Contextualizando

O Estado não combate a corrupção porque é sócio dela

Em 21 de Junho de 2026 às 15:00

"Paraíso da Corrupção" e "País de Corruptos" são expressões que têm sido utilizadas com feequência cada vez maior para definir o Brasil.

Na realidade, fatos recentes e reiterados não nos permitem desmentir e até dão margem a um acréscimo; o Brasil também tem se caracterizado como berço da impunidade, que corroi os Poderes Executivo, Legisltivo e Judiciário - com exceções cada vez mais raras.

É sobre isso quentrata o texto a seguir, de Ricardo Kertzman:

"O Brasil criou sua primeira instituição de ensino superior apenas em 1808, mais de trezentos anos depois da chegada dos portugueses. Até então, quem quisesse formação universitária precisava atravessar o oceano, porque a metrópole não tinha interesse algum em produzir uma elite intelectual autônoma na colônia. A ignorância por aqui, portanto, não foi mero acidente de percurso, mas uma escolha pública e política.

Também fomos o último país independente das Américas a abolir a escravidão , em 13 de maio de 1888. Quase quatro séculos depois do início da colonização, a elite brasileira só aceitou libertar formalmente seres humanos quando já não havia mais como sustentar a barbárie. E fez isso sem terra, sem escola, sem indenização aos escravizados, sem integração social e sem qualquer projeto decente de nação.

Antes disso, ainda no século XVI, a Coroa portuguesa havia dividido o território em capitanias hereditárias. Eram imensas faixas de terra entregues a donatários escolhidos pelo rei, com poderes administrativos, econômicos e judiciais. Ali estava o ovo da serpente nacional: terras públicas tratadas como propriedade privada, autoridade misturada com compadrio e Estado usado como extensão da própria casa-grande.

A corrupção nasceu antes

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