquele ano...
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