Definitivamente, Alagoas vive uma das campanhas eleitorais mais atípicas da sua história.
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Dentre tantos incidentes relacionados a candidatos e partidos, merece registro o acontecido com Ronaldo Lessa (PDT).
Ainda vice-governador do Estado até 31 de dezembro, no início do ano ele cogitou concorrer ao Senado pelo grupo governista e foi convencido pelo ex-prefeito João Henrique Caldas (PSDB) a continuar vice, porém na sua chapa, pela oposição.
Lessa aceitou, durante algumas semanas chegou a participar de eventos políticos junto com JHC, e de última hora, nos últimos instantes da convenção, foi de novo convencido por ele a abrir mão da vaga para a médica Célia Rocha, ex-deputada federal e ex-prefeita de Arapiraca.
Concordou, então, em ser primeiro suplente de senador de Marina Candia, mulher de JHC, até descobrir que, na verdade, constava na ata apenas como segundo suplente - a senadora Eudócia Caldas (PSDB) constava e consta na primeira suplência.
Ronaldo Lessa então encaminhou à Justiça Eleitoral sua renúncia à segunda suplência ao Senado, pedindo que sua coligação fizesse a retificação, colocando-o na primeira suplência e Eudócia Caldas na segunda.
Em resposta, o próprio JHC o convenceu a desistir do Senado e a indicar alguém para substituí-lo na chapa.
Eis que Lessa indicou o médico e ex-deputado federal Jurandir Boia - antigo companheiro de lutas esquerdistas - e, apesar de magoado, manteve seu apoio a JHC para governador e Marina Candia para o Senado.
Eis que, a 9 dias para a eleição, Jurandir Boia invoca sua postura esquerdista e resolve renunciar à segunda suplência do Senado.
“Não conheço JHC, mas não votaria nele. Não queria e não quero estar na chapa. Não devo nada a ninguém", argumenta Boia, que inclusive é o presidente do PDT em Alagoas.
Está criado um impasse político e jurídico para a coligação de JHC e Marina Candia, pelo menos até que a questão seja resolvida no âmbito da Justiça Eleitoral.
E deixa no ar uma pergunta em busca de resposta: o que, afinal, está se passando com Ronaldo Lessa, que depois de tantos mandatos exercidos - vereador, prefeito,deputado estadual, vice-prefeito, vice-governador, deputado federal e duas vezes governador - participaria, aos 77 anos, da sua última eleição?
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