O que é squishy? Conheça o brinquedo que virou febre entre as crianças

Publicado em 21/10/2026, às 14h19
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Por Revista Crescer

Os squishies, brinquedos macios e coloridos, se tornaram populares entre crianças, mas apresentam riscos à saúde, especialmente quando rompem ou não têm procedência conhecida, como evidenciado pelo caso de um menino que sofreu reações alérgicas após brincar com um deles.

Estudos indicam que alguns squishies podem conter substâncias químicas perigosas, como benzeno e compostos orgânicos voláteis, que podem causar irritações e reações alérgicas, especialmente em crianças com condições respiratórias pré-existentes.

Em resposta a esses riscos, o Inmetro emitiu um alerta sobre a importância de verificar a certificação e a segurança dos brinquedos, recomendando que os pais adquiram produtos de fontes confiáveis e supervisionem as brincadeiras para evitar acidentes.

Resumo gerado por IA

Os squishies se popularizaram entre as crianças e ganharam espaço nas redes sociais, impulsionados por vídeos que mostram os diferentes formatos dos brinquedos e propõem até desafios.

Macios e coloridos, eles podem ter formatos de alimentos e animais, além de fragrâncias que lembram frutas e doces.

Apesar da aparência divertida, alguns modelos podem oferecer riscos à saúde, especialmente quando não têm procedência conhecida ou se rompem durante o uso.

"Ele é divertido , colorido e, justamente por isso, vendeu muito nessa época. Mas existem alguns cuidados que todo pai, mãe ou cuidador precisa conhecer", alerta Sarah Saul, pediatra e presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

"Eles me mandaram até um vídeo e eu fiquei chocada na hora, porque não entendi o que tinha acontecido. Até perguntei se ele tinha comido alguma coisa diferente, mas meus pais, que nem conheciam o que era o squishy, falaram que as manchas tinham aparecido depois que o brinquedo tinha se rompido", lembra Jackeline.

Como as manchas persistiam e a coceira ficava cada vez mais intensa, a mãe decidiu levar o filho ao hospital. Segundo ela, a médica perguntou se sabia que alguns desses brinquedos poderiam conter substâncias agressivas, como o benzeno, e relatou já ter atendido outras crianças com queimaduras e reações alérgicas. "Eu não fazia a mínima ideia", afirma Jackeline.

De acordo com a mãe, Davi teve uma reação alérgica após o contato com o material interno do brinquedo. Com os medicamentos indicados pela equipe médica, o menino segue se recuperando bem. Desde o episódio, Jackeline decidiu não oferecer mais squishies nem para ele nem para a filha mais velha, Alana, de 10 anos.

"Depois eu fiquei pensando em mil e uma possibilidades do que poderia ter gerado essa reação no Davi. Como mãe de dois filhos, eu não compraria novamente, não vale o risco. Foi aterrorizante pensar que ele passou algumas horas com essa coceira intensa e o que poderia ter acontecido", conta Jackeline.

A mãe também decidiu alertar amigos próximos e publicar um aviso nas redes sociais. "Decidi fazer esse alerta porque, assim como eu, muitas pessoas ainda não conhecem ou sabem que existem tantos riscos", ressalta.


No dia 1 de outubro, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) publicou um alerta sobre os riscos do uso inadequado dos squishies e reforçou a importância de verificar a certificação e as informações de segurança dos brinquedos antes de oferecê-los às crianças.

"Foi aterrorizante"

Davi, 6 anos, tinha vários squishies, de diferentes modelos e formatos, e adorava brincar com eles em casa e na escola. "Depois de ver outras crianças brincando e alguns vídeos no YouTube, decidi comprar, sem imaginar o que poderia acontecer", conta a mãe, Jackeline Meneses, de 35 anos, à CRESCER.


Na quarta-feira (14), o menino voltava da escola para casa com o avô e brincava com um squishy em formato de queijo dentro do carro. De repente, o brinquedo se rompeu e espalhou uma espuma pelo veículo.


"A espuma era completamente estranha e se espalhou por todo canto do carro e no próprio Davi. Mesmo depois de tentar limpar, o meu pai me disse que a gosma não saía de forma alguma", relata a mãe.


Quando chegou em casa, o menino foi tomar banho a pedido dos avós. Foi nesse momento que eles perceberam manchas no tronco, nos braços, nas pernas e na barriga da criança.

Quais são os riscos dos squishies?

Um dos pontos de atenção é a composição dos brinquedos, especialmente daqueles vendidos sem informações claras sobre a procedência. Os modelos feitos de espuma de poliuretano podem liberar substâncias químicas no ar, enquanto o contato prolongado com a pele também pode provocar irritações.

"Os squishies de espuma de poliuretano podem liberar compostos orgânicos voláteis (COVs). A exposição se dá principalmente por inalação, e o contato prolongado com a pele pode causar irritação ou dermatite", explica Sarah Saul.

A exposição a essas substâncias pode provocar irritação nos olhos, no nariz e na garganta, tosse, dor de cabeça e tontura. Crianças com asma ou rinite alérgica merecem atenção redobrada, já que alguns compostos podem agravar sintomas respiratórios.

O risco não se limita aos brinquedos de espuma. Nos modelos com gel, o rompimento pode liberar o conteúdo interno, que pode irritar a pele e os olhos. Também há perigo de engasgo caso o brinquedo rasgue e solte pedaços. "Alguns modelos contêm pequenas esferas que, se ingeridas, podem causar obstrução intestinal", salienta Sarah.

A preocupação com a composição dos squishies já apareceu em análises internacionais. "A agência sueca de produtos químicos avaliou 21 amostras e identificou riscos de irritação ocular e respiratória. No Reino Unido, uma autoridade regulatória encontrou benzeno na camada externa de alguns modelos, em concentração quatro vezes superior ao limite permitido", explica Sarah.

Esses resultados se referem a produtos específicos e não significam que todos os squishies contenham a substância. Substâncias como tolueno, estireno e formaldeído também podem estar presentes e são capazes de provocar irritações na pele e vias aéreas, provocando tosse, chiado ou desconforto respiratório nas crianças.

Outro risco envolve desafios que circulam na internet e mostram crianças colocando os brinquedos no micro-ondas. O aquecimento pode fazer o material se romper ou estourar, provocando queimaduras.

Na Austrália, uma menina de 10 anos sofreu queimaduras graves no rosto após tentar reproduzir um desafio que circula nas redes sociais envolvendo brinquedos do tipo. O caso aconteceu em junho, segundo informações da emissora australiana 7News.

Como escolher e usar os brinquedos com segurança

No Brasil, os brinquedos comercializados devem passar por avaliação de conformidade e apresentar o selo do Inmetro. A certificação verifica requisitos de segurança, incluindo aspectos relacionados aos materiais e à possibilidade de desprendimento de peças.

"É importante que os pais e responsáveis façam a aquisição desses produtos no mercado formal para que possam avaliar se consta no produto as informações de segurança em língua portuguesa. Com a certificação e a nota fiscal, os consumidores podem usufruir de todas as garantias pós-vendas", orienta Valnei Cunha, chefe da Divisão de Fiscalização da Diretoria de Avaliação da Conformidade do Inmetro.

Quando comprado nessas condições, o consumidor tem a possibilidade de informar ao Inmetro o problema. "A instituição tem um sistema que recebe as informações de acidentes e incidentes com produtos, o Sistema Inmetro de Monitoramento de Acidentes de Consumo", explica Valnei.

Caso seja percebida alguma irregularidade ou o consumidor venha a sofrer algum tipo de acidente com esse tipo de brinquedo, é possível entrar em contato por meio da ouvidoria do órgão. Produtos comercializados sem procedência ou sem as informações obrigatórias podem não ter passado pelos requisitos de segurança aplicáveis aos brinquedos.

A presença do selo, porém, não elimina a necessidade de respeitar as instruções de uso e a faixa etária indicada. A embalagem deve informar o fabricante ou importador, os dados de contato e a idade recomendada. "Preços muito abaixo dos praticados no mercado, anúncios sem identificação do responsável pelo produto e a ausência do selo de conformidade são sinais de alerta", ressalta Valnei.

Também é importante desconfiar de um cheiro químico muito forte, mesmo antes de abrir a embalagem.

A supervisão durante a brincadeira é outra medida importante. O brinquedo deve ser descartado se rasgar ou começar a soltar pedaços e a criança deve

lavar
as mãos depois de brincar. Os squishies nunca devem ser colocados no micro-ondas ou próximos de outras fontes de calor.

Se a criança apresentar irritação na pele ou nos olhos, tosse, chiado, falta de ar ou outros sintomas após brincar com o produto, os responsáveis devem procurar atendimento médico.

Em caso de contato com a pele, a orientação inicial é lavar a região com bastante água corrente. Se houver contato com os olhos, é importante enxaguar com água ou soro por vários minutos. Quando houver ingestão de partes do brinquedo ou de seu conteúdo, não se deve provocar vômito. Se possível, guarde o produto ou a embalagem para ajudar na identificação do material.

"Um brinquedo certificado, adequado à idade e escolhido com atenção, vale muito mais do que qualquer modismo", reforça Sarah.

Assista ao vídeo da pediatra sobre a segurança do brinquedo squishy:

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